Será que é possível produzir conteúdo de modo a ser algo atemporal? Ou será coisa para genialidades excepcionais? Existe um tipo de processo no qual é trabalhado esse conteúdo para que sirva além do que sua função básica? Para ser algo mais robusto, atribuído de mais relevância e não só um surto fugaz e efêmero  de palavras, imagens e sons que ocupam algumas horas de nossas vidas, mas logo se dissipam da memória para dar ‘espaço’ a uma nova mensagem. Uma história que provoque, mas que lhe atribua ou semeie uma extensão de daquele pensamento.

A internet proporciona tantos recursos, nos quais utilizamos como meio para propagarmos nossas opiniões, informar, compartilhar, discordar, comprar, vender, produzir, estudar, aprender, curtir, admirar, indagar, viajar, ser contra ou a favor, adicionar aos favoritos ou denunciar, trabalhar ou relaxar… Pode não haver limites para as funções, pois é sempre uma questão de opinião e perspectiva para cada um.  Se é assim mesmo, porque está cada vez mais complicado se manter atualizado visto que, o que se lê agora já não está mais fazendo sentido, é defasado, e foi colocado para um passado remoto das “coisas de um hoje ultrapassado”.

A leitura é acelerada, porque já publicaram outro livro sobre o assunto, com textos mais hodiernos. O produto escolhido perde valor a partir do momento que sai da loja e amanhã já será “o último modelo antes de”. Estamos atrás de um futuro, porém a cada segundo somos passado. Passado de nós mesmos e da história. Nunca se é atual – a não ser que se estabeleça as medidas cabíveis sobre tal discussão. Atualidade é um termo difícil de lhe dar,  considerando a dúvida que existe a respeito do que se fala no agora e o tempo perecível que esse agora possui. Até ontem mesmo, os assuntos tratados na roda de amigos era um determinado, agora, surgiram novos blogs, novas campanhas, novos jingles, novas roupas, novas caras, novas marcas, novos caminhos. A publicação que estava ontem no site, surge como “page not found” hoje. A lei que não foi aprovada ontem teve uma alteração aqui, outra ali, e volta à votação nessa madrugada. O desejo intenso que se havia no peito se tornara nostalgia para sentir saudade. É como se não pudesse curtir ou compartilhar o que foi publicado há tempos, pois já não condiz com a realidade (?).

A agressividade dessa fugacidade assusta por ser tão presente, avassaladora e imperativa em cada comunicação que nasce. O poder de adaptação do ser humano está realmente à prova, no momento. A resiliência nunca foi tão aclamada e exigida no perfil de cada um.

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Marcos Holanda

Curioso. Inconstante. Inconformado. Seria interessante me conhecer um pouco mais pelos meus textos, eles representam parte de mim. Então, boa leitura!