Esse fato já está consumado no país. Alguém discorda? Quando falamos da instituição governo, podemos citar crise política, econômica, na saúde, na educação e por aí vai. As coisas não vão bem. E os vários segmentos da sociedade já se deram conta disso, vide as manifestações diversificadas, ora a favor do governo, ora contra. E a solução parece estar bem próxima de uma reforma geral, de partidos, de economia, de saúde, de educação e, quem sabe, em parte, da constituição.

Mas, não estou aqui para falar sobre política. Uso ela como pano de fundo para refletir sobre a crise que assola as empresas. E a maioria delas não tem percebido isso, se prejudicando e sofrendo revezes mercadológicos a cada dia.

Já estou cansado de ouvir empresários que só reclamam do Alckmin, da Dilma, do calor, do frio, da economia, do consumidor, mas que não “levantam a bunda da cadeira” para fazer diferente. É uma visão extremamente ultrapassada dizer que as coisas não vão bem por culpa de terceiros. É fácil colocar a culpa no outro para justificar os próprios atos falhos, ultrapassados ou tradicionais. O mundo mudou. Querendo ou não, o país está mudando. E as empresas têm continuado a praticar a mesmice de 5, 10, 20 ou 30 anos atrás.

A grande verdade é que sofrem uma bela crise de identidade, que causa medo e atitudes defensivas por não enxergarem onde está o real problema: dentro de si. Preocupam-se com a tecnologia, com os aplicativos, com o Uber, com o Nubank, com os bancos, com os gênios, ao invés de se preocuparem em como fazer o mesmo (que sempre fizeram ou seguindo essas referências), só que diferente.

Ao passo que é comum ouvir empresários reclamarem, me entusiasmo ao ver quantas boas ideias saem do papel, tornam-se empresas, que viram referências. Além disso, também vejo uma crescente de empresários que, a todo custo, têm tentado reverter o cenário especulativo pessimista. Ainda assim, infelizmente, não são maioria.

Frente às especulações no cenário político, as empresas precisam acreditar que uma mudança no governo ou na economia não necessariamente será a salvação delas. Precisam acreditar que a maior mudança começa dentro delas. Sim, elas precisam mudar, se reinventar, se redescobrir, para, nesse período, sobreviverem e voltarem a crescer.

Não, isso não é uma fórmula mágica, mas algumas conclusões que tirei a partir de resumos e compilações de alguns breves estudos de empresas que têm despontado. É notável que respiram ares especulativos diferentes. Estão de olho no progresso. Não estão observando o que os seus concorrentes estão fazendo ou deixando de fazer, mas estão olhando para dentro de si, buscando ajuda, trabalhando diuturnamente para encontrar alternativas para otimizar recursos, melhorar performances e atender com cada vez mais sensibilidade os seus públicos de interesse.

É difícil agir desta forma?

Acompanhar os movimentos dos seus públicos de interesse, estudar a efemeridade do mercado, criar tendências, remodelar o negócio ou as propostas comerciais, planejar antes de agir, orientar-se pelos gostos, desejos e interesses dos seus públicos, seguramente, podem fazer as empresas voltarem a evoluir.

A mudança está nas mãos de cada empresa, e não do governo. E desejo profundamente que esse sentimento contamine cada vez mais empresários, para, daqui um tempo, eu cansar de ouvir que a crise nunca existiu.

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Isaac Zetune

Isaac Ramiris Zetune é jornalista, pós-graduado em marketing político e especializado em branded content. É sócio-diretor da Agência Insane e fundador da plataforma EMPREENDA.SE. (isaac@sejainsane.com.br)