E se meu ofício se tornar rotina do meu dia a dia? Mas, será que se isso acontecer eu não estarei me privando e deixando de lado as coisas que, por costume e tradição, deveriam ser priorizadas em determinados momentos? Digo isso, veja bem, porque essa situação pode estar acontecendo comigo e não quero parecer aquele amigo chato que sempre puxa assunto daquele ‘job’ maluco que o chefe alterou e ordenou de última hora.

Independente de ser sexta ou sábado, fim ou começo de expediente. Trabalho é trabalho. E estou lhe dizendo, não faço por mal. A incumbência se transforma dentro da minha mente. É como se houvesse um sensor que avisa de minutos em minutos que eu poderia (para não dizer ‘deveria’) estar envolvido nesse último trabalho proposto. Só de falar nisso já vem na cabeça as palavras certinhas que o diretor mencionou, posso ouvi-lo aqui, sou capaz até de imitar igual. Porém, mesmo compartilhando dessa cerveja contigo, colega, já estou queimando neurônios para resolver a questão daquele texto para o site que ainda não foi definido. Mas, como?

Veja só, estou no caminho de casa e fico analisando os banners, outdoors, até mesmo um “lambe-lambe” que cruzo na rua, tudo por culpa da responsabilidade posta em mim de entregar o trabalho. Não, não. Não estou  colocando a culpa em ninguém. Foi só um desabafo, calma. Entretanto, não é somente entregar o projeto, há de ser bem produzido. “Tudo que é feito merece ser bem feito”. Onde foi mesmo que ouvi isso? Ah, sim, claro. O chefe.

Desculpa,  ainda estou pensando em trabalho, não é? Pensando alto ainda por cima! Meus pais mal colocaram o jantar à mesa e minha mãe já me deu uma bronca, me cutucando para eu parar de viajar e largar a embalagem o ketchup e me alimentar direito. “Mesa não é lugar de falar de trabalho, moço.” Só não é na mesa dela, porque na minha…

Aliás, mesmo que eu me mantenha em silêncio, mesmo que eu acene com a cabeça como se entendesse bem do que você está falando… Sinto muito. Venho o percurso todo até o trabalho tentando entender qual foi a intenção das cores e formas do logotipo da jaqueta da criança que estava no mesmo ponto de ônibus que a gente. Você reparou? Não conhecia, mas talvez já tinha ouvido falar.

Juro! Não faço de propósito. Talvez seja um sentimento precipitado de culpa, caso eu não tenha uma ideia realmente boa para apresentar. Não é nada com você, enfatizo, ou com o que você disse até agora. Faz parte de mim, da profissão, é rotina.

Parece que estou deixando algo de lado, certo? Dou a impressão de estar distraído ou absorto em outro mundo, não? Não quero nem ao menos deixar uma marca ruim para você. Sim! É exatamente isso! “A imagem que transmitimos não pode nunca deixar de seguir o alto padrão que marca tem!”. É outra frase (de você sabe quem) daquele de que não devemos falar.

Acredito que podemos nos acostumar a essa situação. Eu me acostumei, não será tão difícil assim para que me acompanha há tempos. Essa semana, já me questionaram qual a novidade do trabalho dessa vez (nem me lembro de ter dito a última!). A verdade é que não consigo ‘não pensar’ nas funções que terei assim que chegar na empresa. É preciso estar tudo programado para, assim que eu sentar em minha designada cadeira, ligar meu benquisto computador, começar a produzir e colocar na tela – ou no papel – tudo que eu conseguir de informação e ideias no fim de semana. Certo, certo. Não passei a minha folga toda com a cabeça no trabalho. Talvez só o lado direito do cérebro. Não sei ao certo.

Não quero ser inconveniente, mas preciso focar aqui. Vou aproveitar esse momento para arriscar uns esboços. Melhor começar com algo, dar imagem às ideias. Peço que você entenda. Faz parte da minha rotina, mas não me é trabalho algum.

banner clique
The following two tabs change content below.

Marcos Holanda

Curioso. Inconstante. Inconformado. Seria interessante me conhecer um pouco mais pelos meus textos, eles representam parte de mim. Então, boa leitura!