Sugestão de trilha sonora: https://www.youtube.com/watch?v=YQHsXMglC9A

Cenário: Três da manhã e chega uma mensagem na minha caixa de e-mail: Giselle, eu escolho você!

A estratégia de usar a primeira pessoa como gatilho mental não é uma novidade, mas parece ganhar mais relevância, principalmente com a adição de referências meméticas e a personificação das marcas. O uso da primeira pessoa cria ares de intimidade e pertencimento, seu tom quase confessional busca atrair a atenção de consumidores de forma diferenciada. Na maior parte do tempo, empresas que se valem desse tipo de aproximação conhecem bem o seu público e tem um bom índice de conversão de vendas e interações positivas. No entanto, fica a pergunta: a perspectiva de primeira pessoa é para todo tipo de público?

Fatos apontam que ações em primeira pessoa atingem crianças e adolescentes de forma mais vantajosa. Esses dois tipos de público tem preferências por relacionamentos mais horizontais e menos hierárquicos e tendem a valorizar a espontaneidade e autenticidade que o uso da primeira pessoa oferece. Além disso, a sensação de similitude estabelece e fortalece a conexão entre o cliente e a marca.

Marcas como Netshoes, Facebook, Cartoon Network, Twitter, 99 Taxis e Deezer perceberam que o estilo de vida do seu público mais jovem acolhe bem o dialógo one-to-one e “conversam” com seus clientes de forma notadamente fluida.

Quem acompanha o mercado publicitário já não se espanta com ações como: “olha só o meu Snap” ou “te espero no whatsapp” vindo de marcas antes consideradas mais tradicionais, como algumas escolas de idiomas. Os diálogos que se desenrolam nas redes se assemelham aos corriqueiros papos com amigos e não é incomum que a marca se torne mais um “colega” na sua lista de contatos sociais.

Vale pontuar: quanto mais próximo da marca seu cliente estiver, mais perto ele estará de falar a favor da empresa. No processo de construção da relação com a marca, o uso da primeira pessoa encurta caminhos importantes e reduz o ruído na comunicação.

E quando a intimidade incomoda? O público adulto é um pouco mais resistente ao uso da primeira pessoa durante a interação. A proximidade e insistência de contato pode remetê-los a spams, e-mails não solicitados, e aos programas de afiliados. Os adultos valorizam a informação, mas se ressentem do excesso de informalidade. Sendo assim, esse público muitas vezes prefere buscar a informação de forma mais autônoma e assíncrona, sem sentir-se pressionado pelo “tempo” da marca.

Concluindo, a perspectiva de primeira pessoa na interação com clientes só vale a pena se a marca tiver amplo conhecimento de seu público. Hábitos, interesses, últimos passos, tudo isso é essencial para que a interação flua mais organicamente. Sendo assim, da próxima vez que pensar em contactar seu cliente no melhor estilo Adele, tenha a plena certeza de que a linha de comunicação não está ocupada por outra estratégia.

Em tempo, não abri meu e-mail às três da manhã. Para falar a verdade, não abri antes de apagar. Prefiro escolher a ser escolhida em algumas situações. E você?

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Giselle Santos

Coordenadora Acadêmica at Cultura Inglesa - RJ/DF/GO/RS
Formada em Marketing, pós-graduanda em Gestão Estratégica de Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual. Atua como Coordenadora Acadêmica na Cultura Inglesa RJ/DF/GO/RS e é membro do Painel de Especialistas em Inovação do Horizon Report K12 2014. Geek assumida,curiosa por natureza e investigadora de tendências e tecnologias disruptivas. Acredita que para ser feliz é preciso hackear a vida e não se acomodar! Mãe e avó de cachorro e inventora aos finais de semana.