Imagine viver em uma cidade onde existem linhas de metrôs e ônibus que levem você para todos os cantos, ciclovias perfeitas de longas distâncias e, ainda, aluguel de bicicletas (por uma mixaria) em todos os pontos da cidade.

Agora, você consegue se imaginar vivendo nessa mesma realidade e gastando seu dinheiro com um carro, que, além de custar caro, ainda vai lhe causar incômodos e estresse por conta do trânsito?  Acho difícil a resposta ser sim.

E acredite: essas cidades existem. A seguir, conheça as TOP11 cidades mais acessíveis para as pessoas se locomoverem.

  • Hong Kong
  • Stockholm
  • Amsterdam
  • Copenhagen
  • Vienna
  • Singapore
  • Paris
  • Zurich
  • London
  • Helsinki
  • Munich

Referência:http://www.sustainablecitiescollective.com/david-thorpe/239891/best-and-worst-cities-commuting-world

Com uma mobilidade urbana impecável, essas cidades vêm tomando um rumo ainda mais avançado no que diz respeito ao “consumo compartilhado”. Essa tendência pode ser encontrada facilmente em todo o mundo e de diversas formas. Mas quando se trata de locomoção, a necessidade de comprar um carro para si tornou-se, com passar do tempo, cada vez menor. Nesse sentido, mais jovens, casais e até mesmo famílias preferem optar por outras formas de locomoção que a cidade oferece, ao invés de ter seu próprio veículo. Um exemplo é o carsharing, serviço de compartilhamentos de carros que já alcança cerca de 898 mil usuários, compartilhando mais de 9.200 veículos em países emergentes.

Nesse contexto, como as grandes indústrias automobilísticas sobrevivem a essas mudanças? E sabendo que essa é uma tendência mundial, qual será a estratégia delas?

Já passou o tempo do Marketing 2.0, onde quem narrava o que o consumidor iria comprar era a própria indústria. Na era do Marketing 3.0, resta apenas aos investidores criarem novas estratégias e adaptarem seu negócio ao novo mercado que vem surgindo.

“O mais importante é prever para onde os clientes estão indo e chegar lá primeiro”. Kotler

De olho na tendência, em Munique, a BMW não viu outra escolha e também entrou no mercado de compartilhamentos de carros, o carsharing, oferecendo o serviço da seguinte forma: cada pessoa paga uma mensalidade para ter direito a participar do DriveNow BMW. Assim, poderá alugar carros que estão pela cidade por um preço calculado por hora e super acessível.

É mais importante adotar a estratégia correta do que buscar o lucro imediato”. Kotler

Não é preciso colocar na ponta do lápis para calcular e chegar à conclusão de que essa estratégia não deve ter o lucro como objetivo primário. Mesmo que ele exista, com certeza esse negócio – atuando sozinho – ainda não é o que levará esse tipo de indústria ao crescimento desejado. Além disso, é preciso levar em conta o valor gasto na manutenção dos veículos no carsharing:

  • Os carros dificilmente voltam em bom estado (limpos)
  • Os carros sempre voltam com danificação provocada por outros usuários
  • A troca de carro acontece em alta escala
  • Os valores com seguro e gasolina são pagos pela empresa

Bem, o alto custo para manter um carsharing pode até ser questionável, porém, a necessidade de estar nesse mercado para as marcas de automóveis, não. As montadoras já aprenderam que a forma como seus produtos são distribuídos ou utilizados podem sofrer grandes mudanças e o carsharing é um exemplo claro de como o consumo colaborativo nesse segmento está evoluindo.

Não há mais como voltar atrás, esse tema é apenas parte de uma tendência comportamental mundial, onde a maioria das pessoas têm buscado gastar seu dinheiro com um foco muito maior no “ser” do que no “ter”.

De acordo com um estudo de 2013, do Boston Consulting Group, US$ 460 bilhões foram gastos em viagens de aventuras especiais contra US$ 170 bilhões em compras de produtos de luxo, segundo um artigo publicado no AdAge”.

A BMW adotou a estratégia de entrar para o compartilhamento de carros para oferecer aos seus clientes a oportunidade de utilizar o seu produto da forma como eles escolheram, evitando, assim, que outras marcas o fizessem. Uma coisa é certa: podemos esperar que virão mais surpresas por aí. Afinal, estamos cada vez mais procurando consumir menos produtos para usufruir mais serviços. E tudo isso exige ainda mais criatividade e inovação para que as marcas mais antigas sobrevivam – e para que as novas conquistem o novo consumidor.

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Especialista em gestão de marketing com mais de 10 anos de experiência. Formada na área de Comunicação e com MBA em Marketing, experiência em Startups e em projetos de marketing internacionais, envolvendo países como Estados Unidos, México e Portugal.