Esse não é só mais um Ctrl+C e Ctrl+V de todos os demais posts sobre tendências de Marketing que você tem lido por aí. Ele é totalmente baseado em minhas próprias experiências e observações do mercado. Aliás, a própria pesquisa que fiz para esse texto me forneceu grandes insights sobre tendências de Marketing. Mas, calma, vou contar essa história do início:

Com tantas coisas novas que vivenciei esse ano na área de Marketing, e com tanto conteúdo bom que tem surgido, pensei que poderia escrever um post falando sobre as principais tendências de Marketing para 2016. Então, levantei alguns pontos que gostaria de abordar, mas também achei importante fazer uma pesquisa e ver o que já escreveram sobre esse assunto. Ao realizar essa pesquisa, percebi alguns fatores em comum e também vi algumas práticas desagradáveis e desalinhadas com o contexto atual do mercado.

A partir dessa experiência, pude definir três pontos importantes que mostram, ao mesmo tempo, o que deve ser evitado e quais são as tendências que devem ser seguidas em 2016 na área de Marketing. São elas:

1) ​Menos é mais

Ao explorar algumas páginas, fiquei chocada com a quantidade de empresas que ainda utilizam estratégias tão agressivas para aumentar seus leads, seguindo a lógica de conseguir mais clientes “pelo bem ou pelo mal”. Por que esse desespero? Um dos exemplos (entre vários), foi o que aconteceu em três segundos depois de entrar no site da HubSpot: um pop­up se abriu na minha cara! Se você achou isso o máximo, é melhor rever seus conceitos.

Assim como na vida, em uma conversa de amigos, sempre tem aquele chato que não espera você terminar de falar (às vezes, nem começar) e interrompe sua linha pensamento, não é mesmo? Se analisarmos por esse ângulo, podemos comparar essa situação com as propagandas na televisão, pois, de certa forma, também interrompem um momento que está sendo vivenciado pelo expectador. A única diferença é que, com a TV, não há interação, apenas recepção da informação. Não é por acaso que a maioria das pessoas gastam o dobro de tempo na internet do que na televisão, pois, enquanto na TV as pessoas têm sido apenas coadjuvantes, na internet elas passam a ser participantes com voz ativa sobre o que querem ver, ouvir e até mesmo falar.

Mas por que estou falando de tudo isso? Pelo fato de que cada vez mais o consumidor está mudando e cada vez menos vejo empresas adaptarem-se a essas transformações.

Por exemplo: pergunto-me por que ainda existem tantos (tenho certeza que, se contarmos, serão milhares) de sites que utilizam pop­ups que aparecem inesperadamente interrompendo nosso momento de leitura, pedindo atenção para uma outra página ou para preenchermos um formulário? Este sempre foi um assunto polêmico e que se contradiz entre alguns especialistas. Mas fiquei extremamente feliz quando presenciei ao vivo Will Reynolds no palco do RD Summit 2015, afirmando o quanto esses tipos de estratégias são ineficazes e devem acabar.

Mesmo que o site seja um espaço da empresa, entende-­se que o desejo dela é conquistar o seu público, certo? Sendo assim, saiba que, com certeza, ser interrompido sem ser avisado, não é o que o seu público espera. Pode acreditar! Will Reynolds comentou também sobre o provável fato de que as análises de aplicação dessas estratégias de pop­ups estejam sendo feitas de forma um tanto tendenciosas… Sobre isso, posso imaginar o que acontece. Com um pouco do que já vi nesse mercado, sei que se você é um profissional de Marketing, é bem provável que o seu diretor cobrará uma meta superagressiva, baseada em quantidades e, muitas vezes, erroneamente relacionada ao aumento da taxa de leads no site. Então, o que você faz para provar que está conseguindo isso? Você tem uma meta e precisa chegar logo nesse resultado. Tem aí duas opções:

a. ( ) Cria estratégias agressivas e de rápido resultado (como pop­ups)

b. (x) Demonstra ao diretor que o resultado está mais atrelado às oportunidades qualificadas e à preparação da pré­-vendas com a finalização do processo como um todo.

