Que as redes sociais nos deram voz, ok, todos nós sabemos, o que ainda não percebemos é que elas nos roubaram a audição e, em alguns casos mais críticos, o cérebro. Há algum tempo refletindo sobre o assunto, me sinto à vontade para trazê-lo a vocês, leitores do Ideia, para juntos refletirmos e discutirmos sobre esse tema, expondo opiniões, críticas ou elogios sobre o nosso comportamento nas redes sociais atualmente.

As marcas iniciaram esse trabalho há alguns anos, e hoje já não é tarefa fácil achar conteúdo relevante oriundo das redes sociais. Algumas redes parecem-me estar ficando pelo caminho, como no caso do Twitter. O Facebook, popularizado no Brasil, já não está mais na crista da onda e o Instagram está recebendo a migração de usuários do Facebook, onde já podemos perceber uma avalanche de postagens desenfreadas de usuários comuns e os “tão aguardados” posts patrocinados.

Enfim, está claro que a acessibilidade de informações, o ritmo desenfreado do nosso dia-a-dia e a ansiedade em estarmos sempre conectados, serão fatores determinantes para que as redes sociais continuem cumprindo seu papel de informar e dar voz a todos. Mesmo que, a meu ver, as informações obtidas através delas são de caráter de “curiosidades” ou “fofocas”, apenas de uma forma mais moderna que no passado.

Convenhamos, as redes sociais perderam um pouco a razão de levar a palavra “social” em seu sobrenome. Digo isso, pois, em tempos passados, para contarmos alguma novidade a alguém era necessário um encontro entre, pelo menos, dois seres humanos, já hoje nos tornamos grandes produtores de “conteúdo relevante” sem ao menos darmos bom dia a alguém.

Diante deste cenário caótico, onde todos falam e poucos escutam, se torna cada dia mais comum a busca pela desconexão. Muitos relatos de pessoas que não suportam mais o volume de informações recebidos pelas redes sociais, e outros tantos decepcionados pelo conteúdo que recebem, fazem com que um novo comportamento social comece a despontar. Os motivos não param por ai, a baixa na produtividade oriunda da conexão exagerada e a falta de silêncio para a construção de qualquer processo criativo, se apresentam como grandes causas para a busca de uma maior quietude e equilíbrio pessoal.

As pessoas que expunham a sua vida nas redes sociais perceberam que já não causam o mesmo impacto, agora o que percebo são pessoas expondo suas opiniões geralmente em forma de críticas sobre algum assunto relevante ao seu cotidiano. Percebo em algumas discussões que mesmo que as pessoas estejam equivocadas em suas declarações, não podem voltar atrás após feito seu posicionamento nas redes sociais, e acabam por manter opiniões errôneas e muitas vezes agressivas, tudo isso porque nas redes sociais não precisamos dar a cara a tapas, assim nos tornamos quase inatingíveis.

Nessa mescla de falar demais, ouvir de menos e a busca pelo silêncio, o que percebo é que não estamos preparados e maduros para lidar com tamanha tecnologia que vem se apresentando diariamente em nossas vidas. Isso que, não cabe falar nesse artigo sobre o comportamento de jovens ou até mesmo de crianças nas redes sociais, onde sabemos que sexo e drogas são assuntos comumente disseminados e consumidos por esse público. Se fossemos ampliar a discussão nesse caminho, certamente seria necessário um extenso artigo onde pudéssemos debater sobre esse assunto que se agrava, principalmente nas escolas do país.

Na última edição da revista ProXXIma do Grupo Meio e Mensagem, o assunto da desconexão foi muito bem explanado, apresentando um comparativo de busca pela saúde física e pela saúde mental. Na matéria, nos é apresentando um termo muito interessante que, acredito, começaremos logo a ouvir com maior frequência: O Detox Digital, que nada mais é do que a desconexão, a busca pela paz, pelo silêncio, pelo resgate dos nossos próprios pensamentos não induzidos pelas ferramentas de busca, algo que modestamente chamaria de essência.

Se analisarmos o significado da palavra essência encontraremos a seguinte definição: Natureza íntima das coisas; aquilo que faz que uma coisa seja o que é, ou que lhe dá a aparência dominante; aquilo que constitui a natureza de um objeto. Ideia central, argumento principal. Dessa forma, proponho que busquemos a nossa verdadeira essência e continuemos nosso caminho. Se a internet não ouvir a sua voz, não se preocupe, o importante nesse processo todo é você ouvir a sua própria voz. E quem sabe após você conseguir esse feito, o mundo todo lhe escute.

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Sócio da Candoo Comunicação e Branding e Consultor de Marketing pelo Sebrae. Apaixonado pela comunicação, que ainda acredita que esta deva ser realizada pelas pessoas, e não por seus meios.