Sabe quando aquela sua ideia incrível bate na trave? O primeiro pensamento pode ser que é porque a ideia não era tão incrível assim. A euforia, estudos e tempo investido nela se resumem rapidamente a um único sentimento: frustração.

No trabalho de planejamento a ideia pode bater na trave mais facilmente, pois envolve estratégias, insights, e não necessariamente uma criação pronta, algo extremamente visual.

Já vivenciei situações que poderiam realmente me fazer desistir de seguir nessa área. Uma ideia apresentada foi “reprovada” e simplesmente foi usada e desenvolvida por uma empresa concorrente. Ou seja, a realidade o planejamento foi aprovado, só não fui comunicada nem paga por isso.

Outra situação é quando a ideia foi reprovada realmente. Aí cabe ao profissional deixar o mimimi de lado, arregaçar as mangas e ver o que está ao seu alcance fazer. Vale testar algumas alternativas:

  1.  Analise profundamente a ideia. As considerações do cliente (ou seu chefe talvez) fazem algum sentido? Ou você está tão apegado à ideia que é incapaz de alterar qualquer detalhe dela? Tente diagnosticar isso antes de partir para os próximos passos.
  2. Peça opinião de profissionais e pessoas da sua confiança (e que entendam do negócio). Sua ideia está passando no aval deles? É um bom sinal.
  3. Valide sua ideia. Apresente bem suas pesquisas (se possível, filme reação das pessoas ao ver um protótipo ou um resumo da ideia). A reação das pessoas pode convencer seu cliente que ele estava errado. Importante também usar cases, referências, o que marcas bacanas estão fazendo por aí.
  4. Você poderia investir/produzir a ideia sem o seu cliente? Sim, isso parece um pouco ousado. Mas você pode pensar em novos parceiros para colocar a ideia em prática. Fazer um projeto piloto e apresentar a ideia da forma mais palpável pode ajudar a ela a se vender.
  5. Tenha um não como uma motivação. Já transformei ideias negadas para clientes em projetos que se tornaram algo muito maior e com mais liberdade. Uma vez que não precisava se adequar à ideia do cliente em questão, e o projeto virou meu, o desafio era como monetizá-lo. Conseguindo encontrar o formato, patrocinadores da ideia e empresas afins com o tema, o projeto se tornou algo muito maior (e melhor).

 E o que isso tem a ver com planejamento criativo?

Afinal, essa realidade é verdadeira para empreendedores, designers, arquitetos, ou qualquer área que exija ideias e investidores/clientes/chefes. Mas é também uma realidade bastante comum a profissionais responsáveis por gerar insights para campanhas. Um bom exemplo é da clássica campanha da Dove “Retratos da Beleza Real”. Essa que foi considerada pelo Adversiting Age a melhor campanha do século, foi reprovada pelo cliente quando viu a proposta: “Vocês querem dizer aos meus clientes que eles já são bonitos? Nós vendemos um produto de beleza, se eles já são bonitos, por que é que precisa de nós?”

Mesmo com a ideia recusada, a agência decidiu criar um vídeo para mostrar o potencial  da campanha. O resultado está aí para todo mundo ver.

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Diretora de Planejamento da i9 Comunicação e Inovação, co-founder da co-Event.co, atuou como Account Manager da YDreams Brasil. Colunista do blog Ideia de Marketing, co-organizadora do TEDxPortoAlegre, TEDxCuritiba e Startup Weekend no Paraná. Em constante estudo/prática nas áreas de planejamento criativo, gestão do conhecimento, empreendedorismo e inovação.