Sem confiança não é possível pisar fora de casa. Passamos por testes com tal frequência no dia a dia que nem chegamos a nos dar conta do quanto somos capazes de confiar no desconhecido. Passamos em um farol verde confiando que aquele que enxerga o vermelho irá frear, pedimos uma comida em um lugar onde nem sequer sabemos o nome do cozinheiro, nos deitamos em uma mesa de cirurgia na certeza que uma tesoura não será esquecida dentro de nós, entramos em um avião confiando não só no piloto, mas em todo o seu processo de construção, respondemos o “boa noite” no whatsapp esperando que a pessoa amada de fato vá dormir.

A maior parte das relações acontece sem nenhum tipo de assinatura que garanta a nossa sobrevivência física e/ou psíquica. No mercado de trabalho não é muito diferente; mesmo com os contratos que buscam dar certa garantia caso o salário não caia no quinto dia útil, você não conta com tal falha.

Aristóteles, o filósofo grego do século IV a.C. descrevia duas virtudes intelectuais (ou virtudes altas) em seu livro “Ética a Nicômaco”: a primeira é a sofia ou sabedoria e a segunda é a fronesis, entendida como prudência.

A fronesis é a maior virtude do líder, dentro e fora do mercado, e é através dela que as maiores relações se constroem. Tijolo por tijolo em seu crescimento e um pequeno deslize para sua destruição. Exemplifico: Vamos supor que você vá almoçar com seu chefe em um restaurante não tão próximo à empresa e resolvem ir de táxi. Você acaba pagando o táxi da ida sabendo que haverá um reembolso. No restaurante, sem nenhuma obrigação, o seu chefe decide pagar o almoço de todos. No retorno à empresa, ao ser chamado na sala dele para pegar o reembolso do táxi, o que é mais prudente fazer? Aceitar os R$ 15 “por direito” ou agradecer o almoço e não aceitar a grana? A resposta é simples diante do conforto da leitura, mas tanto você quanto eu sabemos que muitos não seriam virtuosos na situação.

Tudo parece detalhe, mas a construção de um bom marketing pessoal acontece por cada situação aparentemente pequena que recebemos do acaso, porque é nelas que podemos usar essa virtude e construir aquilo que conhecemos como confiança e relacionamento.

Quando foi a última vez que você reservou uma mesa para um jantar de negócios ou alguém que gosta? Experimente reservar no nome da pessoa convidada e veja o efeito que isso traz. Prever uma espera e evitá-la é prudente.

Em muitas ações, pode parecer que estamos perdendo tempo ou dinheiro, mas e o ganho da proximidade, de uma possível ajuda futura ou a simples sensação de se sentir bem com as pessoas que você convive no ambiente?

Ser olhado é ter prudência, principalmente no mercado de trabalho, onde o amor não é a base das relações. Para Aristóteles, a virtude é como tocar um instrumento musical, ou seja, quanto mais você pratica, melhor você fica. Encare a prudência como uma lira, aposto com você que esses detalhes valem mais que uma corrida de táxi.

TiagoEsse artigo foi escrito por Tiago Souza. Tiago é  publicitário e gestor do e-commerce de moda ohmybag.com.br. Mestrando na PUC-SP sobre a relação da mídia, filosofia e a nossa era contemporânea.

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