Além dos desafios comuns do ambiente de negócios, devido à diversidade e à complexidade das forças atuantes, as organizações ainda possuem a tarefa de administrar o único aspecto constante desse meio: a mudança! Peter Drucker se refere ao contexto atual dos negócios como a “era da descontinuidade”, uma época em que qualquer movimento externo relacionado à economia, política ou sociedade pode causar um impacto profundo dentro das organizações.

As empresas dependerão de sua própria capacidade de leitura e interpretação dos fatos externos para responder prontamente e neutralizar essas ameaças. À medida em que essa conjuntura de mega tendências se expande ou se retrai as organizações precisarão renovar-se, ajustar-se e adaptar-se de modo a garantir eficácia, competitividade, serviço diferenciado, visibilidade, autonomia, crescimento e resultados.

Nesse contexto, alcançar os objetivos organizacionais torna-se uma tarefa árdua  às administrações, especialmente àquelas que mantém uma postura pragmática com o uso de técnicas universais e fórmulas generalistas, que já surtiram bons resultados em outros tempos, mas que necessitam de uma revisão, um novo diagnóstico em busca da essência fundamental da administração contemporânea dentro de um sistema de forças relacionadas entre si, através do uso de uma abordagem contingencial e de uma visão sistêmica efetiva.

E finalmente, eis que surge o profissional nexialista! Um líder com a capacidade de estabelecer um novo padrão de pensamento, substituindo o pensamento linear e condicionado que apresenta soluções padronizadas, ou diagnósticos generalistas e superficiais, que inviabilizam a visão do todo, por uma visão sistêmica e sinérgica, criadora de ideias integradoras e de múltipla abordagem. Essa forma específica de leitura decorre da capacidade de criar ou encontrar conexões entre pontos extremos ou adversos do conjunto de conhecimentos dentro de um grupo.

Ficou muito comum usar a expressão “pensar fora da caixa”, para identificar o movimento que traduz uma necessidade impulsionada pelo desejo de mudança e pela busca por soluções diferenciadas, capazes de adequar interesses comuns entre pessoas, instituições e empresas e criar alternativas eficazes, que substituam atitudes arraigadas e antigos paradigmas e proporcionem interação e troca de conhecimentos entre indivíduos, que passam a observar o todo, contemplando a diversidade de competências e a pluralidade de abordagens dentro de uma coletividade. Grupos e organizações já compreendem que lideranças agregadoras e comprometidas com essa visão sistêmica de compartilhamento e coletividade influenciam e  inspiram pessoas e promovem processos de mudança extremamente significativos.

O nexialista imprime um padrão de comportamento onde a comunicação e a integração das informações são a principal estratégia. Essa visão integradora permite insights que possibilitam organizar as informações de modo a agregar as várias disciplinas que compõem o conhecimento humano em sua pluralidade.

Houve um tempo em que ser um generalista, o famoso “faz tudo”, representava diferencial. Ainda que esse profissional apresentasse suas competências, o que se sobressaía era um amontoado de conhecimentos genéricos e uma visão sem foco e nenhum saber específico. Com um mercado de trabalho em evolução a qualificação e a especialização passaram a ter importância primordial nos perfis profissionais, sobretudo em cargos de chefia e liderança, no entanto, a especificidade  promovida pelo aprofundamento em determinada área do conhecimento pode ocasionar uma dificuldade de visão de conjunto.

Segundo o físico norte americano David Bohm, as pessoas apresentam grandes dificuldades em realizar conexões, vislumbrar contextos diferentes e estabelecer relações entre si que transcendam uma questão ocasional ou o momento presente. Para David, quando não somos capazes de realizar esses links e elaborar correlações imediatas entre eles normalmente concluímos, ingenuamente, que não há elementos para teorizar ou aprofundar qualquer investigação, a tendência é escolhermos a solução mais óbvia e imediatista.

Conforme descrição de origem,o termo nexialista foi usado pela primeira vez em uma obra ficcional chamada Missão Interplanetária escrita pelo canadense A.E. Van Vogt, em 1950. A obra provavelmente serviu de inspiração para a criação da série Jornada nas estrelas, pois contava a saga de uma nave espacial tripulada por diversos cientistas e especialistas em diversas áreas e um tripulante sem especialidade, que era chamado de nexialista, e herói da história, pois tinha a capacidade de integrar o conhecimento de toda a equipe e ser responsável pela solução final dos problemas.

A ideia do profissional nexialista é de mesclar a diversidade e aprofundar conhecimentos e saberes de modo que tudo tenha nexo entre si. Este profissional tem grande capacidade de aprender, observar, ponderar e concluir, pois suas características principais são  inconformismo, curiosidade incansável, interesses amplos e visão abrangente, habilidade multidisciplinar e capacidade de encontrar abordagens individualizadas para cada situação e aplicar critérios e princípios comuns para julgar cada uma delas.

Longe de ser um herói, o nexialista é essencialmente alguém que consegue observar o mundo sob uma ótica diferenciada, que estabelece parâmetros abrangentes e destrói paradigmas, pois é inconformado e defende fervorosamente o benefício da dúvida. Alguém que tenha, além da capacidade de encontrar respostas, a de saber onde e como buscá-las.

Para Longo e Tavares: “Num universo de especialização cada vez maior, nada mais importante que se ter a visão do todo, ou seja, poder enxergar a floresta além das árvores”.

Sugestão de leitura:

– O marketing na era do nexo – Walter Longo e Zé Luis Tavares

– A quinta disciplina – Peter Senge

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Marta Maciel

Graduada em Marketing, trabalha há dez anos na área comercial de shopping no segmento de varejo de moda. Acredita fortemente que o conhecimento e as soluções inovadoras serão válidos somente se compartilhados com todos.