“Não faz bem fingir que qualquer relacionamento tem futuro se os seus álbuns discordam violentamente ou se os seus filmes favoritos nem conversam uns com os outros caso se encontrem numa festa”. (Nick Hornby, em Alta Fidelidade / tradução livre)

Os melhores momentos têm trilha sonora. A gente escuta uma música e logo lembra daquela vez que…

Em “Ao norte de mim mesmo”, o protagonista de Gabito Nunes conta sobre quando finalmente dedicou Beatles a uma garota.

“Sabe como eu sei que aposto em nós? Esses dias fiz uma analogia entre seu jeito de sorrir e uma música dos Beatles. Isso não é pouca coisa, você que nunca fica satisfeita com minhas demonstrações afetivas. Isso é grande, garota. Eu jamais, em toda minha carreira de quinze anos de feitos amorosos, ousei associar coisas como “Something” e “I want you (she’s so heavy)” ou “Girl” com nenhuma, justamente por respeitar o poder devastador da música.

(…) Tive de isolar os rapazes de Liverpool de todos os meus relacionamentos com disciplina zen. Não queria perdê-los. Não queria deixar de executá-los depois que esses romances velhacos me provocassem amargura, vômito, ressentimento e intenções suicidas.”

A música se inscreve forte na gente.

No cinema, faz toda a diferença.

Veja só o trailer de Dumb and Dumber com a trilha sonora de Inception.

Parece outro filme.

Música é o que nos faz vibrar.

Mas mais que tudo – como Nick Hornby dá a entender lá no começo -, música é uma potente forma de conexão.

Muitas marcas têm se aproveitado disso. É o que chamamos de music branding: o uso estratégico da música para se relacionar, estabelecer vínculos emocionais, transmitir o dna da empresa em ondas sonoras.

Durante muito tempo, identidade visual era a prioridade. Agora, a música entra para criar uma experiência multisensorial. As playlists tomam conta de lojas, sites, eventos, shoppings e redes sociais, como forma de dialogar com o público alvo.

Na rua de casa, uma farmácia e uma loja de variedades disputam os ouvidos dos passantes, cada uma com sua trilha. Aos domingos, um cara com microfone acompanha a música na loja de utensílios pra casa. Ele até canta alguns trechinhos.

Os exemplos vão da Farm ao próprio Gabito Nunes, que colocava uma sugestão de música a cada post no blog. Outras marcas, como Heineken e Skol, patrocinam festivais. De que formas pode-se ampliar essa relação? As respostas começam a aparecer.

A partir da identidade musical, cria-se uma experiência. Ou você acha que é à toa que feijoada combina mais com samba que jazz?

Alguns começam a criar composições originais. Falam de logo sonora. Procuram entender seus projetos também pelo som. Buscam soluções cada vez mais sensoriais.

E você, já usou a música pra se conectar?

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Melina França

Odeia suas mini-biografias. Acha que está em construção e ainda não sabe quais as informações mais importantes que uma assinatura deve trazer. Por via das dúvidas, estudou jornalismo e, depois de formada, tomou gosto por marketing, empreendedorismo, branding e o relacionamento entre empresas e cidadãos. Começou, então, a colaborar com a startup de amigos, o Dujour. Já escreveu argumento de histórias em quadrinhos, filmou documentário, foi atriz numa companhia de teatro independente, fez bico de estátua viva e mantém o blog secreto de adolescente onde escrevia histórias de amor.

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