Por favor, se belisque.

Como se esse fosse um teste pra descobrir se está sonhando.

Como se pudéssemos usar algo tão simples quanto um beliscão pra voltar ao presente.

A gente se preocupa com as contas do próximo mês, chora por amores perdidos. Poucas pessoas podem dizer que estão aqui e agora.

Por favor, se belisque.

Tem quem crie rituais.

Colocam o relógio ao contrário e, sempre que olham as horas, se lembram. Eu sou. Eu estou.

Tenho mania de segurar um cordão que nunca tiro do pescoço quando fico nervosa. Se percebo a mão no pingente, respiro fundo.

Talvez você faça algo parecido: mexa no cabelo, cruze os braços, repouse as mãos na cintura.

Inspirar e expirar profundamente desacelera nosso fluxo de energia. Estou aqui e agora.

Por isso, medito.

A prática mais básica à qual fui introduzida se chama shamata. Basta sentar numa posição confortável, com a postura ereta. Nem precisa ser numa almofada específica, em posição de lótus. Pode ser numa cadeira, com os pés no chão.

Imóvel, em repouso ativo, foco na respiração. Pensamentos vêm e vão como pássaros no céu. Quando vejo que fui arrastada por algum, pacientemente retomo a atenção. Inspira, expira. A prática é isso.

Num mundo cada vez mais rápido, precisamos aprender a parar. Temos televisão no ônibus, no elevador, na sala de espera do dentista. Nunca estivemos tão distraídos. Não à toa falamos tanto em técnicas de produtividade e foco.

Respire.

Isso é ainda mais grave quando estamos mergulhados num ambiente de trabalho estressante, com altas demandas e muito a perder.

A Harvard Business School, junto da INSEAD (escola de negócios na Europa), concluiu que as duas ferramentas mais importantes para os executivos do século XXI são meditação e intuição.

Para se manter competitivo, é preciso que as empresas tenham uma visão clara de seus objetivos e, a partir disso, possam inovar. Pensamos em líderes com inteligência emocional para guiar seus subordinados.

Clareza de pensamento, foco e inteligência emocional são apenas alguns benefícios da meditação. A verdade é que parar por algumas horas e, essencialmente, fazer nada, pode lhe deixar mais produtivo. E menos estressado. E mais atento.

Se não, por que o pessoal no Google estaria investindo tanto em mindfulness?

(Legenda: Emily Fletcher, especialista em meditação, palestrou numa Google Talk explicando porque meditação é a nova cafeína)

Mais importante, meditação é uma potente viagem no tempo. Preocupados com o futuro ou angustiados com o passado, precisamos voltar ao presente.

Estou aqui e agora.

Esse é o momento em que a vida acontece: o único onde posso agir.

banner clique
The following two tabs change content below.

Melina França

Odeia suas mini-biografias. Acha que está em construção e ainda não sabe quais as informações mais importantes que uma assinatura deve trazer. Por via das dúvidas, estudou jornalismo e, depois de formada, tomou gosto por marketing, empreendedorismo, branding e o relacionamento entre empresas e cidadãos. Começou, então, a colaborar com a startup de amigos, o Dujour. Já escreveu argumento de histórias em quadrinhos, filmou documentário, foi atriz numa companhia de teatro independente, fez bico de estátua viva e mantém o blog secreto de adolescente onde escrevia histórias de amor.

Latest posts by Melina França (see all)