Vivemos em tempos intolerantes. E poderia mudar estar frase para: “vivemos o tempo da intolerância”. O que deveria aproximar, está repelindo. A internet, este mundo formidável, tem sido espaço para construções do descaso, preconceito e alienação. A experiência de um único usuário pode influenciar o comportamento de tantos outros – e que ele nem sequer os conhecem. Tornou-se um palco de lamentações e desespero por atenção. E então, percebemos as redes sociais como grandes divãs abertos. Já conversamos em alguns artigos sobre as plataformas serem bons laboratórios e este discurso permanece. É preciso tomar nota das observações e análises que obtemos todos os dias ao estudarmos cada caso.

Vou abordar este tema de duas formas: a expressão dentro do ambiente de trabalho e a expressão individual. Podemos nos identificar nas duas experiências.

No último artigo, foi ponderado a gestão e comportamento organizacional, e por isto, é importante agora atentarmos para a saúde organizacional. Aquilo que sentimos. Vivemos. Experimentamos dentro de um ambiente profissional, e que por vezes, este comportamento acaba ultrapassando limites nas redes sociais.

Meu colega, Marcos Holanda, em seu texto “vamos conversar sobre suas atitudes na internet”, ilustra os posicionamentos deste artigo. Vale a leitura.

Você já parou para pensar em sua saúde emocional? Esta pergunta está relacionada aos seus hábitos. Sua auto-estima precisa ser cultivada.  A (pré)ocupação pode – e deve – ser administrada. Lidar com o estresse é um aprendizado.

Certa vez, escrevi uma avaliação sobre o mal atendimento que recebi em um estabelecimento, no meu perfil pessoal do Facebook. Fiz o check-in do estabelecimento no post, e então um representante da empresa comentou minha publicação, com um tom equivocado e até agressivo. Ele não estava preocupado em me ouvir, mas me diminuir. Este posicionamento em nome da empresa, da marca que representava, não foi válido e sadio. Não houve atenção e ponderação, comigo, com ele próprio, com a marca.

Muitas empresas não desenvolvem a preocupação da sua saúde emocional. Sem este cuidado, pecam na elaboração e transmissão de estratégias de atendimento. Cometem equívocos em nome da marca. Mancham a marca. São as faltas de propósitos e desleixos com a comunicação.

Se formos para o universo pessoal, nos últimos meses, pessoas estão preocupadas em disseminar o ódio. Seja por uma empresa, em um meme, a situação política do país, a propaganda de tal marca ou post inocente do amigo. Não há mais empatia.

Quando você começa a ler os comentários dos posts de alguns canais de comunicação, sua vontade é desligar o computador/celular e não fazer mais parte de nenhuma rede social. Porque à primeira vista, estão todos se orgulhando do que é torpe, mal-intencionado e sem alicerce. Não há referência ou justificativa. Chame de liberdade de expressão, mas estes comentários traduzem o que é abuso. Caracterizam a ignorância. Em alguns casos, carência.

Onde está a relevância?

A cultura do “polemizar para crescer” é real. Esse crescimento errôneo e opressor às custas da liberdade. É uma cultura que confunde o que é liberdade (pauta para outro texto).

Não somos perfeitos e estamos longe de ser, mas o problema é que existem pessoas que acham que são, entende? Muitos discursos, poucas ações – positivas.

Está tudo bem em você defender seu argumento. Mas é feio defendê-lo com julgamentos e desrespeito. Não tente fundamentar sua revolta.

Parece repetitivo, mas não é. É como se as pessoas estivessem inercies, ou dormentes (você não sente isso?). Se não reavaliarmos, vira rotina. Falar (da falta) do amor não deveria ser cansativo. Muitos estão fadigados. É compreensível. Torna-se mais um motivo para você não levar seus medos e inseguranças pessoais para o ambiente de trabalho. Há uma relação próxima e perigosa neste comportamento, pois irá refletir de uma forma ou outra em seu rendimento. É um fato e todos sabemos disto.

Parafraseando Brecht, hoje é quase um delito falar das coisas que nos fazem bem.

Se você não consegue expressar o amor, e compreendê-lo em sua vida, como irá liderar uma equipe? Tudo está conectado sim. Tudo irá influenciar. O profissional de mídias redige um título de matéria/post agressivo e irônico sobre discriminação, por exemplo, e passa batido.

Trabalhe sua saúde emocional. Se importe com isto. Valorize isto. E descubra um mar de rosas diante de você. Descubra que existe um mundo belo e calmo para desbravar. Que existem ideias novas. Que existem fórmulas novas. Que existe a compreensão, o apreço, a admiração, o cuidado e a atenção. O feedback será positivo, o rendimento, superior. As escalas mais produtivas e sua mente, leve.

 

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Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa