“A Propaganda morreu”. Ela começou assim, uma conceituada professora holandesa, numa pomposa mesa de congresso.

Eu, em pulgas, numa das mais de 100 cadeiras da plateia, entrei em negação, bloqueei a recepção das próximas frases para responder mentalmente: duvide-o-dó, há a febre do digital, há a aberturas que as app trouxeram, se eu abrir meu celular agora vai pular uma propaganda em mim… e agora vem uma senhora catedrática dizer que a minha queridinha bateu as botas?

Quando consegui voltar a me concentrar nas palavras da senhora, percebi que se tratava de um assunto muito debatido naquela altura para esses lados do oceano: “The Fall of Advertising And The Rise of PR“, livro dos gurus de Marketing Al Ries e Laura Ries.

Apesar do título “alarmante” (eu perdoo, os títulos precisam chamar atenção, não é?), o que o livro realmente traz é uma compilação de casos em que o trabalho de Relações Públicas e de Assessoria de Imprensa substituem o investimento em propaganda.

Em propaganda convencional, não é, cara pálida? Aquela lá da Promoção do P do Kotler.

Eu entendo quando as marcas preferem fazer uma ação diferente do que uma propaganda estática ou encarar os preços da televisão. Mas quem disse que a propaganda não evoluiu? A propaganda reinventou-se. Propaganda não é apenas fazer um flyer, pôr um outdoor, ou produzir um spot para o rádio.

A propaganda é mais do que a alma do negócio. Quer ver?

Você faz propaganda quando fala do seu produto informalmente. Você assiste a propaganda quando vê o lançamento de um produto em um vídeo compartilhado. O seu consumidor faz propaganda quando recomenda a sua marca para o vizinho. A propaganda existe desde que as antigas civilizações do Mediterrâneo fabricavam utensílios com símbolos que indicavam a sua procedência, fossem impressão digital ou desenhos como peixe, estrela, cruz. No dia em que não houver mais propaganda, morre o produto.

Não há nenhum profissional desta área que dirá que uma propaganda sozinha faz o verão. Há décadas fala-se em Comunicação Integrada, 360º, planos que envolvem publicidade com outras ferramentas e eventos que ajudam a divulgar os produtos, a posicionar as marcas e a ganhar um espaço no coração do consumidor. Ou seja, variadas ferramentas de comunicação ajudam, desde que pensadas estrategicamente e de acordo com as necessidades e expectativas do público.

E assim será preciso continuar para sobreviver em um mercado super competitivo: delimitar uma estratégia para utilizar todos os meios inteligentes para chegar ao seu público.

Compilamos algumas apostas para a área:

– Streaming: a era do instantâneo e da geração Youtube obriga que as propagandas consigam prender a atenção ao contar uma história cativante e atemporal.

– Identificação com lifestyle: cada vez mais, as propagandas transmitem a personalidade das marcas, o que leva a criar empatia e marcar a diferença na hora que o público tem que escolher produtos tão similares no mercado.

– Novos porta-vozes das marcas: os antigos “anúncios depoimentos” agora não são mais personificados por artistas das novelas, mas por bloggers, twitters e pessoas influenciadoras de opinião, que são capazes de ter milhões (literalmente) de seguidores. Outra possibilidade é pôr o próprio cliente como estrela, com seus depoimentos reais.

– Propaganda Sensorial: menos descrição, mais sentimentos, é preciso que o conteúdo apele para a área sensorial e produza emoções. Neste campo, não é preciso se ater aos anúncios publicitários, muitas lojas prezam pelo som e pelo perfume dos seus espaços, para criar uma experiência prazerosa.

Outras apostas, mais especificamente para a área digital:

– Produção de conteúdo relevante: existe uma grande diferença entre produzir algum conteúdo e produzir um conteúdo adaptado ao público, para além de saber publicar na hora certa (dia e hora). Para isso, vale a pena se aprofundar sobre o uso de analytics e big data, para que o investimento seja certeiro.

– Estratégias SEO e Anúncios online: Meta Tags, Friendly URL, Google AdWords, Remarketing, Facebook Ads, Carrossel, COM (Custos por impressões online), CTR (taxa de click), se essas palavras não lhe soam familiar, a dica é: contrate um profissional para não perder dinheiro ao anunciar de qualquer maneira.

– Medir resultados: ferramentas métricas permitem que sejam visualizadas as fontes de tráfego, bem como o tempo de permanência, as taxas de rejeição, a área geográfica de influência, e ainda, as conexões e as redes de relacionamentos dos perfis dos clientes. Mais do que visualizar essas informações, é necessário saber interpretar os dados e tentar otimizar os processos estratégicos a partir dessas informações.

 – Engajamento: entender como o público online interage com a marca é importante para saber o que eles procuram e com qual motivação. Mais uma vez, as métricas ajudam, como por exemplo, ao analisar a presença dos visitantes e o feedback de forma quantitativa (quantas vezes) e qualitativa (o tom das opiniões, que expressam sentimentos).

 – Facebook: falar de gestão de Facebook em poucas linhas pode ser limitador, está mais do que provado que gerir este canal não é apenas ter um espaço para solicitar Likes. É publicar conteúdo atrativo, saber compartilhar assuntos interessantes e responder rapidamente o público, seja no espaço público ou privado. Sem falar nas possibilidades publicitárias…

 – Atenção às novas redes sociais: caso o público-alvo esteja lá, é lá que você também deve estar. De Snapchat, Instagram, Pinterest ao mais “formal” Linked In. Marque presença, mas que seja com tempo para se dedicar a ter conteúdo interessante e a interagir com o público, caso contrário, só será lembrado pela sua ausência.

– Cuidado para não ser chato: receber insistentes newsletters pode se traduzir no efeito contrário, fazer o consumidor pegar “bode” da marca.

 Estão são apenas algumas das tendências para a área. Lembra de mais alguma? Deixe a sua opinião.


 

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Renata de Freitas

É publicitária de Floripa, mas vive há mais de 10 anos em Portugal, onde trabalha com Marketing Empresarial, fez PhD em Comunicação Estratégica e participa de grupos de investigação da área. É apaixonada por Branding, por assuntos criativos e por lugares inspiradores.