Na visão de uma criança, um super-herói é aquele personagem capaz de realizar as mais diversas façanhas: ele normalmente é forte, enxerga longe, sabe muita coisa, tem altas habilidades, pode ainda voar “mesmo sem capa”. Um super-herói tem inúmeras qualidades, mais até do que um adulto possa pensar, as crianças conseguem criar heróis dotados de todos os superpoderes possíveis na sua imaginação.

Nós sabemos que não existem super-heróis, algumas crianças não sabem. Outro dia eu tive que explicar pro meu filho de quase cinco anos que existem algumas pessoas “vestidas” de super-heróis “nos Estados Unidos da América”, como ele fala. Justamente porque os “verdadeiros” não podem aparecer, eles precisam ficar escondidos para ajudar as pessoas. Ninguém pode os ver, nem tocar, nem conversar com eles. Eles estão lá apenas para nos defender, mas não podemos conhecê-los.

A criação de uma boa história é a função natural da brincadeira, desenvolver habilidades criativas, solução de problemas, criatividade, possibilidades reais de contornar situações e sair delas, tudo o que uma criança faz no momento em que está criando uma boa história é realizar o que é mais conveniente naquele momento.

Seja pular do alto da montanha (sofá) até o rio de lava (tapete) sem machucar nenhum osso sequer e ainda “sofisticar” a história com um pouco de atemporalidade – sim, ainda dá tempo para fazer efeitos de cinema no meio do enredo, trazendo à tona detalhes do início, do final e até mesmo da próxima temporada.

Para as marcas, a criação das histórias é um pouco diferente! Seja uma habilidade, seja um elemento surpresa, uma história precisa ter o apelo emocional ligado totalmente à autenticidade inerente ao histórico da marca. Não vou me arriscar a dar os conceitos do neuromarketing e nem mesmo traçar modelos de criação de storytelling aqui, mas a importância dessas conexões com o efeito produzido pela criação das histórias que a sua empresa vai contar estão mais do que diretamente ligadas aos resultados que tudo isso vai gerar.

Ao contar as histórias da sua marca, é importante levar em conta elementos importantes que devem transmitir ao cliente conceitos-chave que ele vai perceber de forma inconsciente, estes são modelos importantes de concretização de uma realidade. O cliente está pronto para adquirir o produto, ele pode titubear ou pode decidir. Essa decisão está baseada basicamente no instinto que ele segue ao perceber alguns atributos que são percebidos através dos sentidos, sem intenção, através do sistema cognitivo de processamento bottom-up, que busca elementos e referências já existentes no inconsciente visando “encontrar” a motivação necessária para efetivar a ação de compra, por exemplo.

Para uma criança, possivelmente vai ser bem tranquilo superar a situação de não poder conhecer o seu herói preferido, mesmo lá nos EUA. Para um cliente, se uma história fantasiosa demais for desmascarada, a decepção não tem tamanho e a sua marca vai por água abaixo. Sem chances de salvação, a não ser que um super-herói de verdade apareça bem na hora para parar o trem desgovernado.

 

 

banner clique
The following two tabs change content below.

Jonatan Fortes

Consultor Empresarial
Consultor empresarial, Diretor de Marketing da Fonte de Talentos (RS). Mestrando em Desenvolvimento Regional, onde busca conhecimentos visando aplicar na geração de talentos. Acredita no poder da comunicação e atua na promoção e desenvolvimento de empresas e talentos para o crescimento coletivo.

Latest posts by Jonatan Fortes (see all)