Ninguém disse que seria fácil fazer um planejamento de vida

Ninguém disse que seria fácil fazer um planejamento de vida

Eu queria me preparar para o futuro. Alinhar o meu conhecimento para uma coisa nova. Estar pronto para isso não é fácil. Mas me lembro de que ninguém nunca disse que seria. Traçar as metas para o próximo passo é uma atitude mais do que esperada de gestores e CEOs, mas é esperada de pessoas comuns? Pessoas que estão atrás dos seus objetivos diários, como vencer o dia sem alguém cobrar o seu desempenho?

Recordo-me bem quando, no segundo semestre de faculdade, a tarefa do primeiro momento da disciplina era escrever uma autobiografia. Era uma experiência nova, mas afinal, eu sabia a minha história. Mais incrível é que a cada parágrafo que escrevia eu ia percebendo os fatos se conectando e a vida profissional fazendo sentido. Os momentos e as pessoas envolvidas tinham detalhes em comum, as situações levavam consigo uma carga de importância para o que iria acontecer no outro momento.

A conclusão desse trabalho, que foi um artigo científico, se daria no projeto da disciplina, que tratava de apresentar um planejamento de marketing pessoal, onde todos os detalhes do futuro – os próximos cinco anos – estariam ali bem delineados. As estratégias para atingir cada objetivo; cada meta secundária que estaria indiretamente ligada àquelas outras atingidas; um bocado de detalhes, que se não fosse o estímulo do professor, dificilmente um aluno saído do ensino médio teria condições de fazer.

Não era o meu caso, minha história de vida já estava em pleno desenvolvimento, as responsabilidades com a empresa já me tiravam o sono. Diversos outros cursos e habilidades já haviam sido desenvolvidos, mas a graduação pôde me trazer muito mais conhecimento, alinhado com uma pegada pedagógica necessária para um empirista comprometido com a empresa à qual liderava.

A pequena história, que deve ser comum a muitos por aqui, não serve de exemplo, nem mesmo de modelo. De ilustração, talvez, para um cenário cada vez mais conturbado que é o mercado de trabalho atualmente. Usei o termo “conturbado” porque acredito que esse mercado está bom. Sim, está bom! O mercado de trabalho está um “oceano azul” para quem está preparado, quem tem automotivação e disciplina, quem se preocupa com o futuro, quem planeja.

O oceano azul é uma zona de conforto – para quem se esmerou para isso. Pois o mesmo oceano abriga muitos caminhos, talvez alguns estejam mais para o vermelho, por conta de um passado desorientado, alguma atitude que não condiz com os objetivos traçados (foram traçados?). A cor púrpura que esmaece o oceano pode estar ligada diretamente às contingências que não foram previstas, nem mesmo supostas depois de uma crise que outrora tenha ocorrido. Depois da crise vem a solução. Mas se a crise retornar, a solução deverá ser outra, pois o mundo muda rápido demais, assim como o oceano, que hoje pode estar azul, mas como num passe de mágica pode se tornar revolto, cheio de tubarões, corais, e as mais diferentes adversidades que o deixarão, completa e inevitavelmente, vermelho.

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Jonatan Fortes

Consultor empresarial, Diretor de Marketing da Fonte de Talentos (RS). Mestrando em Desenvolvimento Regional, onde busca conhecimentos visando aplicar na geração de talentos. Acredita no poder da comunicação e atua na promoção e desenvolvimento de empresas e talentos para o crescimento coletivo.

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