A TI pra valer é uma questão de fazer estratégia e não somente apoio a operação com o uso da tecnologia. Quando digo isso, trata-se de deixar o “I” da informação em destaque frente ao “T” da tecnologia, fazendo com que sua empresa veja a área como uma forma de lucrar mais, não necessariamente apenas diminuindo as despesas, mas tornando-se uma verdadeira vantagem competitiva frente aos seus concorrentes. Como?

Ultrapasse a dimensão dos sistemas, dos procedimentos e dos bancos de dados e alce sua organização para uma questão de relacionamentos, de comportamentos que utilizem a tecnologia. Por exemplo, um cardápio eletrônico para um restaurante certamente visa agilizar os pedidos. Além disso, deve servir para o controle do estoque, pois deve baixar imediatamente o nível daquele produto estocado e acionar o setor de compras. Porém, estes são apenas alguns exemplos de como a tecnologia apoia a operação. Enquanto na verdade estamos discutindo uma TI mais estratégica.

TI Operacional VS TI Estratégica

De acordo com o IT Governance Institute – organização referência no assunto, a TI que suporta as estratégias do negócio deve estar apoiada em 5 pilares:

Entrega de valor: certamente, tecnologia nos faz pensar no futuro. Por isso, pense em algo que você gostaria de fazer daqui pra frente. Esta é a garantia de continuidade para o seu negócio. De certa forma, um sofisticado ERP – sistema que integra toda a empresa, de nada adiantará se não estiver atrelada a uma vantagem competitiva que seja percebida pelo seu consumidor.

Gerenciamento de risco: incorpore responsabilidades na sua gestão para que seja possível controlar os riscos. No final das contas, você deve estar sempre pronto para o pior. É uma questão de confiar na sua segurança. Simplifique os sistemas, torne-os fácil de usar.

Gerenciamento de recursos: otimize os investimentos em matéria prima, equipamento e principalmente no bem mais precioso das empresas: as pessoas. Desta maneira envolva até a alta direção. Sistemas muito informatizados dificultam o relacionamento entre as pessoas.

Monitoramento da performance: acompanhe, o que não pode ser medido não pode ser controlado. Uma alta performance significa atingir os objetivos esperados, aqueles que são traçados no início. Um sistema que entrega pouco e custa caro, talvez não seja a solução que sua empresa precisa.

Alinhamento Estratégico: alinhe os sistemas com a missão da empresa. Mais uma vez, seja compatível. O cliente deve perceber que a tecnologia facilita as coisas para ele e que está diretamente ligada a finalidade da empresa.

Mas para responder a questão chave deste artigo, como desenvolver uma TI pra valer? – tornando a TI mais significativa para o seu negócio, é fundamental ter a definição clara da missão da sua companhia, posteriormente definindo que tipo de liderança tecnológica sua empresa necessita dentre 4 fases:

O líder, o inovador é aquela empresa que coloca a tecnologia a frente do seu negócio. Totalmente voltada para a incorporação da tecnologia nas suas estratégias. Utiliza a TI como um diferencial competitivo. Reduz custos através da TI, aproxima o cliente, melhora processos, etc.. Cria-se uma nova solução diferente daquilo que estava sendo feito até então, como por exemplo, a gigante da inovação Apple. Esse perfil insere a tecnologia de todas as formas que se imagina para se diferenciar frente aos seus concorrentes, ainda que sofra com um alto risco e alto custo, desenvolve projetos para quebrarem paradigmas.

Já o seguidor rápido é aquela empresa que não desenvolve novas estratégias a ponto de ser inovadora, mas que está sempre antenada ao que o mercado está fazendo. Tem uma excelente capacidade de acompanhar de perto seus principais concorrentes e ver o que eles estão fazendo, como por exemplo, a Samsung. Quem vai dizer que ela não é boa, ou que não traz novidades e diferenciação nos seus produtos? Porém não é uma empresa que você espera trazer novos cenários ou lance uma moda. É importante avaliar que tem menos risco. Por conta disto é tão necessário compreender sua missão, pois assim se define que estratégia adotar.

Enquanto isso, o seguidor lento, vê as mudanças no mercado, mas por algum motivo acaba não participando deste movimento em um primeiro momento e sai atrás depois de algum tempo. Quer um exemplo? A Nokia, que por algum tempo, em minha opinião, era referência em celulares, mas que não acompanhou a nova demanda e quando viu já tinha perdido mais da metade dos seus clientes para a concorrência. Em compensação, não foi excluída do mercado e hoje em parceria com a Microsoft tem tudo para dar trabalho novamente.

Por fim, o não seguidor, que se especializa tanto em uma pequena fatia de mercado que parece se dar ao luxo de saber o que a maioria do mercado quer e ainda assim fazer aquilo que ele acha que deve ser feito. Mas esta empresa vai fechar as portas, certo? Não. Veja a BlackBerry com celular de teclado quart, sem tela touch screen, e por ai vai. Nem assim ela está fora do jogo e que eu saiba continua em atividade.

Para nenhuma destas empresas estão faltando sistemas informatizados, linhas de produção automatizadas, enfim, tecnologia. Conheça primeiramente sua missão e visão para depois definir o que fazer com a área de TI.

Voltando ao restaurante com cardápio eletrônico, com uma fonte de dados fornecida em tempo real sobre os pedidos é possível conhecer os pratos preferidos dos consumidores dia a dia e quem sabe lançar um desconto para os clientes?

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Augusto Talarico

As vezes você ganha, as vezes você aprende. O seu grande mestre deveria ser o seu último erro. Perfil: Estudante da Pós ADM- FGV e colunista no Ideia.