A classe C está em voga, com maior poder de compra eles estão chamando atenção por seu consumo, hábitos e comportamento. Há cerca de dez anos o aumento da representatividade deste grupo está causando inúmeras transformações sociais, sendo alvo de diversas áreas de estudo. E não é à toa, a pesquisa “Faces da Classe Média” realizada pelo Serasa Experian em conjunto com o instituto Data Popular mostra que esse segmento do país era composto por 108 milhões de pessoas em 2013 (54% da população), com previsão de chegar a 125 milhões em 2023. O que representaria 58% da população. 

Para o marketing, um prato cheio: consumidores com maior poder de compra! Eles estão consumindo mais e querem consumir melhor, têm a chance de ter aqueles artigos ou marcas que antes não podiam adquirir. Porém, esta democratização do consumo não agrada a todos. As classes mais altas não estão confortáveis em dividir os “seus produtos e as suas marcas”, não querem abrir mão da exclusividade, afinal ela representa o seu status. Também, algumas marcas não tem intenção de associar-se a nova classe média, nem de democratizar os seus produtos.

E trata-se de um público que não passa despercebido, principalmente a parte jovem, que gosta de exibir suas aquisições embalada por funk ostentação. A exemplo dos recentes rolezinhos, encontros combinados na internet que levaram milhares deles aos shoppings na busca por lazer e que, assim como muitos outros aspectos da classe C, divergiu opiniões. Preconceito? Vale lembrar que estes jovens, além de estarem consumindo, são formadores de opinião! E, só para constar, estes mesmos jovens tem um poder de consumo de R$ 129,2 bilhões, valor superior ao que consomem classes A, B e D somadas, também segundo o Data Popular.

A redução da desigualdade é um ponto a comemorar, inclusive a presidente Dilma, em seu pronunciamento antes da Copa do Mundo, valorizou o aumento do emprego e da renda para respaldar os investimentos em aeroportos para a Copa “para, acima de tudo, melhorar o dia-a-dia dos brasileiros que cada vez mais viajam de avião”.

Os valores intangíveis das marcas estão em jogo, uma ascendente e promissora fatia de mercado, além de inúmeras questões sociais, mas o fato é que a Classe C aumentou o prestígio dos setores populares inclusive aos olhares de marketing. Renato Meirelles, presidente do instituto Data Popular e expert em classe C, ressalta que a renda dos mais pobres cresceu três vezes mais que a renda dos mais ricos nos últimos dez anos. Sem contar que a renda de alguns é maior do que a de muitos denominados ricos.

Em suma, um público que não se pode ignorar!

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Caroline Trapp

Gerente de vendas
Publicitária e sócia-proprietária na AnimA Estratégias em Relacionamento. Estuda comunicação, marketing e comportamento de consumo, vê no relacionamento o diferencial de marcas e negócios!