Entenda o caso

O site Ashley Madison ganhou popularidade ao se cognominar o maior site de infidelidades do planeta. Sim, é isso mesmo! Feliz em se gabar por ser o maior ponto de encontro virtual para pessoas casadas, o Ashley Madison espalha o seu bordão pelos quatro cantos do mundo.

Com o singular: “a vida é curta, tenha um caso”, o site conquistou o inimaginável número de 37 milhões de usuários que, curiosos, buscavam algo que pareciam não encontrar em seus relacionamentos.

Estranho? Até que não! Desde que a internet se ressignificou, um dos maiores atrativos para usuários é a promessa de “privacidade” e anonimato, com uma dose extra de romance.

Mas é aí que tudo se complica. Não existe privacidade na internet, mesmo que o pacto de vendas assegure isso. O melhor é sempre ler as letras miúdas para não acabar como os milhões de usuários do Ashley Madison, que estão vendo seus dados chegarem à grande e pública world wide web.

Crackers invadiram a base de dados do site e agora ameaçam expor a identidade de usuários, sem distinção de sexo, gênero ou status social. O que mais se ouviu em resposta ao escândalo foi: “bem feito, ótimo castigo para traidores”.  No entanto, a questão não é moral e sim de segurança digital. Então fica a reflexão: o que podemos aprender sobre a cessão de nossos dados?

Diga-me quem és, que disponibilizarei seus dados

Conhecem a expressão: não existe almoço grátis? Pois é, para que seus dados sejam armazenados, bastam coisas simples como: estabelecer qualquer relação online (muitas vezes off-line também) com um fornecedor de produtos ou serviços, fazer uma inscrição em um concurso, participar em eventos online, visitar páginas, criar contas em redes sociais, suas conversas de e-mail, aplicativos de mensagens e streaming, etc. Ninguém está livre do sequestro de informações que vivemos a cada dia, nem mesmo aqueles que se privam da internet. Mas há uma luz no fim do túnel… nem todas as empresas querem monetizar seus dados. Muitas instituições realmente usam nossos dados para personalizar experiências, no entanto é preciso ficar atento aos movimentos suspeitos da internet.

Como proteger seus dados?

Existem alguns cuidados que podem nos proteger de situações muito desagradáveis como o sequestro de identidade e vazamento de referências sigilosas, dentre elas:

  • Desconfie de sites que oferecem muitos benefícios de forma gratuita;
  • Entenda a política de privacidade do site, aplicativo ou página que está acessando;
  • Não mantenha senhas, números e nomes de acesso em um mesmo lugar;
  • Evite fornecer detalhes para sites pouco confiáveis, uma rápida busca e o seu software de antivírus podem te ajudar muito;
  • Estabeleça limites sobre as informações que terceiros passam sobre você, como telefones, e-mails, fotos e vídeos;
  • Limite o número de produtos e aplicativos gratuitos em que você se cadastra, até os mais famosos.

O que as empresas podem fazer para proteger nossos dados?

  • Fortalecer seus instrumentos de proteção e firewall;
  • Estabelecer checkpoints de acesso a dados sigilosos;
  • Zelar pelos dados fornecidos pelos usuários;
  • Promover hackathons para checagem de segurança;
  • Estabelecer prazos de obsolescência de dados.

Ao nos aventurarmos nas redes estaremos sempre sujeitos aos caprichos dos piratas da internet, mas não precisamos entregar, deliberadamente, o nosso maior bem, a nossa identidade.

Desejo sorte aos que estão tentando cancelar suas contas no Ashley Madison – que inclusive tentou cobrar uma taxa para cancelamento das contas – e paciência aos que descobrirem algum conhecido nas listas liberadas. Aproveito também para deixar uma pergunta: você já protegeu seus dados hoje?

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Giselle Santos

Coordenadora Acadêmica at Cultura Inglesa - RJ/DF/GO/RS
Formada em Marketing, pós-graduanda em Gestão Estratégica de Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual. Atua como Coordenadora Acadêmica na Cultura Inglesa RJ/DF/GO/RS e é membro do Painel de Especialistas em Inovação do Horizon Report K12 2014. Geek assumida,curiosa por natureza e investigadora de tendências e tecnologias disruptivas. Acredita que para ser feliz é preciso hackear a vida e não se acomodar! Mãe e avó de cachorro e inventora aos finais de semana.