Não é novidade o uso das tendências – ou inspirações para quem preferir – nos mais diversos setores. Esta história, que passou pelo glamour dos cadernos e tomou força no pós II Guerra, hoje tem força total no processo produtivo. São feiras, reuniões, cursos, seminários, grupos de discussão, mais cadernos e outros materiais, e claro, os famosos coolhunters pensando cores e matéria prima, estilos de vida e modos de pensar, os acontecimentos do momento, necessidades e produtos dentre muitas outras questões.

As tendências tem inegável importância no processo de alcance do público alvo, independente do setor. Elas desempenham um papel valioso de aproximar sua proposta de uma identidade similar a do cliente ao mesmo tempo em que consegue mostrar capacidade de se reinventar. Uma marca, por mais fiel aos padrões clássicos, sempre tem uma pontinha de inovação, e é importante pensar em qual medida usar dependendo daquele que você alcança.

Talvez a questão importante neste assunto seja a capacidade de relativizar o conceito de inovação de acordo com o público, e compreender que a sua ideia de novidade pode ser bem diferente daquela de quem você alcança. De modo geral, senhorinhas tradicionais religiosas que gostam de se dizer super modernas provavelmente buscam informação em canais diferentes de uma jovem que tenha uma vida social agitada em vários lugares do planeta, e assim por diante. Mesmo que ambas busquem estar de acordo com “a última moda”, vivem experiências diferentes, leem as informações do mundo com outros olhos, outros ouvidos, outros sentimentos. As visões são diferentes quando foram construídas por caminhos e experiências muito diferentes.

Você produz para pessoas que são alcançadas pela informação de determinada forma quanto tempo depois da informação se consolidar? São pessoas que precisam se familiarizar com ideias novas ou são pessoas que buscam o novo? Estas são perguntas cruciais para entender em que momento lançar uma informação de moda como estratégia de venda. Em que momento a informação chega aos seus clientes? No momento dos salões onde são apresentadas ou depois que viraram mainstream?

Novidades são sempre positivas. Elas mantêm o espírito da marca atualizado e movimentam profissionais e clientes. O que não se pode esquecer é que nem toda tendência tem a cara da marca. Por isso, é importante selecionar o que traduz seu espírito e como isto pode ser trabalhado, seja nos seus serviços ou em um produto acabado. Além disso, a informação da moda pode ser ótima para o seu negócio, depois de certo momento, da consolidação, quando você já vê seu uso de forma constante e ainda não cansativa. Ou por outro lado, tendo um público que busca o exclusivo e diferenciado, pode ser necessário buscar as informações ainda na fonte, quando poucos estão cientes ou confortáveis com ela.

Por fim, tudo isso trata da grande questão que sempre deve estar presente: conhecer bem o seu público alvo. Quando se conhece bem as características, o estilo de vida, os valores, o que faz sucesso ou não no meio em que sua marca alcança fica muito mais claro o trabalho de selecionar ou refutar informações a serem oferecidas. Conhecer o modo, o tempo, a intensidade pelas quais estas pessoas se apropriam da informação que a elas chega é tarefa irrefutável para desenvolver um trabalho coerente, de qualidade e justo com o propósito da marca.

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Carolina Feitoza

Pesquisadora de consumo
Cientista Social e estudante de Design de Moda. Apaixonada por antropologia, arte contemporânea e design. Interessada em comportamento, consumo e comunicação. Atua como pesquisadora de consumo.