A suspensão do WhatsApp no Brasil surpreendeu e impactou o mundo todo. Não é fácil de ver algum país democrata ter uma ferramenta de utilidade pública sendo suspensa. De acordo com as grandes mídias, o motivo foi sigiloso e teve a ver com uma investigação policial.

Apesar dessa ação não ter vindo por partes das operadoras, é de senso comum que todas as grandes operadoras declaram abertamente uma guerra contra o WhatsApp. Com essa suspensão, mesmo que tenha outro motivo, o brasileiro teve um comportamento muito interessante que serve de exemplo para todas as marcas que reprimem as novas e inovadoras marcas, como Uber, Netflix e o próprio WhatsApp. O comportamento em relação a inovação.

A partir do momento que o WhatsApp foi bloqueado de fato, as operadoras certamente começaram a prestar muita atenção, pois a suspensão do WhatsApp e sua tecnologia que permite troca de mensagens e ligações gratuitas não agrada nem um pouco os planos financeiros das operadoras brasileiras, ainda mais em uma crise econômica.

A grande questão é que o comportamento do brasileiro com a suspensão se dividiu em: burlar a suspensão e entrar via VPN, esperar o fim da suspensão ou baixar outro aplicativo com a mesma tecnologia de mensagens gratuitas. Ninguém pensou em voltar no tempo, utilizar SMS e ficar refém das operadoras.

Vamos supor que as operadoras tivessem conseguido suspender o WhatsApp por tempo indeterminado. No pensamento delas, ao suspender o WhatsApp, suas respectivas fatias de mercado voltariam ao normal. Porém, a realidade mostrou outro lado.

Ninguém voltou a mandar SMS. E muitos que já não ligam mais, não voltaram a ligar. Esse comportamento está relacionado a dois fatores: tecnologia e cultura. Quando um avanço tecnológico se introjeta na cultura, temos de fato a inovação. Não tem como voltar no tempo. O mercado não voltará a ser como era antes, mudam-se as métricas e moldes de se fazer negócio. É necessário se adaptar e dialogar com o novo.

Não tem como competir com o avanço da tecnologia, ainda mais quando ela já está na cultura. Quando traz um benefício para a população. No caso, não temos mais a cultura de pagar por cada mensagem. Até porque, com a velocidade da internet, mandamos milhares de mensagens por dia.

A indústria fonográfica só conseguiu se reinventar quando desistiu de lutar contra a pirataria com moldes antigos, tentando fazer com que as pessoas voltassem a comprar discos. O que eles fizeram? Spotify, Apple Music e Netflix. Serviços de streaming com preços justos e boa qualidade. Dialogaram com a tecnologia e a cultura da época.

As marcas que insistem em lutar contra a evolução tecnológica com moldes antigos estão fadadas ao fracasso. Enquanto as operadoras não investirem em tecnologia, melhorarem o atendimento e entenderem o contexto temporal da sociedade, vão continuar anos luz atrás do WhatsApp. É uma questão de tecnologia, cultura e sociedade.

banner clique
The following two tabs change content below.

Gabriel Dias

Redator publicitário, colunista, estrategista e consultor de marcas. Enxerga o que tem de melhor nas pessoas. Acredita no poder das relações humanas, da empatia e do sorriso. Apaixonado por Branding e por dança de salão.