De um tempo para cá, trabalhar com marketing – especialmente o digital – ganhou um glamour enorme. Talvez seja o estigma de uma profissão nova, ligada à tecnologia e que transforma desconhecidos em ilustres web celebridades, na medida do possível.

Pode ser até que trabalhar com comunicação e marketing seja algo bastante parecido com ser técnico da seleção brasileira – todo mundo é técnico, todo mundo sabe como resolver o problema e escalaria o time muito melhor do que você! “Onde já se viu chamar o Daniel Alves?”

Pois é… Todos nós lidamos com coisa parecida todos os dias. E todos os dias entramos em reuniões que parecem partir do nada e levar a lugar algum. É algo bastante parecido com o vídeo que você vê abaixo:

Todos os dias precisamos repetir sempre a mesma coisa, lidar com situações surreais e quando finalmente chega aquela sensação de “agora vai”, alguém usa uma frase pronta totalmente fora de contexto, geralmente cunhada por um maravilhoso “guru dos tempos modernos” e é como se um enorme balde de água fria caísse, não é?

Hoje vamos falar sobre um sujeito chamado Sísifo. Diz a lenda que Sísifo foi o primeiro rei de Éfira, que mais tarde passou a se chamar Corinto. Além disso, ele era considerado como o homem mais malandro e “espertão” que já colocou os pés no mundo.

Para resumir a história, a malandragem de Sísifo era tão grande que irritou os deuses do Olimpo e ele foi condenado a levar uma enorme esfera de mármore para o alto de uma montanha e, quando chegasse lá, que a carregasse até a base novamente.

Apesar de a malandragem e o crime não compensarem, estamos aqui para falar sobre o eterno “trabalho de Sísifo” que alguns de nós pensamos encontrar todos os dias quando acordamos e vamos para o trabalho.

Ultimamente tenho conversado com bastante gente dentro do nosso mercado e grande parte dessas pessoas pergunta se estou sabendo de alguma vaga em outro lugar ou se trabalhar com Fulano de Tal pode ser uma boa saída. Quando pergunto o motivo desse descontentamento, a resposta vem em variações de relatos parecidos com o vídeo que acabamos de ver.

“Meu chefe não me entende!”, “Vivem me pedindo coisas impossíveis”, “Não me sinto realmente desafiado” ou pior: “Estou com medo de que coloquem o estagiário no meu lugar” são respostas assustadoramente frequentes.

Agora, o que me preocupa é algo que vem um pouco antes deste problema aparecer. A questão é: como as empresas e agências estão entendendo seus profissionais? Será que criamos um enorme fluxo atropelado em que ninguém é capaz de parar para entender porque as coisas acontecem ou porque elas são necessárias?

Outra dúvida que me vem à mente nessas horas é também o que se passa pela cabeça da pessoa que reclama. Será que houve mesmo alguma insistência para fazer com o que o cliente entendesse o famoso “X da questão” ou ela ligou o piloto automático só para não gerar atritos e aderir à famigerada pastelaria de jobs?

A verdade é que nós mesmos impomos as nossos trabalhos de Sísifo. Fazemos isso toda vez em que não paramos para perguntar, questionar, explicar – e o mais importante, educar o cliente. Muitas vezes quando uma conta nova chega, ou quando nosso chefe chega com algo novo (quando trabalhamos dentro do cliente), as coisas ainda estão muito cruas.

Poucas vezes nos damos o trabalho de tentar “cozinhá-las”. Você já deve ter visto vários memes por aí dizendo que “Quando tudo é prioridade, nada é prioridade”. Isso é a mais pura verdade. Se algo é para ontem pelo simples fato de que é para ontem, quem vai enfrentar a tristeza e a frustração de precisar refazer é você.

Por isso, a “moral” dessa história é que nós devemos brigar um pouquinho mais para definir as coisas como elas precisam ser e que, se elas não derem certo, saibamos que ao menos houve uma tentativa. Afinal, até Sísifo, no alto da sua malandragem tentou atenuar sua pena.

E você? Concorda comigo? Deixe sua opinião aqui nos comentários!

banner clique
The following two tabs change content below.
Jornalista, especialista em Marketing e Novas Tecnologias em Jornalismo, anda pela internet desde os idos de 1997, quando os modens ainda “cantavam” na hora de conectar. O que realmente prende a sua atenção é o conteúdo e as suas estratégias.

Latest posts by Luisa Barwinski (see all)