Inteligência coletiva é um conceito fundamentado no compartilhamento de ideias, na colaboração de indivíduos em meio à diversidade. Ela está distribuída por todo lugar, na coletividade, já que ninguém sabe tudo, mas todos sabem alguma coisa que complementa o saber do outro.

O filósofo francês Pierre Levy a define como uma memória da percepção e da imaginação, o que leva à aprendizagem coletiva e a troca de conhecimentos. Já Thomas Malone, diretor do centro de inteligência coletiva da MIT (Massachusetts Institute of Technology), vê a inteligência coletiva como grupos de indivíduos agindo coletivamente de maneiras que pareçam inteligentes, complementando o pensamento de Levy. Se pensarmos na opinião desses dois estudiosos do tema, chegaremos à conclusção de que o conceito está diretamente ligado à gestão do conhecimento.

No entanto, como as pessoas poderiam se conectar de uma forma que, coletivamente, possam agir de maneira mais inteligente do que qualquer outra pessoa, grupo ou máquina? Existem várias formas para isso acontecer, sendo uma das mais populares atualmente seja a mídia social. As mídias sociais reunem muitas pessoas virtualmente, há artistas que possuem mais seguidores em seu perfil em uma certa rede social do que muitos países tem em número de população. As possibilidades e conhecimentos estão logo ali, é só saber usá-los.

Em uma organização, é possível utilizar todo esse potencial para resolver problemas, inovar em produtos e serviços e até mesmo melhorar o clima organizacional. Para isso existem ferramentas que podem ajudar nessa missão, como o crowdsourcing, por exemplo. O crowdsourcing é um modelo que utiliza essa inteligência coletiva justamente para criar conteúdo, soluções e desenvolvimento para produtos, processos e serviços, bem como gerar fluxo de informação para a empresa.

Essa ferramenta poderosa pode ser encontrada sob várias formas e para as mais distintas funcionalidades, como o Cool Hunting, que auxilia o desenvolvimento da percepção para captar as transformações da sociedade e dos mercados. Foi o caminho usado, por exemplo, pelo Mc Donalds ao perceber que a onda de interesse por uma alimentação mais saudável começava a deixá-lo para trás no mercado de fast food. Para reagir à concorrência, foi criado o personagem Happy, a caixinha sorridente que é a cara do McLanche Feliz. O personagem passa uma imagem positiva para os pais que passaram a se preocupar com o tipo de alimento que os filhos passaram a consumir, além de ser inserido ao combo infantil uma porção de frutas ou um potinho de danoninho, dando um aspecto mais saudável ao lanche que também teve seu valor calórico reduzido.

Outra forma bem legal de se usar é o hackathon, que resumidamente podemos dizer que é uma espécie de maratona tecnológica, onde grupos se reúnem em uma competição para desenvolver soluções ou serviços envolvendo a criação de softwares. Empresas brasileiras como a Natura e o Itaú já aderiram essa prática para desenvolver novas soluções que as aproximem de seus consumidores finais.

Outras duas formas bastante difundidas são o crowdfunding e o crowdlearning. O primeiro é usado para o financiamento de novos projetos, onde o idealizador do projeto abre sua ideia para uma multidão de pessoas e, as que se identificam com o projeto, apoiam financiando o seu desenvolvimento e até com pequenos pitacos, em alguns casos, para a melhoria do produto antes da comercialização. Já o crowdlearning aproveita o conhecimento de uma galera para multiplicar o saber e desenvolver pessoas, muito parecido com o que acontece nas comunidades de prática.

A motivação por trás de uma modalidade de crowdsourcing pode variar, dependendo da pessoa ou do cenário, entre premiação, amor ou reconhecimento. Cabe a quem for aplicar a ferramenta identificar a melhor maneira de motivar os participantes, se uma ou mais modalidades serão aplicadas. O certo é que, certamente, se bem aplicado, o crowdsourcing pode trazer ótimos resultados à organização.

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Marcelo Oliveira

Jornalista e entusiasta da Gestão do Conhecimento e Inovação. Focal Point de inovação na EMBRAER, coordenando atividades de captação de ideias e ministrando treinamentos de Inteligência Coletiva/Inovação Incremental e de introdução a ferramentas de captação de ideias, para fomentar a cultura de Inovação. Freelancer em comunicação e marketing na H2M Comunicação & Marketing. Acredita que a cultura da inovação abre portas, as quais podem mudar não só processos, produtos e serviços, mas principalmente a visão de mundo das pessoas!