Em uma conversa entre duas mamães, não é de se estranhar que cada uma fique elencando as qualidades, a beleza e as peripécias feitas pelo seu filho. Se os bons costumes permitissem, umas delas diria: meu filho é melhor que o seu. Como isso não parece eticamente correto, elas apenas se ouvem e se despedem com a certeza de que o seu filho realmente é o melhor.

Não acontece diferente com nossos produtos ou serviços. Quando resolvemos abrir um negócio, temos a certeza de que estamos fazendo o melhor, ofertando da melhor forma possível, expondo de maneira entendível e que só nos resta esperar os ganhos que certamente estão por vir. Infelizmente isso não é verdade. Demorei a perceber que essa não é a forma correta de pensar em um novo negócio e, levando em consideração alguns anos de atendimento publicitário para novos e consolidados negócios, agora compartilho com vocês meu entendimento sobre o assunto.

Passamos anos à procura de uma grande ideia que nos leve ao sucesso, e a partir disso, estabelecemos nossos produtos ou serviços e vamos com tudo para o mercado ofertar o que, em nossa concepção, ninguém pode deixar de comprar.

Logo nos deparamos com um mercado cheio dessa mesma ideia, algumas muito semelhantes, parecendo até, que em algum momento, alguém a copiou dos nossos pensamentos. Nos perguntamos, como pode isso já existir? Outra situação não menos intrigante é quando chegamos ao mercado e ninguém nos escuta. A ideia é realmente nova, mas ninguém está interessado nela. Ela não resolve nenhum problema existente e também não gera nenhuma nova necessidade.

Pois bem, como poderíamos fazer para obter maior efetividade em um novo negócio? O caminho é simplesmente inverso ao citado anteriormente, ou seja, devemos iniciar analisando o mercado. Existe algo que o mercado esteja buscando?  Podemos resolver alguma necessidade de mercado que ainda não esteja sendo resolvida? Somente com essa análise poderemos estar, realmente, nos conectando aos consumidores, iniciando um trabalho fiel baseado no que os consumidores estão buscando, e não baseado em algo que julgamos que será sucesso.

Esse é apenas o primeiro entendimento para um longo sentimento de unidade entre empresa e cliente. Na sequencia teremos as tarefas do dia a dia, que em teoria deveriam ser sempre voltadas para os clientes. Digo em teoria, pois enfrento essa prática diariamente em consultorias de Marketing.

Explicar que as ações estão sendo pensadas em cima do que os clientes/consumidores estão pesquisando, escutando, assistindo, parece não ser interessante aos empresários. Na maioria das vezes ainda percebo que as aprovações são de cunho particular onde, gostei ou não gostei, são as respostas recebidas. Não há argumentação sobre a aprovação e nem sobre a desaprovação de um determinado trabalho. Isso é um tanto desanimador, pois o aumento nas vendas e a preocupação com os consumidores ficaram em segundo plano, o que se sobressai é o “conhecimento” do empresário sobre a peça publicitária e a sua vocação em assumir os méritos por ter concebido o trabalho.

É necessário entender que o trabalho publicitário exige sim a participação do empresário para que haja uma maior sincronia entre a empresa, o produto ou serviço, a peça publicitária e o cliente. Entretanto, inúmeras vezes vejo essa preocupação sendo totalmente dedicada a peça publicitária em si, sem atenção para seu próprio produto e muito menos para as expectativas do cliente.

Está evidente que a poluição visual encontrada nas ruas, rádios, TV´s ou internet está influenciando em nossa qualidade de vida. Tudo está exageradamente exposto e não estamos querendo ver mais nada. Estamos optando pelo clean, pelo sutil e delicado. Se as grandes marcas, que já nos estudam por completo, analisando comportamentos, hábitos e costumes para poderem conversar sobre o que gostamos ou queremos, já nos deixam fartos, por que daríamos atenção para uma empresa que não quer saber da nossa opinião? Que apenas fala o que quer sem realmente querer conversar?

Enfim parece que chegamos ao o “X” da questão. Estamos falando mais e conversando menos. Podemos atribuir esse comportamento ao ritmo de vida acelerado, a internet ou a tantos outros motivos, mas o fato é que estamos buscando a afirmação das nossas opiniões de uma forma mais rápida, sem muito diálogo. Isso se deve a não termos mais tempo a perder com conversas desnecessárias ou por medo de estarmos errados, e assim, perceber que os clientes realmente estão com a razão.

Voltemos nossas atenções para os clientes. Não importa em qual posição estamos, seja a de empresário, colaborador ou publicitário, a verdade não está na mão de nenhum de nós, mas sim nas ruas. Somente com o esforço de todos, poderemos nos tornar mais eficientes e eficazes na busca pelo objetivo que realmente interessa: o upgrade de vendas.

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Sócio da Candoo Comunicação e Branding e Consultor de Marketing pelo Sebrae. Apaixonado pela comunicação, que ainda acredita que esta deva ser realizada pelas pessoas, e não por seus meios.