“Não são os números e os objetivos que conduzem ao seu destino, mas sim as pessoas.”

A frase que escolhi para abrir nossa prosa foi dita por John Frances Welch Jr., ou Jack Welch como é conhecido nos sites de citações e frases. O que me chamou atenção nesta frase foi, além da notável carreira de Welch como Chairman e CEO da General Eletric, sua personalidade inovadora e visionária.

Atualmente, na era da informação, os profissionais se vêem num mar informacional sem fim, onde likes, shares e mentions funcionam como um termômetro para avaliação da receptividade que as marcas possuem, principalmente nas redes sociais.

 Nesse contexto, resgatando a frase de Welch, lanço uma provocação: Olhar para as pessoas e enxergar números vai nos levar aonde?

Não me leve a mal, caro leitor, mas quanto mais trabalho como consultora de negócios, mais me deparo com uma realidade gritante nas empresas brasileiras: Falta o propósito. Isso mesmo, essa palavrinha de 9 letras e um acento agudo, e que delineia todo o posicionamento, visão e valores de marca.

Propósito é definido pelo Dicionário Aurélio (2010) como “Aquilo que se pretende alcançar ou realizar”. Mas, das definições da palavra, a que mais me agrada foi dita por Philip Dormer, político e escritor do séxulo XVIII:

 “A firmeza de propósito é um dos mais necessários elementos do caráter e um dos melhores instrumentos do sucesso. Sem ele, o gênio desperdiça os seus esforços num labirinto de inconsistências”.

Welch e Dormer nunca se conheceram, quase três séculos separam os dois, mas suas icônicas frases não poderiam ser mais complementares. E o ponto comum entre elas? Pessoas.

Como consultora de marketing, seria de grande praticidade lidar apenas com números, que nas operações matemáticas, me fazem chegar a um resultado comprovável. Mas, estaria mentindo para o cliente — e principalmente para mim.

As empresas não são feitas apenas de números. As empresas são feitas de pessoas. Cada capital intelectual presente naquela instituição tem sua fundamental responsabilidade para o funcionamento da mesma. É como se a empresa fosse o corpo, e as pessoas os membros. Já viu corpo se mover sem membro?!

Então, você empreendedor ou candidato a empreendedor, se seu objetivo ao fundar uma marca é apenas ganhar dinheiro, volte duas casas. Ganhar dinheiro é o resultado, e não o propósito. Seu propósito é muito maior do que isso.

Por que marcas como o Facebook e Starbucks são tão amadas e de alto valor de mercado? Porque elas possuem um propósito bem definido.

O Facebook surgiu inicialmente como uma rede para comunicação interna em Harvard. Zuckerberg queria conectar os alunos de uma forma que não existia. E o que o Facebook presta de serviço agora, alguns bilhões de dólares depois? Isso mesmo, o serviço de uma rede social que promove conexão entre pessoas do mundo inteiro — com um plus de espaço para anúncios.

O Starbucks é um case interessantíssimo de como o propósito firme de prestar o melhor atendimento possível conseguiu transformar um commodity (o café), que paga-se cerca de R$ 3,00 numa padaria, ou R$ 3,50 num saco em algum mercado, num processo experiencial tão grande, proporcionando assim seu aumento de valor agregado em quase 400% — e vendendo o café por cerca de R$ 10.

Agora reflita: o posicionamento de sua marca está em harmonia com seus valores, propósitos e missão?

Lembre-se que marcas não são apenas números, mas extensões de pessoas e também ponto de contato com outras, no ciclo denominado mercado. Busque transparência em sua comunicação, tanto com o público interno, quanto o externo. Entregue algo, de fato, aos seus consumidores. Algo memorável, que envolva uma incrível experiência de consumo e que ele possa compartilhar com outras pessoas. Faça conexões de longo prazo, e não apenas vendas momentâneas.

Encerro nossa prosa com mais uma citação, desta vez do notável pintor Pablo Picasso: “O sentido da vida é encontrar o seu dom. O propósito da vida é compartilhá-lo”.

E sua marca, já está compartilhando o propósito dela?

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fotoEsse artigo foi escrito por  Úrsula Kopke. Úrsula é publicitária, curiosa, estrategista digital e pesquisadora em Neurociência aplicada ao marketing. Leia mais artigos dela em www.ursulakopke.com.br

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