Pleno século XXI e ainda encontramos, pelos mais diversos meios de comunicação, publicidades com mensagens explícita e implicitamente preconceituosas, machistas, sexistas, e assim por diante. Já foi o tempo em que se engolia goela a baixo esse tipo de comunicação, sem ter o poder e a força para reclamar contra os modelos impostos ardilosamente pela sociedade capitalista. Já se foi o tempo em que nos calávamos frente a injustiças e segregações diversas. Pelo menos deveria ser assim…

Falar sobre esses assuntos na mídia (abusos e assédios, estereótipos, machismo, racismo, etc.) é dar a cara a tapa para ambos os lados, a favor e contra, pois, sexualidade, etnias, moralidade, orientação sexual, enfim, sempre são temas polêmicos, porém uma coisa é certa: a publicidade atual (de algumas marcas) se mostra, ainda, arcaica e engessada à medida que cisma em manter um olhar contra a evolução à qual estamos vivenciando.

Por um lado, dentro do departamento de criação das agências, prevalece o sexo masculino que, mesmo que em alguns casos exista uma presença feminina, ainda se mostra predominantemente machista. E por outro, o que é produzido e veiculado não poderia ser diferente. Me custa também acreditar que essa presença masculina não consegue exercer um mínimo de empatia e respeito pelo sexo oposto.

itaipava

sr musc

É nadar contra a maré. É ir contra o preceito de abrir a mente, olhar de uma outra perspectiva, saber retrabalhar a ideia de forma mais criativa, interessante e que não contenha insinuações preconceituosas, carregadas de clichês e agressões psicológicas. Não é ‘mimimi’, é falta de criatividade mesmo.

Enquanto algumas marcas demonstram que evoluíram com o tempo e se esforçam muito mais maduras, outras insistem no velho padrão de comunicar a opressão capitalista de sempre. Dessa forma, não há inovação para tais marcas e, sim, uma inércia criativa onde se faz mais do mesmo, sem haver uma criação, de fato.

A publicidade parou no tempo para essas empresas (representadas por suas agências e seus “criativos”) que não ousam para além do status quo. Eu vejo uma comunicação intransigente, que continua em preto e branco. Estagnou na “era de ouro” da publicidade. Parece mais fácil ser criativo em um época em que tudo é novo e “aceitável”. Agora os tempos são outros, a mudança está em curso e isso vale também para a maneira como nos comunicamos.

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Marcos Holanda

Curioso. Inconstante. Inconformado. Seria interessante me conhecer um pouco mais pelos meus textos, eles representam parte de mim. Então, boa leitura!