Há muito, sabemos que o aprendizado não está centrado em bancos escolares e círculos acadêmicos. O aprender e o ensinar se revezam nos mais diversos lugares, seja nas bibliotecas, nas feiras livres, nas ocupações, nas praças e é claro, na praia.

Paulo Freire já dizia que a teoria sem a prática vira ‘verbalismo’ e, por sua vez, a prática sem teoria vira ativismo. Mas, quando se une a prática com a teoria chegamos à práxis, a ação criadora e modificadora da realidade.

Pela direta relação entre a teoria e a prática, tenho me interessado imensamente por histórias  que aconteçam em locais improváveis e de forma orgânica – e a praia tem se provado um excelente laboratório de cases de sucesso.

Não é injusto dizer que as funções de marketing estão cada vez mais cambiantes e que temos pouco tempo para absorver todas as demandas com novas abordagens. Essas ações precisam acontecer quase que concomitantemente com o aprendizado e moldar-se às novas necessidades dos consumidores é um desafio e tanto.

Recentemente, em um dia de sol digno de cinema, tive a oportunidade de presenciar conceitos virarem práticas simples e significativas. A lição daquele dia ficou por conta da caracterização da ótica de representatividade em vendas.

O conceito de representatividade no mundo do marketing tem dividido opiniões, e por sua relativa abstração, não é raro que a discussão penda para os embates político-sociais.

Tendo como pano de fundo um dos cartões mais bonitos do mundo, o Morro Dois Irmãos, no Rio de Janeiro, notei que, devido à fluidez na adoção de comportamentos, tendências, práticas individuais e coletivas que acercam o ambiente, a representatividade se evidencia como diferencial nas relações de compra e venda. Afinal, como vender seus produtos ou serviços para consumidores tão diversos e que talvez só estejam ali de passagem? A resposta é básica e simples: estar na identificação do consumidor com o que está sendo vendido. Em outras palavras, o consumidor acaba por se enxergar no produto ou serviço e sente-se representado pela marca.

Fiquei algumas horas observando os vendedores de roupas de banho, reparei que eles tem por estratégia manter por perto amigos e clientes mais próximos, e que quase todos usam produtos semelhantes aos produtos expostos nas araras. O cuidado em ter representantes dos mais diversos perfis, no campo de visão do consumidor, oportuniza a identificação e ressalta a diversidade, o que muitas vezes significa a conversão do interesse em venda.

Ora, se dentre as premissas das ações de marketing estão atrair e transformar os não consumidores em consumidores com estratégias persuasivas, temos aí a maneira mais simples de entender a relação entre conhecer seus consumidores em potencial e fazê-los sentir representados pelas marcas.

A lição que fica é que a observação é essencial para se acolher a representatividade e para que não se incorra no erro comum de uniformização excessiva.

Um viva aos grandes empreendedores da areia e suas maravilhosas lições de vendas!

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Giselle Santos

Coordenadora Acadêmica at Cultura Inglesa - RJ/DF/GO/RS
Formada em Marketing, pós-graduanda em Gestão Estratégica de Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual. Atua como Coordenadora Acadêmica na Cultura Inglesa RJ/DF/GO/RS e é membro do Painel de Especialistas em Inovação do Horizon Report K12 2014. Geek assumida,curiosa por natureza e investigadora de tendências e tecnologias disruptivas. Acredita que para ser feliz é preciso hackear a vida e não se acomodar! Mãe e avó de cachorro e inventora aos finais de semana.