Se você optar pelo caminho mais rápido, a opção “a”, isso poderá refletir de forma negativa para sua marca nos seguintes aspectos:

1. O usuário preenche o campo por obrigação

2. O usuário acha o site não amigável

3. Mais usuários desistem da página, aumentando a taxa de rejeição

4. Vai prejudicar o SEO

5. Vai atrapalhar a qualificação de leads, devido à grande quantidade para filtragem

6. Será necessário maior investimento para controle

Sinceramente, alguém ainda acredita nessa tática de transformar de forma forçada um visitante em lead? Uma única visita ao site – e a experiência que isso proporciona – pode ser um fator decisivo para que o cliente escolha ou não fazer negócios e se relacionar com sua marca.

Então, qual é a impressão que sua empresa quer deixar em 2016? A de uma empresa que usa técnicas de Marketing dos anos 90 ou de uma marca que está efetivamente alinhada ao perfil do seu mercado e ao seu público?

2. Um amigo verdadeiro é a maior riqueza do mundo

Esta segunda tendência tem muita relação com a primeira, pois não basta ter um site com ambiente amigável e favorável para uma boa experiência do visitante, se sua marca não tiver afinidade com o público. Quando estava pesquisando, lembrei das experiências que mais me marcaram positivamente esse ano, aquelas com as quais eu me identifiquei, pude interagir, vivenciar e trocar ideias com pessoas que representavam as marcas que eu buscava. Cheguei à conclusão de que, mais que um site com boa navegação (sem interrupções), é preciso também ter um ambiente onde você possa relacionar-se, fazer perguntas e, o mais importante, é claro, ser respondido (in time)!

Atendimento amigo

Em algumas situações, a conexão que ocorre entre marcas e seus públicos são realmente poderosas e, quanto mais natural esse processo acontecer (como em uma amizade), mais forte esse laço entre consumidor e empresa será. Um exemplo é o caso que vivenciei em dois sites com atendimento via chat online. Em um deles, no primeiro contato, fui atendida por uma pessoa muito simpática e com uma fala muito respeitosa. Mas, no outro dia, ao falar com ela novamente, percebi que era uma metodologia automática, um padrão. Aquela marca não conseguiu criar uma conexão comigo, a pessoa do atendimento jamais viraria um amigo, simplesmente porque ele não passava de um atendente de perguntas e respostas seguindo um processo automático. Já em outro portal, a cada dia recebia uma mensagem diferente, de forma muito mais natural e de acordo com cada necessidade que eu apresentava. Eu podia saber quem era a pessoa, como era o seu rosto, seu nome, ou seja, tudo era real. E claro, até hoje lembro a marca da empresa, o atendimento, e, o melhor, sou fiel a eles.

Há diversas formas de criar um laço de amizade entre sua marca e seu público, mas o atendimento precisa, mais do que nunca, ter uma atenção especial. É importante que, no contato com o consumidor, seu posicionamento como marca seja mais humano, ou melhor, que represente um grande amigo.

Vale lembrar também que, mantendo os clientes bem perto da sua marca, a busca por novos leads e clientes não precisa ser tão intensa ou desenfreada, o que reduz, assim, o investimento de Marketing nesse patamar.

Conteúdo X Relacionamento

Perceba a grande quantidade de conteúdos que encontrei com o mesmo tema que eu estava procurando.

google

Com o boom de produção de conteúdos no mercado, em algum momento, haverá uma saturação e a exigência por qualidade e melhor experiência por parte do consumidor será ainda maior (aliás, isso já está acontecendo). Então, a sugestão que dou é que, apesar de as empresas ainda precisarem dar atenção à geração de novos leads por meio do conteúdo, elas devem estar especialmente mais preocupadas com o atendimento ao seu cliente. Por que não participar da vida do usuário e perguntar o que ele quer? Ouvir e conversar quando ele pedir? Personalizar o atendimento? Se você ainda pergunta o que ganha com isso, eu respondo: um amigo!

Amigos são para sempre – pelo menos é o que dizem sobre amizades verdadeiras. Mas uma marca estática e inacessível no mundo, será sempre apenas mais uma marca. Já uma rica experiência, uma vez vivida, ficará gravada para sempre e será lembrada nos melhores momentos. E o melhor de tudo isso é que esse é um tipo de relacionamento que se constrói com o tempo, com baixo custo e é muito mais sustentável, como realmente funciona em uma amizade – não se compra e não tem preço. E é aí que seu produto ou serviço ganha um valor imensurável, atrelado à experiência que ele proporciona e não ao custo que ele tem para você. Quando você conquista uma amizade, não importa o preço da passagem, seu amigo/cliente fará qualquer coisa para encontrar com você/sua marca novamente.

