Alguns poucos gostaram, e outros tantos acharam ruim o tema proposto para a redação do Enem deste ano: “Publicidade infantil, em questão no Brasil”. O que existe por trás dessa polêmica, o que é publicidade infantil e como lidar com esse assunto?

No dia 13 de março deste ano foi aprovada a Resolução nº 163 do Conanda. Conanda é um órgão de caráter normativo e deliberativo, vinculado à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Conanda significa Conselho Nacional dos Direitos da criança e do adolescente, ele fiscaliza o cumprimento e aplicação eficaz das normas do ECA (Estatuto da criança e do adolescente). A tal Resolução nº 163 considera abusiva a publicidade e comunicação mercadológica dirigida à criança (até 12 anos, segundo o ECA), definindo especificamente as características dessa prática, como uso da linguagem infantil, pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil, personagens de desenhos animados, excesso de cores, trilhas sonoras ou músicas infantis, representação de crianças, promoções ou competições, brindes com brinquedos, entre outras. O documento dispõe que é abusiva a prática de direcionamento de publicidade para crianças com a intenção de persuadi-las para consumo de qualquer produto ou serviço. O cumprimento integral da Resolução é obrigatório. E aqui está a polêmica: ainda vemos publicidade infantil tanto nas Tv’s quanto em pontos de vendas, e outros dizem que o Conanda não tem esse direito, e muitos nem tem conhecimento do assunto.

Alguns defendem que a publicidade infantil é inofensiva, enquanto pais, ativistas e entidades apoiam a resolução, preocupados com os índices de obesidade infantil, por exemplo. Por um lado, aqueles que afirmam que com a Resolução nº 163 tira-se da criança o direito à informação e por outro, aqueles que defendem o fato de as crianças não terem pré-julgamento para definir o que é bom para elas, e ficam imunes ao consumismo.

Gosto de analisar questões como esta, pelo ponto de vista capitalista, defendo que cada família deva criar seus filhos da maneira que achar melhor e adequada, com o tipo de alimentação (ou método de compras) voltada a cada princípio estipulado, ou com aquilo que o dinheiro daquela família pode comprar, por exemplo. Entendo que as famílias não possuem as mesmas condições de compras, e assim algumas crianças sofrem com o “não poder” de um pai.

Em tempos modernos, onde somos banhados por informações a todo o momento e em cada canto ‘participamos’ de propagandas e seus apelos emocionais, seria justo proibir as empresas de anunciarem para um determinado público? E nos supermercados as crianças encontram todos esses produtos e seus personagens favoritos estampados neles: como dizer não ou explicar que é ruim?

Penso que uma Resolução como está põe em questão inclusive as publicidades voltadas para adultos, que mesmo com opinião formada tem dificuldades em manter a dieta quando aparece “batata frita da boa” ou sentem extrema necessidade de comprar um carro novo induzido pelas belas imagens que vê, isso para não citar maiores exemplos. Acho a Resolução nº 163 uma boa opção para defender os ‘pequenos’(minha forma de chamar as crianças) e evitar que sejam expostos a opções de consumo que causem desejo e em alguns casos desejos que não podem ser realizados. Todo conteúdo voltado à crianças merece especial cuidado e cabe também aos responsáveis por elas ajudar na identificação de conteúdos inapropriados, não saudáveis ou exageradamente desnecessários. Essa é uma Resolução Nacional, que põe em questão um assunto que deveria ser tratado diariamente: qual a melhor maneira de educar o seu filho em um mundo de exposições fantasiosas, contos de fadas mirabolantes, comidas não saudáveis com cara bonita e coleguinhas da escola dizendo que os papais deles fazem diferente?

Fico aqui, aguardando o comentário de vocês sobre um assunto que muito me interessa e me faz pensar diariamente, mesmo ainda não tendo filhos, mas sabendo a importância que é cuidar deles (crianças e adolescentes) com atenção e disciplina.

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Hayane Souza

Os capítulos da minha vida mudam rápido, assim como as tendências de comunicação. Publicitária apaixonada pelo efeito positivo que o marketing causa.