Há quem diga que conhece a própria empresa mais do que ninguém e que não há pessoa que possa saber o que é melhor para os negócios do que o próprio dono. Agora, verdade seja dita: quem está lá dentro realmente tem todas as ferramentas para identificar onde estão as coisas boas e também onde estão as ruins. Mas o comerciante (sim, não estou falando do empresário!) tem tempo para olhar para dentro dos seus armários, escaninhos, gavetas e cofres, procurando onde está o gargalo? Há tempo para buscar desalinhos de gestão e tropeços de produção no meio desse turbilhão de atividades?

Para quem se identifica com essa característica do gestor de microempresa, quiçá o micro empreendedor individual, que está cada dia mais perto do balcão, atarefado de atividades de produção, liderança, compras, financeiro e atendimento, o termo bater escanteio e cabecear nunca foi tão perfeito para esta atividade do atual empresário brasileiro. Na verdade, o tempo que lhe sobra serve principalmente para por em dia a contabilidade, talvez, dar uma procurada nas novidades do setor na internet, ler uma revista que fale sobre o produto, ou quem sabe, publicar alguma coisa na fanpage da empresa.

Mas para onde vai o planejamento? Se ele planejou abrir a empresa, deve ter analisado muitos dados. Se ele realmente verificou a concorrência, ele precisa estar ligado no que acontece. Mas e se ele não cuidou bem desse plano, se ele resolveu investir aquelas economias e tentou fazer um dinheiro com elas, será que ele estava preparado para o que o mercado iria lhe dar? Eis onde mora o perigo, onde o perfil empreendedor se quebra é na falta de planejamento. Pois o verdadeiro empreendedor precisa ter o seu lado racional, ele precisa prever o futuro com a sua análise dos cenários. O empreendedor pode escorregar, mas ele precisa ter sido prevenido o suficiente para estar usando os equipamentos de proteção adequados para o tombo que ele vislumbrou.

O que um empreendedor precisa de verdade é poder fazer uma análise bem fofa do seu negócio. Não estou brincando, para o leigo, empreendedor de fato, aquele que está tentando aventurar no mercado e no mundo dos negócios, o termo “fofo” pode não dizer muita coisa, mas logo aparecem as letras certas, pondo cada coisa no seu lugar. Você, senhor empresário, dito grande empreendedor pelos seus melhores amigos, que talvez tenha conquistado o seu espaço no mercado, preparou bem o início da sua empresa, com as suas economias e as suas forças. Talvez tenha saído de uma empresa, que lhe pagava horas extras, que lhe proporcionava as férias de trinta dias no auge do verão; agora chegou a hora de planejar o seu negócio para que ele também possa lhe proporcionar todos os benefícios que uma grande empresa costuma garantir aos seus colaboradores mais ou menos dedicados.

Uma análise bem feita dos cenários, uma busca detalhada no que acontece em volta da empresa pode lhe dar os subsídios necessários para uma tomada de decisão adequada para os objetivos que você traçou para a sua empresa. Esperemos que estes sejam os melhores, mas nem tudo são flores, e os cenários que encontramos muitas vezes são verdadeiras armadilhas para o gestor inexperiente.

Logo abaixo estarão listadas as quatro principais percepções que o novo gestor precisa olhar antes de tomar qualquer decisão estratégica na sua microempresa ou no seu pequeno negócio, seja ele um micro ou pequeno empreendedor. Essa análise “bem fofa” pode mudar a sua vida no mundo dos negócios:

F – forças

As forças são todas as atividades ou “ativos” que a empresa possui, que farão ela ter um poder competitivo perante a concorrência. Normalmente uma boa equipe, maquinário de ponta, um ótimo ponto comercial estão entre as grandes forças de uma empresa. Preste atenção em detalhes que talvez não sejam percebidos como uma força, mas que talvez seus clientes atribuam como o grande diferencial do seu negócio: o atendimento, por exemplo, pode trazer ótimos resultados, mesmo que talvez o seu preço não seja o mais atraente do mercado. Toda a força está dentro da empresa, tudo que você pode controlar e buscar pode ser considerada uma força.

O – oportunidades

As oportunidades estão a sua volta. É preciso estar atento a tudo que acontece no mercado, onde estão as boas possibilidades de negócio. Novas empresas que podem ser seus clientes estão chegando na cidade? O seu bairro agora possui um novo meio de transporte? As pessoas passarão a necessitar de novos produtos? Eis aqui oportunidades de conquistar novos clientes. Mais importante ainda é poder enxergar uma oportunidade onde a concorrência vê somente a parte negativa. Importante entender que essas oportunidades não são controláveis e sim, situações que o mercado oferece e que a empresa precisa se adequar àquela realidade. Neste caso, uma boa realidade.

F – fraquezas

Sim, todos nós sabemos que nem só de forças e oportunidades que o mercado é constituído. As fraquezas não se tratam de características do mercado, mas sim, da empresa. Essa variável é controlável, pois o gestor pode buscar uma solução para amenizar as fraquezas, quem sabe, em um cenário agradável, transformando-a em uma força, aplicando ferramentas, cursos, capacitações, para que diminua cada vez mais essa fragilidade. Muitas vezes as fraquezas são facilmente percebidas pelos clientes, que acabam por deixar de comprar na empresa por falta de conhecimento do atendente ou por uma baixa preocupação com a qualidade do produto. Tais elementos são considerados fatores importantes para decisão de compra. São detalhes que podem ser resolvidos e que certamente podem gerar bons resultados a curto prazo.

A – ameaças

São normalmente acontecimentos que a empresa dificilmente pode prever no seu planejamento, mas que são importantes para análises de mercado e concorrência. As ameaças normalmente podem chegar através de um novo plano do governo, um novo imposto ou um grande concorrente que chega no mercado sem avisar. Essas ameaças podem ser consideradas não controláveis, uma vez que dificilmente o gestor tem condições de medir o seu tamanho e o impacto que pode causar na empresa. Para as ameaças, estratégias; o plano de contingência, o famoso plano B pode ser bem efetivo nesses casos. O bom gestor é capaz de transformar as ameaças em oportunidades. Além de conseguir motivar a sua equipe com as suas soluções, pode inclusive criar, a partir desse problema, novos produtos e excelentes propulsores do negócio.

Este texto foi elaborado para o pequeno gestor, aquele que não teve a oportunidade de conhecer bem o mercado ou o negócio antes de iniciar. Ele estava querendo iniciar um comércio, precisava perceber o que iria acontecer para depois tomar as suas decisões. É importante conhecer o chão que vamos pisar, e o melhor passo a ser dado pode ser a realização de uma análise do lugar onde pretende entrar. Lembre-se disso: uma análise “fofa” pode mudar sua vida!

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Jonatan Fortes

Consultor Empresarial
Consultor empresarial, Diretor de Marketing da Fonte de Talentos (RS). Mestrando em Desenvolvimento Regional, onde busca conhecimentos visando aplicar na geração de talentos. Acredita no poder da comunicação e atua na promoção e desenvolvimento de empresas e talentos para o crescimento coletivo.

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