A inovação pode ser incremental ou disruptiva, pode manter a empresa dentro de um mercado ou inseri-la em algo novo para garantir a perpetuidade da organização.

A inovação incremental não tem por hábito romper paradigmas, tão pouco agregar novas funcionalidades inexistentes em produtos, serviços ou processos. É normalmente a inclusão de algo novo ou melhorado sensivelmente, mas sem alterar as características básicas originais de algo. O impacto deste tipo de inovação é significativo para a empresa e permite uma vantagem de médio e longo prazo para a organização dentro do mercado que atua. Em outras palavras, é a melhoria contínua, aquela busca por soluções de problemas, oportunidades de melhoria e desafios, cujo objetivo final sempre está focado na eterna jornada pela perfeição de serviços, produtos e processos, para ter a qualidade otimizada e a satisfação de clientes e stakeholders cativada.

Quando um novo carro é lançado, sempre há algo novo. Faróis mais potente, motor mais econômico e com melhor performance, interior mais confortável e um design mais moderno, no entanto, as funções básicas do carro não foram alteradas. Ele ainda precisa de um motor, de faróis para iluminar a estrada a noite, bancos para o motorista e passageiros e transportar as pessoas para aonde desejam ir. Houveram melhorias contínuas, já que todo ano isso acontece em ciclo sem fim e as inovações que o veículo recebeu são incrementais e não romperam nenhum paradigma.

A inovação disruptiva vem para criar novos mercados e desestabilizar a concorrência, permite navegar por oceanos azuis. É geralmente algo simples e mais barato, além de atender um público e um mercado diferentes, talvez nunca pensados até aquele momento. A inovação disruptiva tem o objetivo de quebrar paradigmas.

Usemos a telefonia celular como exemplo. A TIM criou um plano em que as pessoas podem utilizar um aplicativo de comunicação multimídia, originalmente ligado ao consumo de dados de internet móvel, de forma ilimitada, mesmo com a sua franquia de dados usada em 100%. É algo estranho num primeiro momento, pensar que uma empresa cuja uma parte dos ganhos vem do consumo de dados de internet móvel, oferece um serviço no qual o usuário pode utilizar o um aplicativo que consome esses mesmos dados de maneira ilimitada. A sacada ficou na adesão de novos usuários da operadora, ganhando espaço no mercado sobre as concorrentes. Afinal, é muito comum pessoas usarem pacotes pré-pagos de operadoras de telefonia móvel, cuja quantidade de dados de internet disponível é limitada, porém a necessidade de se comunicar via mensagem instantânea beira o ilimitado. Esse usuário deixa de usar um plano pré-pago de uma outra operadora para adquirir o pacote da TIM, com um valor muito próximo do que ela já pagava e podendo utilizar o seu aplicativo de mensagens sem medo de ficar sem internet e de quebra, o consumo que seria gasto neste aplicativo pode ser usado em pesquisas no google ou em redes sociais.

É importante pensar que ambos os tipos de inovação devem existir dentro de uma organização, afinal uma empresa que só trabalha com inovação incremental, sempre melhorando processos, produtos e serviços continuamente, estará sempre navegando em um oceano vermelho, onde a competição é acirrada por um espaço no mercado, sem contar que terá dificuldades em acompanhar as evoluções que as concorrentes impuserem ao mercado. Já quem opta em apenas trabalhar com inovações disruptivas terá problemas de se manter, uma vez que não terá um produto já consolidado no mercado e que pague as contas todos os meses. Será sempre uma nova aposta, sem um resguardo para o caso de não vingar o novo produto ou serviço dentro do mercado.

O equilíbrio é a chave, a empresa deve ter produtos consolidados enquanto olha as oportunidades que o futuro lhe proporciona, afinal a inovação é como uma aventura e você sempre terá algo novo para contar.

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Marcelo Oliveira

Jornalista e entusiasta da Gestão do Conhecimento e Inovação. Focal Point de inovação na EMBRAER, coordenando atividades de captação de ideias e ministrando treinamentos de Inteligência Coletiva/Inovação Incremental e de introdução a ferramentas de captação de ideias, para fomentar a cultura de Inovação. Freelancer em comunicação e marketing na H2M Comunicação & Marketing. Acredita que a cultura da inovação abre portas, as quais podem mudar não só processos, produtos e serviços, mas principalmente a visão de mundo das pessoas!