Uma das músicas que mais marcaram a minha infância, e a de muitos contemporâneos, era fruto de uma ação de marketing que foi reeditada muitos anos depois pelo Banco Nacional. Quem não se lembra daqueles versos – tente não ler cantando – “Quero ver você não chorar/não olhar pra trás/nem se arrepender do que faz…” Lembrou? Mas será que a ideia era não chorar mesmo? Façamos agora uma nova viagem no tempo! O ano é 2014, pense rápido, quantas vezes você teve que enxugar aquela lágrima que teimava em cair enquanto você conferia um comercial? Lembra-se daquele do avião da WestJet que mais parecia um sonho de Natal? (na verdade foi de 2013, mas só viralizou em 2014). E aquele do terminal de autoatendimento que muitos gostariam de encontrar pela frente? E quem não pensou em chamar uma paquera para ir ao cinema quando viu a campanha ‘Filmes que mudaram nossas vidas’ do banco Itaú? O ano de 2014 será conhecido como o ano em que o sadvertising virou viral. Você sabe o que é sadvertising? Advinda da junção de duas palavras do inglês, sad e advertising, a proposta não é entristecer ninguém, mas causar forte emoção – frequentemente arrancando lágrimas até dos mais duros corações. Mas como explicar a enxurrada de ações que trazem traços de sadvertising e o gosto pela viralização das lágrimas? Uma maneira de explicar o fenômeno pode ser através do resgate do modelo AIDA de comunicação. O modelo AIDA propõe a seguinte progressão: atenção Agora, façamos uma pequena troca: atenção Tudo começa com um bom gancho para a história. A partir daí o desenrolar é quase sempre o mesmo, culminando em uma ação que, além do choro emocionado, pode ser a compra do produto, a contratação do serviço ou, em tempos de redes sociais, a viralização da ação e o reforço da marca. Mesmo sendo um dos países onde mais se assiste televisão, o Brasil já notou que um dos melhores canais para lançar uma ação emocional é a internet. Sendo assim, seguindo o padrão imposto por outros países, o sadvertising brasileiro quase sempre se origina em canais como YouTube e Vimeo. Ao comunicar sua marca através de emoções, muitas empresas conseguem personificar seus produtos, serviços e intenções. E isso, caros amigos, vende muito bem. No processo da conquista de cliente, está aberta a temporada de narizes vermelhos, olhos lacrimejantes e muita emoção. Mas fica o meu voto para que não sejamos apenas seguidores de modismos. Equilíbrio e criatividade não fazem mal a ninguém. Apertem o play e um Feliz Natal para todos!

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Giselle Santos

Coordenadora Acadêmica at Cultura Inglesa - RJ/DF/GO/RS
Formada em Marketing, pós-graduanda em Gestão Estratégica de Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual. Atua como Coordenadora Acadêmica na Cultura Inglesa RJ/DF/GO/RS e é membro do Painel de Especialistas em Inovação do Horizon Report K12 2014. Geek assumida,curiosa por natureza e investigadora de tendências e tecnologias disruptivas. Acredita que para ser feliz é preciso hackear a vida e não se acomodar! Mãe e avó de cachorro e inventora aos finais de semana.