E aí, já parou para pensar se sua marca tem muitos amigos ou apenas conhecidos?

3. ​“Ninguém nunca terá sucesso sem ajudar aos outros.” — Jay Abraham

Por mais que tenhamos avançado em Marketing e Kotler tenha falado por muitos anos que “Marketing não é encontrar maneiras de empurrar produtos para seus clientes”, ainda encontramos itens sendo vendidos de formas nada atrativas ou, pior, produtos e serviços que não precisariam existir e sendo insistentemente colocados em nossa frente, seja por meio das mídias tradicionais ou até mesmo pela internet.

Oferecer ajuda não é incomodar

Alguns sites em que pesquisei utilizaram remarketing para me alcançar, aquela propaganda que fica seguindo você depois que passou por determinada página. Sei da importância e da inteligência dessa ferramenta, mas é preciso muita cautela e cuidado ao criar uma campanha desse tipo. Tenho notado imensa falta de conhecimento por parte dos profissionais que estão implantando essa técnica, impactando pessoas através da leitura de suas navegações, sem fazer o devido cruzamento entre leitura de conteúdo e pedidos de produtos ou etapa de compra etc.

Fazer remarketing exige um alto nível de preparo da marca e, observando o que se faz atualmente, eu diria que menos de 10% das empresas estão aproveitando essa ferramenta de forma efetiva. Além de ter um alto custo, é preciso entender que existe uma linha tênue entre ser útil e estar incomodando um visitante, podendo facilmente denegrir sua imagem com o público, assim como acontece com outras táticas de captação de leads desse tipo.

Ajudar é estar em destaque – para o seu cliente

Continuando na minha busca no Google por um conteúdo de qualidade sobre tendências de Marketing, percebi que textos mais úteis estavam em páginas mais distantes e, os menos úteis, ao contrário. Os motivos para esses conteúdos não tão bons estarem entre os primeiros podem ser vários – o que não necessariamente quer dizer que eles são os melhores. É comum encontrarmos sites com conteúdos de péssima qualidade na primeira página do Google. Por isso, nunca utilize esse tipo de fator para tomar suas decisões. Para obter sucesso, você não precisa necessariamente estar na primeira página, ou ter o maior número de leads ou, ainda, ser a marca com mais seguidores nas redes sociais.

Essas podem ser formas de chegar onde você quer, mas sua marca nunca deve ter isso como o principal foco. A sua busca deve ser: identificar como ajudar seu público e, a partir disso, oferecer alguma inovação que satisfaça essas pessoas. Mas, claro, isso é um processo mais demorado, mais difícil e resulta em um crescimento que pode levar de dois a três anos para surtir algum lucro efetivo. Haja paciência, não é mesmo? Sim, é preciso de paciência no mundo dos negócios também, além de fazer algo que realmente seja necessário e ajude alguém. Os tempos mudaram e é preciso encarar isso. Mas a vida é feita de escolhas e, se você preferir, pode criar um produto que não faça tão bem às pessoas, mas que lhe faça milionário, como o McDonald’s, por exemplo, responsável por boa parte do aumento da obesidade no mundo.

Para finalizar esses três pontos levantados, deixo duas perguntas para que você reflita como irá ser a atuação de sua empresa em 2016:

> O que realmente significa sucesso pra você?

> O que você quer deixar como marca, para que o mundo lembre de você?

gabiEsse artigo foi escrito por Gabi Gonçalo. Gabi é especialista em gestão de marketing com mais de 10 anos de experiência. Formada na área de Comunicação e com MBA em Marketing, experiência em Startups e em projetos de marketing internacionais, envolvendo países como Estados Unidos, México e Portugal. Apaixonada por Neuromarketing e Marketing Sensorial, dedica-se à compreensão da física e da música e seus efeitos nas relações humanas e nos comportamentos sociais. Com isso, em breve, pretende lançar um livro com um novo conceito de Marketing para as empresas, baseando-se no conhecimento teórico aliado à sua experiência ao longo dos anos. Sua ideia é promover um Marketing que vá além do objetivo “compra e venda” e que efetivamente ajude as empresas a conectarem-se de forma real e consistente com seus públicos.

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