Nas últimas semanas pude assistir ao filme “Êxodo – deuses e reis”, e as expectativas foram as melhores possíveis. Além de grande produção e boas jogadas de marketing, fui entretido. Li muitos artigos e opiniões a respeito. Como este foi um filme bíblico menos polêmico que “Noé”, temos a tendência de não darmos tanta importância, mas isso pode ser um tiro no pé, pois acredito que, em toda experiência cinematográfica podemos sim encontrar bons recados, conceitos e ideias. Neste caso, algumas lições de liderança que saltaram aos meus olhos. (Prometo não soltar spoilers!)

Lembro que, mesmo com estudos em Teologia, não pretendo neste artigo levantar observações e analogias teológicas, muito menos análises e críticas de cinema. Respeito a escolha religiosa ou ideológica de cada um. (Por isso até, no cinema, não há tanta veracidade bíblica, mas cosmovisões aleatórias; interpretações diferentes e claro, criatividade em expor e explorar os temas. O livro de Êxodo na Bíblia é bem extenso e muitas informações. Não dá para colocar tudo em um filme). Vamos focar na personagem “Moisés” como exemplo, que por ventura esbarramos em nosso dia a dia no ambiente em que trabalhamos – de acordo com o filme.

FOCO: Moisés, sendo um pastor de ovelhas, tornou-se rei de uma nação. Todavia, houveram erros em sua percepção. Em um certo momento, ele optou por uma espécie de “monopólio do poder administrativo”, e por isso, o foco desviou-se daquilo que deveria gerar benefícios e maior relacionamento aos seus liderados. Por tanto, lembre-se: liderar é uma arte e requer flexibilidade na interação com pessoas diferentes todos os dias. Ter foco é saber se relacionar.

No filme, ele foi exilado do Egito, não por ter matado um soldado egípcio, porque ele poderia matar vários se quisesse, mas talvez por um “esquema” político do príncipe herdeiro. E vemos isso durante todo o filme: política x soberania; diálogos que deturpam ou desvirtuam o foco.

VOZ ATIVA: Após este ápice egocêntrico, Moisés torna-se a referência nos quesitos básicos de liderança. Ele não culpou o povo hebreu pelas falhas – das quais, mesmo inocentes, eram constantemente acusados. Pelo contrário, reconheceu que, mesmo com toda sua riqueza, ser simples seria o melhor caminho a seguir. Suas ordens foram com perguntas. Ou seja, não havia dependência de autoridade, mas boa vontade, entusiasmo e desenvolvimento. Imagine você influenciar MILHÕES de pessoas e, mais do que isso, ganhar a confiança deste povo e tê-los te seguindo por caminhos incertos por muitos e muitos anos… definitivamente, sua oratória e persuasão foram sem limites! Sua confiança foi memorável. Por isso, saiba usar as palavras. E quando as usar, tenha segurança (e transmita isto).

HUMILDADE: Ele ouviu conselhos de pessoas que não faziam parte do seu reino. Não ache que você pode fazer mais do que pode. Entenda seus limites. Mesmo teimoso, Moisés, em alguns momentos, pôde perceber que ele dependia de outros (e até mesmo de Deus). Não há vergonha em ser humilde. A humildade torna suas virtudes discretas, impedindo que se transformem em moralismo; mantem as virtudes próximas de seu centro de equilíbrio, e evita que se transformem em caricaturas de si mesmas. Logo, torna-se uma forma de autoconhecimento.

Existem muitas outras qualidades e defeitos que esta personagem (fictícia ou não) pode nos ensinar, mas estes três pilares me chamaram a atenção. O filme foi feliz em propor este debate: sobre a liderança de um grande povo, a partir de perspectivas diferentes. Se fossemos conversar sobre a liderança de Ramsés, por exemplo, outro artigo seria escrito. Posso encerrar este, com uma palavra que, talvez traduza tudo – do filme e em nossa relação enquanto líder – OBEDIÊNCIA. Com ela você adquire responsabilidade e gera mais crescimento e produtividade. Adquire postura. Poderia destacar a “fé” e “esperança”, mas acredito ser estes os ingredientes em que você mesmo poderá descobrir.

 

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Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa