A propaganda é a última que morre: tendências e apostas para 2016  

A propaganda é a última que morre: tendências e apostas para 2016  

“A Propaganda morreu”. Ela começou assim, uma conceituada professora holandesa, numa pomposa mesa de congresso.

Eu, em pulgas, numa das mais de 100 cadeiras da plateia, entrei em negação, bloqueei a recepção das próximas frases para responder mentalmente: duvide-o-dó, há a febre do digital, há a aberturas que as app trouxeram, se eu abrir meu celular agora vai pular uma propaganda em mim… e agora vem uma senhora catedrática dizer que a minha queridinha bateu as botas?

Quando consegui voltar a me concentrar nas palavras da senhora, percebi que se tratava de um assunto muito debatido naquela altura para esses lados do oceano: “The Fall of Advertising And The Rise of PR“, livro dos gurus de Marketing Al Ries e Laura Ries.

Apesar do título “alarmante” (eu perdoo, os títulos precisam chamar atenção, não é?), o que o livro realmente traz é uma compilação de casos em que o trabalho de Relações Públicas e de Assessoria de Imprensa substituem o investimento em propaganda.

Em propaganda convencional, não é, cara pálida? Aquela lá da Promoção do P do Kotler.

Eu entendo quando as marcas preferem fazer uma ação diferente do que uma propaganda estática ou encarar os preços da televisão. Mas quem disse que a propaganda não evoluiu? A propaganda reinventou-se. Propaganda não é apenas fazer um flyer, pôr um outdoor, ou produzir um spot para o rádio.

A propaganda é mais do que a alma do negócio. Quer ver?

Você faz propaganda quando fala do seu produto informalmente. Você assiste a propaganda quando vê o lançamento de um produto em um vídeo compartilhado. O seu consumidor faz propaganda quando recomenda a sua marca para o vizinho. A propaganda existe desde que as antigas civilizações do Mediterrâneo fabricavam utensílios com símbolos que indicavam a sua procedência, fossem impressão digital ou desenhos como peixe, estrela, cruz. No dia em que não houver mais propaganda, morre o produto.

Não há nenhum profissional desta área que dirá que uma propaganda sozinha faz o verão. Há décadas fala-se em Comunicação Integrada, 360º, planos que envolvem publicidade com outras ferramentas e eventos que ajudam a divulgar os produtos, a posicionar as marcas e a ganhar um espaço no coração do consumidor. Ou seja, variadas ferramentas de comunicação ajudam, desde que pensadas estrategicamente e de acordo com as necessidades e expectativas do público.

E assim será preciso continuar para sobreviver em um mercado super competitivo: delimitar uma estratégia para utilizar todos os meios inteligentes para chegar ao seu público.

Compilamos algumas apostas para a área:

– Streaming: a era do instantâneo e da geração Youtube obriga que as propagandas consigam prender a atenção ao contar uma história cativante e atemporal.

– Identificação com lifestyle: cada vez mais, as propagandas transmitem a personalidade das marcas, o que leva a criar empatia e marcar a diferença na hora que o público tem que escolher produtos tão similares no mercado.

– Novos porta-vozes das marcas: os antigos “anúncios depoimentos” agora não são mais personificados por artistas das novelas, mas por bloggers, twitters e pessoas influenciadoras de opinião, que são capazes de ter milhões (literalmente) de seguidores. Outra possibilidade é pôr o próprio cliente como estrela, com seus depoimentos reais.

– Propaganda Sensorial: menos descrição, mais sentimentos, é preciso que o conteúdo apele para a área sensorial e produza emoções. Neste campo, não é preciso se ater aos anúncios publicitários, muitas lojas prezam pelo som e pelo perfume dos seus espaços, para criar uma experiência prazerosa.

Outras apostas, mais especificamente para a área digital:

– Produção de conteúdo relevante: existe uma grande diferença entre produzir algum conteúdo e produzir um conteúdo adaptado ao público, para além de saber publicar na hora certa (dia e hora). Para isso, vale a pena se aprofundar sobre o uso de analytics e big data, para que o investimento seja certeiro.

– Estratégias SEO e Anúncios online: Meta Tags, Friendly URL, Google AdWords, Remarketing, Facebook Ads, Carrossel, COM (Custos por impressões online), CTR (taxa de click), se essas palavras não lhe soam familiar, a dica é: contrate um profissional para não perder dinheiro ao anunciar de qualquer maneira.

– Medir resultados: ferramentas métricas permitem que sejam visualizadas as fontes de tráfego, bem como o tempo de permanência, as taxas de rejeição, a área geográfica de influência, e ainda, as conexões e as redes de relacionamentos dos perfis dos clientes. Mais do que visualizar essas informações, é necessário saber interpretar os dados e tentar otimizar os processos estratégicos a partir dessas informações.

 – Engajamento: entender como o público online interage com a marca é importante para saber o que eles procuram e com qual motivação. Mais uma vez, as métricas ajudam, como por exemplo, ao analisar a presença dos visitantes e o feedback de forma quantitativa (quantas vezes) e qualitativa (o tom das opiniões, que expressam sentimentos).

 – Facebook: falar de gestão de Facebook em poucas linhas pode ser limitador, está mais do que provado que gerir este canal não é apenas ter um espaço para solicitar Likes. É publicar conteúdo atrativo, saber compartilhar assuntos interessantes e responder rapidamente o público, seja no espaço público ou privado. Sem falar nas possibilidades publicitárias…

 – Atenção às novas redes sociais: caso o público-alvo esteja lá, é lá que você também deve estar. De Snapchat, Instagram, Pinterest ao mais “formal” Linked In. Marque presença, mas que seja com tempo para se dedicar a ter conteúdo interessante e a interagir com o público, caso contrário, só será lembrado pela sua ausência.

– Cuidado para não ser chato: receber insistentes newsletters pode se traduzir no efeito contrário, fazer o consumidor pegar “bode” da marca.

 Estão são apenas algumas das tendências para a área. Lembra de mais alguma? Deixe a sua opinião.


 

Renata de Freitas

É publicitária de Floripa, mas vive há mais de 10 anos em Portugal, onde trabalha com Marketing Empresarial, fez PhD em Comunicação Estratégica e participa de grupos de investigação da área. É apaixonada por Branding, por assuntos criativos e por lugares inspiradores.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *