Ela te envolve, em uma espécie de configuração, na virtude do saber e cultura de cada um. Está inteiramente voltada ao olhar. Ligada ao olhar. Processada no olhar.

As informações básicas a seguir serão úteis para você identificar as diferenças e idealizar seu ponto de vista. Algumas dicas podem, e devem ser usadas em ambas fotografias. Pegue um bloquinho e estruture-se!

Assim como não podemos pensar na publicidade como algo isolado, a fotografia business também caminha neste sentido, o de fazer parte de um panorama geral de comunicação.

É a captura, o instante, os conceitos já pré-definidos em nossa mente. A fotografia transmite a seriedade da marca. Ela te faz comprar ou jogar fora. Apagar ou guardar por anos alguma memória.

Memória. É o que nos une, e nos prende – no bom sentido. Talvez não. Mas prende. Quando conversamos sobre estar inserida na publicidade e jornalismo, existem algumas considerações para você compreender. A diferença entre as duas fotografias, em alguns instantes são sutis, outros bem reconhecidas.

A fotografia publicitária pretende, acima de tudo, divulgar um produto, uma existência comercial. O fotojornalismo quer, essencialmente, informar as pessoas. Por outro lado, os processos intrínsecos às duas também partem de princípios antagónicos, ou seja, na fotografia publicitária é tudo preparado ao pormenor. Existe um cuidado com as cores, enquadramento, cenário, locação, o ator publicitário, a luz e os reflexos. Já o fotojornalismo vive o instante, do acaso, da capacidade intuitiva do fotógrafo de capturar o momento marcante.

A fotografia publicitária é uma encomenda, e isto abrange áreas da propaganda, editorial, industrial, institucional e todas as que são utilizadas comercialmente, seja na mídia impressa, peças promocionais, perfis ou qualquer veículo que divulgue, de alguma forma, uma empresa ou produto. Na fotografia publicitária há, por norma, uma hiper definição de tudo o que aparece. A cores, por exemplo, são apuradas e trabalhadas ao máximo, para que consiga atingir a tonalidade pretendida, ou, em casos específicos, algumas marcas registram e frisam apenas uma cor (Coca-Cola).

No jornalismo, os princípios são outros, quando falado em tratamento. Como seu objetivo é informar o público, não é medido as condições do fazer. Mas vale ponderar que o profissional fotodocumentarista, por exemplo, possui um conceito diferente. Há neste caso uma prévia de condições, do que espera encontrar e quais acontecimentos registrar.  Existe um filtro.

 “ O fotojornalista capta uma cena cujo sentido intuiu, mas essa mesma cena pré-existe ao sentido. Por outro turno, o fotógrafo publicitário constrói uma cena à volta de um sentido, ou seja, neste caso, o sentido pré-existe à cena.” Georges Péninou

Você precisa pautar o assunto. A pauta tem como objetivo direcionar e facilitar o trabalho. É repleta de orientações editoriais que indicam qual será a abordagem do tema e qual é o “gancho” da matéria. Ela é flexível, podendo ser modificada a qualquer momento, dependendo de como ocorre a checagem das informações. A pauta é o briefing do jornalismo. Mas a pauta também é o briefing de qualquer um que pretende organizar seus textos, trabalhos etc. Não e só um mérito jornalístico.

Defina o público-alvo.

Defina o produto que será o objeto de estudo.

Elabore uma estratégia de comunicação.

Esteja consciente da verba disposta para a realização da produção. (Considere também os gastos com pré e pós-produção).

Foque em fidelização.

Para ambas, dedique um tempo às burocracias. Organize por escrito as devidas autorizações, protocolos, orçamentos e funções de cada integrante da equipe, a fim de proteger os interesses de ambos os lados.

Roland Barthes, nomeado autor francês, em sua obra “A Câmara Clara”, considera que uma fotografia é sempre invisível, já que não é ela que nós vemos, mas sim o que foi fotografado. Ele pondera alguns conceitos interessantes e, por aqui, vou pincela-los para que você possa pesquisar com mais vigor posteriormente. Ele expõe o papel de cada um: o operator (o fotógrafo), o spectator (o público) e o spectrum (o referente fotografado) da fotografia. O studium caracteriza-se como uma espécie de configuração, do que envolve, que cada pessoa reconhece facilmente na fotografia em virtude do seu saber e da cultura.

É devido ao studium que as pessoas podem sentir um interesse geral por determinadas fotografias, numa reação em que está implícita uma cultura moral e política. A base do studium é o senso comum, o interesse humano, que suscita o interesse geral e vago. Em contrapartida, há o punctum, exercendo um efeito mais forte. O punctum não está relacionado com as intenções do operator no momento em que este fotografa alguma coisa. Ele em uma fotografia é uma particularidade, um detalhe. É variável de pessoa para pessoa. Barthes reforça que o punctum não tem nada a ver com o efeito surpresa.

De acordo com ele, a fotografia pode ser perigosa, quando atribuídas à algumas funções, como informar, representar, dar significado e provocar desejo, que, para o fotógrafo, são álibis. Então, o studium é a conjuntura da mensagem, aquilo que a torna relevante enquanto fotografia e que, necessariamente, caracteriza a sua existência.

“Aquilo que a Fotografia reproduz até ao infinito só aconteceu uma vez: ela repete mecanicamente o que nuca mais poderá repetir-se existencialmente. ” Barthes

É preciso, em todas as fotografias, estudar criatividade. Sim, estudar. É uma ciência, onde você dedica-se ao esforço, tempo, leituras e releituras. O fotógrafo é o primeiro expectador, então a opinião dele será sempre relevante sobre sua matéria, história, produto.

A criatividade é estruturada pela sensibilidade. O que não significa que a inspiração é uma condição. Em peças publicitárias – salvo algumas exceções – não há relação com o estado de espírito do publicitário, mas sim com o estado de espírito do consumidor.

A linguagem, de caráter profissional, é formal, mas a especialidade em ser criativo é uma relação oriunda de um pensamento particular e desconectado de processamentos formais. Cada fotógrafo possuirá um olhar. E é este olhar que você deve buscar ao contratar um profissional. O olhar que pode traduzir o seu olhar.

A sua fotografia precisa contar uma história. Interagir e influenciar. Podemos conversar em outra oportunidade, sobre a Fotografia em aspectos mais profundos e densos, e até uma abordagem ao marketing pessoal e nas redes sociais, o que acha? E se você tiver algo mais para acrescentar, fique à vontade. Até o próximo artigo!

(Parte deste artigo foi extraído do texto de Ricardo Cordeiro – “Fotografia publicitária e fotografia jornalística: pontos em comum”, e entre conversas com amigos fotógrafos.)

 

 

 

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Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa