Comunicar-se com pessoas, próximas ou distantes de nós, já não é das tarefas mais difíceis hoje em dia. Aplicativos, redes sociais, sms’s, ligações ou uma carta que seja, cumpre bem a função. Mas e quando queremos nos comunicar com empresas, instituições ou pessoas públicas?

Também é fácil, a maioria tem redes sociais, SAC, e-mail ou, quem sabe, um Reclame Aqui cai bem. Perfeito. Agora é o momento. Vamos dizer que os preços estão abusivos. Reclamar dos métodos de produção. Criticar o apoio da empresa à determinada pessoa que vai contra seus valores. Reivindicar o direito dos trabalhadores daquela organização. Questionar se é mesmo preciso prejudicar uma comunidade indígena. Relatar nossa insatisfação com a sustentabilidade de fachada que ela tem. Resolvido. Agora é só aguardar alguns dias úteis e pronto!

Quem dera. Pudera. Mas não é bem assim. Quando as questões são sociais e tomam tais proporções, fora das metodologias pré-estabelecidas, o cliente é só o cliente. Não, você não tem razão. Nem voz.

Como então dar um recado deste tamanho?

É aquela velha história, o silêncio diz muito. Sabemos disso. Quando pegamos aquele trem lotado é inevitável pensar: e se todos parassem por alguns dias? Já imaginou o prejuízo? Sim, imaginamos, mas acreditar que isso daria certo é outra história.

Estamos falando sobre boicote e existem inúmeros casos fora do Brasil. O boicote de ônibus de Montgomery na época da segregação racial. O boicote dos londrinos a Israel quando o país atacou Gaza. O boicote de alguns países às Olimpíadas de Pequim.

Nas terras tupiniquins, a atitude é bem menos comum. É até possível encontrar algumas tímidas tentativas ou mesmo um tanto descabidas, como a dos evangélicos em relação à rede Globo. Mas não estamos ao menos acostumados com isso.

Podemos até esbarrar em algumas ameaças, mas nada com tanto impacto. Até porque, é claro, os monopólios nos impedem algumas vezes.
A questão é: por que nem ao menos tentamos? Será que não enxergamos que ao ficar quietos estamos fingindo que está tudo bem e até concordando com tudo? É como foi dito, o silêncio diz muito.

Mas só um recado: não boicote a si mesmo. Sua opinião, posicionamento e vontade devem ser respeitadas por você, antes de tudo. Seja na empresa que você trabalha, na sua casa ou nos produtos que consome.

Por que boicotamos a nós mesmos não acreditando em nossas ideologias?

Nos falta um Luther King?

Reunir pessoas para um churrascão já é difícil à beça. Logo, para um boicote, mexendo com gente grande, dando a cara à tapa, arriscando não dar em nada, é só um pouquinho mais difícil. E encontrar um líder nato, firme em suas convicções, para organizar um movimento é raro. Raridade a pessoa ou encontrá-la?

Mesmo com muito em comum, há uma grande dificuldade em unir pessoas. Nas redes sociais, opiniões são dadas a o todo momento. Opiniões estas, que ao mesmo tempo, constroem ou destroem amizades. Falta de compreensão, ruídos, leitura rápida, implicância, não importa o motivo. É isso o que acontece todos os dias.

Vozes realmente não faltam, mas como reconhecer uma voz verdadeira em meio a tantas informações? Como reunir pessoas tão cheias de vaidade, de dúvidas, de medos? Qual é a melhor forma de chamar atenção para sua causa sem a força de um grupo?

*Se você conhece alguma história de boicote, compartilhe com a gente!
**Nas pesquisas achei algumas páginas interessantes no Facebook: https://www.facebook.com/BoicoteCerto
https://www.facebook.com/BoicoteOConsumismo?fref=ts

 

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Jussara Coutinho

Jornalista com experiência em e-commerce e mídias digitais. Adora falar sobre comportamento e encontrar pessoas que discordem dela com bons argumentos.

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