Procurei em algumas fontes, busquei no Google, cheguei a procurar em algum dicionário, mas realmente, a palavra mito existe, em sua maioria, no sentido clássico que todos conhecemos. Como diria Platão, o mito é uma verossimilhança. Algo com real possibilidade de acontecer, algo que eu posso contar, com contexto, ideia, realidade, possível realidade, algo que é naturalmente aceitável, desde que possamos estar inseridos naquele contexto.

Filosofia à parte, hoje em dia está bem fácil de criar um mito. Mitar é banal. Mitar é quase que uma piada pronta, que, dependendo do que seja falado e, principalmente escrito, vira uma “tacada de mestre”, vira uma frase para ser disseminada por aí entre aspas.

A ideia de ser descolado nas redes sociais, criar “buzz”, viralizar, criar e distribuir conteúdo a todo custo está bem difundida hoje em dia. Há poucos anos atrás, alguns comentários um pouco mais polêmicos ou até mesmo “míticos” eram levados um pouco menos a sério, e por consequência, passavam rápido. (Acho que estou falando do Orkut aqui.)

“Mitar” hoje em dia parece ser uma necessidade. Podemos dizer que “se não for pra mitar nos comentários, nem comenta”. Trazer histórias à tona, criar memes, usar uma piada para poder estar inserido na conversa é agora a principal regra do jogo. Mas ser o engraçadinho vai te dar todo o resultado que você está esperando?

Certamente estou falando aqui sobre a ótica empresarial. Páginas de empresas, perfis institucionais no Twitter, Instagram, todo o tipo de rede social um pouco mais descolada permite que empresas, trajando-se de pessoas, piadistas e engraçados, estão fazendo o povo rir e estão participando das rodas de conversa por serem “engraçados e diferentes”.

A personalidade da sua marca permite? O que acontece quando nosso amigo sem graça, aquele que nunca fala nada, ou aquele que sempre tenta ser o engraçado da turma faz uma piada? Ele não consegue o resultado, ele “mita” ao contrário. Ele passa vergonha quando tenta fazer uma piada e erra o “timing”.

Marcas, vamos tomar cuidado ao tentar ser uma persona engraçada. Sim, persona: é aquela personalidade que é apresentada aos outros como se fosse de verdade. A grande maioria das vezes, esta é muito diferente daquela. Muito mais audaciosa, muito mais sacana, muito mais arrojada.

Porém, a coerência das marcas precisa ser avaliada, não é possível que todos sejam engraçados e piadistas, é preciso ter um pouquinho de realidade nessa história, senão o mito vai por água abaixo. E o que resta de tudo isso é somente a lenda.

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Jonatan Fortes

Consultor Empresarial
Consultor empresarial, Diretor de Marketing da Fonte de Talentos (RS). Mestrando em Desenvolvimento Regional, onde busca conhecimentos visando aplicar na geração de talentos. Acredita no poder da comunicação e atua na promoção e desenvolvimento de empresas e talentos para o crescimento coletivo.

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