O ano começou a milhão. Já apareceram clientes de consultoria, coaching, novos projetos (bem legais por sinal), convites para palestras e o primeiro convite para mentoria. Como um dos meus objetivos desse ano é de começar a fazer mentoria além das que já realizo em eventos de startup, fui dar uma pesquisada no que estava rolando sobre o assunto, com a ideia de montar um roteiro ou metodologia.

Estamos acostumados com a figura do mentor de sucesso, de alguém que atingiu o topo e agora compartilha seu conhecimento. Bem, acredito que existem diversos tipos de “conhecimentos” que podem e devem ser compartilhados com os empreendedores (independente de já ter atingido o topo ou não). Além disso, existe um número considerável de aspectos que devem ser considerados no processo de mentoria.

A aceleradora americana TechStars criou o manifesto do mentor, que dirige e explica a maioria dos comportamentos-chave que um mentor precisa ter/desenvolver para atuar dentro da aceleradora. Confira a lista:

Seja Socrático – faça perguntas bem perguntadas. Se não entender, pergunte de novo e de novo; Tenha certeza que esmiuçou os detalhes com perguntas bem feitas, até chegar na raiz da questão ou do problema;

Não espere nada em troca – você provavelmente ficará surpreso com o que receberá quando não espera receber nada;

Seja autentico / pratique o que você prega – não seja apenas um mentor teórico, compartilhe a vivência de suas experiências práticas;

 Seja direto – em eventos de startup, o tempo com cada grupo é curto, seja direto. Fale a verdade, por mais difícil que seja, mas o faça de forma respeitosa. Você está lidando com o sonho dos outros, NUNCA se esqueça disso;

Ouça mais e fale menos – tenho visto, frequentemente, o inverso desse aspecto nos eventos que participo. O mentor não está lá para ensinar todas as metodologias, livros e atores, está lá para guiar;

A melhor mentoria é aquela que, eventualmente, se torna uma via de mão-dupla – enquanto houver mentores que se colocam em um patamar acima dos empreendedores iniciantes e fazem questão de reforçar esse pedestal enquanto o processo acontece, o empreendedor se sentirá menor, menos capaz ou até mesmo excluído. O mentor deve fazer o processo de inclusão, mostrar para o empreendedor que suas ideias são importantes, que ele faz parte daquilo e que, tanto o mentor  quanto o empreendedor, são iguais;

Seja responsivo – se ajuste à situação, se adapte ao ambiente; deixe que o seu carisma, seu conhecimento e sua liderança inspire os empreendedores, não o seu ego;

Adote ao menos uma startup nova todo ano – experiência prática como mentor também conta, não apenas participar como mentor em eventos;

Separe claramente opinião de fato – deixe claro quando você está opinando e quando está contextualizando com fatos. Aprenda a separar as coisas;

Mantenha as informações confidenciais – seja ético com as informações que chegam até você através do processo de mentoria, não divulgue! Faça isso apenas com total aprovação da startup e dos empreendedores;

Posicione-se claramente como mentor ou não – se topar participar de um evento como mentor, aja como tal. Caso contrário, se não se sentir confortável ou confiante, opte por não o fazer. Mais vale empreendedores bem guiados do que o título de mentor nas redes sociais;

Saiba exatamente o que você não sabe – Diga, “Eu não sei” quando você não souber. Dizer que não sabe é melhor do que querer parecer ser bom em algo que não se é;

Guie, mas não controle – As equipes devem tomar suas próprias decisões. Guie, mas nunca diga o que eles devem fazer. Entenda que a companhia é dos empreendedores e não sua.

Aceite e se comunique com os outros mentores que estiverem envolvidos no processo – mas, por favor, não façam panelinhas. Os mentores estão ali para servir os empreendedores, não se esqueça disso.

Seja otimista – toda ideia de negócio tem potencial para ser uma boa ideia, desde que resolva um problema/necessidade/oportunidade real, tenha um público definido e entregue uma proposta de valor que resolva o que o cliente precisa e que o faça pagar por isso. Procure sempre o lado positivo da ideia do empreendedor.

Forneça dicas práticas e específicas. Não seja vago – não há nada mais frustrante para o empreendedor do que receber um monte de feedbacks conceituais, filosóficos ou ficar ouvindo uma mega história de experiência passada que não tem conexão nenhuma com o que está sendo debatido. Seja direto! Desenhe, rabisque, mas certifique-se de que suas dicas sejam práticas e específicas para as necessidades do empreendedor.

Seja desafiador e arrojado, mas nunca destrutivo – desafie, inspire e motive o empreendedor. Mas, lembre-se: é o sonho dele e não seu. NUNCA destrua o sonho de alguém, pode ser a última coisa que ele tenha.

Tenha empatia – Empreender já é um desafio, lidar com mentores arrogantes dificulta ainda mais o processo. Certifique-se de que os empreendedores tenham empatia por você, por suas ideias e por suas dicas. A afinidade entre o mentor e empreendedor é fundamental para o processo de mentoria. Essa afinidade acontece mais rápido quando o mentor demonstra ao empreendedor que ambos são iguais, apenas com saberes e experiências diferentes.

A mais poderosa relação entre mentor e empreendedor, são aquelas em que ambos, em última análise, se conectam e passam a compartilhar um com o outro. Em muitas situações, o mentor, geralmente, aprende mais do que o empreendedor. Em algum momento da vida, eles se tornam mentores um do outro. Afinal de contas, todos estamos aprendendo à todo instante e, definitivamente, não sabemos tudo.

Ao meu ver, o melhor processo de mentoria é aquele que, além de guiar o empreendedor para um caminho mais certeiro na busca pelo sucesso, também gera laços de amizade e conhecimento compartilhado.

Já teve boas experiências com processo de mentoria ou como mentor, compartilhe conosco!

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Julio Lussari

Consultor
MBA em Marketing e Gestão de Negócios, é consultor, ministra oficinas, dá aulas, é palestrante e blogueiro nas áreas de Inovação em Planejamento de Carreira, Empreendedorismo, Inovação em Modelos de Negócios e Marketing Estratégico.