Hoje encerraremos a série Neuromarketing para Curiosos. Finalizaremos a série para, a partir daqui, falarmos de muitas outras coisas que envolvem tanto Neuromarketing como a Neurociência aplicada. Vem coisa nova por aí, fiquem de olho.

Mas enquanto isso, vamos ao que interessa.

De acordo com o especialista em marketing Jack Trout em seu artigo “Differentiate or die” – Forbes, mais de um milhão de produtos disputam a atenção dos consumidores e para que as empresas tenham sucesso em uma economia tão competitiva elas precisam se destacar em meio à multidão. É aí que entra o Neuromarketing e os seis estímulos para ativar o cérebro do consumidor dos quais temos falado durante toda a série Neuromarketing para Curiosos.

São eles:

1. Self-centered (o eu como foco);
2. Contrast (captador de atenção);
3. Tangible (ser tangível);
4. Beginning & End (começo e fim);
5. Visual (visão);
6. Emotion (emoção)

Hoje abordaremos o estímulo emocional.

Embora o ser humano sempre dê mais importância aos aspectos racionais durante as tomadas de decisões, são os aspectos emocionais que têm papel mais importante em nossas escolhas. A neurociência já provou que estímulos emocionais desencadeiam reações químicas em nosso cérebro que influenciam a forma como lidamos, reagimos e memorizamos as informações.

Para aqueles que trabalham com Marketing, é sempre bom lembrar a frase do prof. dr. Antônio Damásio, uma das maiores autoridades da neurociência mundial que diz “Não somos máquinas de pensar, somos máquinas de sentir que pensam”. Esse entendimento é crucial para que os profissionais desenvolvam estratégias de comunicação mais certeiras porque a emoção é sim mais importante que a razão.

Ela é tão importante que, em seu livro O Erro de Descartes, Antônio Damásio colocou em cheque a frase “Penso, logo existo” do filósofo francês René Descartes e afirmou: “Tenho emoções, logo sou racional”.

Assim sendo, emocionar é mais importante do que passar informações racionais em uma propaganda, por exemplo. A emoção é o que faz o cérebro reptiliano lembrar e fixar a marca e o produto e, mais ainda, é ela que é capaz de acelerar o processo de decisão de compra. Por causa dela, grandes empresas estão cada vez mais preocupadas em criar um vínculo emocional profundo com o consumidor. Por causa dela, ouvimos cada vez mais os profissionais falando em Storytelling, Copywrite, Brand Experience.

Cada uma dessas formas de trabalho é utilizada para emocionar o consumidor, para atingir o cérebro reptiliano e impulsionar a compra dos produtos e a memorização da marca.

Uma propaganda interessante para demonstrar como o estímulo emocional é mais importante que a razão é a veiculada pela Duracell no Canadá no inverno de 2014. Ela reúne essas diversas formas de trabalho. Começa contando que no inverno o Canadá é um lugar muito frio, tão frio que momentos de cordialidade são muito raros. Tão raros que a Duracell queria ver se era capaz de mudar isso. Para tal feito, ela colocou aquecedores em pontos de ônibus, mas eles só funcionavam quando algo especial acontecia.

Assista o vídeo antes de continuar a leitura!

Só quando a propaganda termina e após a frase: “No Canadá nós temos invernos muito rigorosos, mas também temos uns aos outros” é que aparece a pilha Duracell.

Tudo nessa propaganda apela para o lado emocional e existe um caminho para a mudança das emoções que assolam as pessoas que a assistem. Primeiro, a solidão, a falta de cores… Até que a Duracell entra em cena e tudo começa a se transformar. Como vocês puderam ver, sem dizer uma palavra sobre seu produto, a Duracell emocionou e informou tudo que queria e muito mais à mente do consumidor – dê uma olhada nos comentários no Youtube.

Assim, fica fácil perceber o quão importante é o estímulo emocional e como é necessário que ele permeie toda a estratégia de divulgação. Quando aplicado, juntamente com os outros estímulos, pode garantir muito mais sucesso atingindo com mais facilidade o “botão” de compras e de memória na mente do consumidor.

É assim que o Neuromarketing funciona. Como vimos durante toda a série, através de pesquisas ele “pergunta” ao cérebro como as pessoas realmente reagem a determinado estímulo. O conhecimento da resposta para essa pergunta ajuda os profissionais de marketing a escolherem as melhores técnicas e as melhores estratégias para divulgarem suas marcas e terem maior sucesso em suas ações. Essas pesquisas podem ser realizadas antes de se montar a estratégia, já identificando as melhores práticas para alcançar os objetivos almejados, ou depois para identificar se a estratégia escolhida terá o resultado desejado. Mas isso já é assunto para outros artigos.

Até o próximo!

banner clique
The following two tabs change content below.

Erica Ariano

Apaixonada por tudo que é futurista e único, sofre de curiosidade latente e desprendimento de convenções. É consultora de marketing, especialista em mídias digitais e palestrante. Sua porção engenheira a faz ser louca por neurociência, por isso estuda o assunto e escreve sobre ele aqui também.