No último artigo, (Liderança Servidora – A magia está no propósito) entendemos conceito e o poder do propósito para gerar valor e potencializar resultados. Hoje, vamos mergulhar de cabeça no universo da liderança servidora, conhecendo os princípios e o verdadeiro valor de servir.

Deixe as formalidades de lado, abra seu coração (sem medo de parecer cafona!) e se permita servir. Garanto. Você vai se surpreender!

Deixe esse orgulho de lado, vai!

Está na hora de trocar sua resistência! Se tem uma coisa que a gente carrega com a gente e que, na maioria das vezes, não serve para muita coisa é esse tal de orgulho (sim, entenda presunção). Quanto mais você utilizar dele, mais você estará diminuindo o potencial das pessoas à sua volta e mais você sabotará os resultados de seu time.

Quantos “líderes” você conhece que não sabem ouvir os outros, não aceitam opiniões de “funcionários”, não trocam ideias com outros departamentos e jamais reconhecem o erro (este último, talvez ainda mais fortemente)? Pensou em muita gente, né? Mas e você, será que tem apresentado algum desses comportamentos?

Deixe esse orgulho de lado! Saber reconhecer o erro pode aliviar as tensões e tirar um peso enorme de suas costas. É… Eu sei que justificar é mais cômodo, mais relax e nos dá aquela sensação de “a culpa não foi minha” e, aparentemente, nos tira da posição de fragilidade. Mas será que essa é a melhor opção? Justificar porque as coisas não foram feitas, porque a estratégia não deu certo ou porque as pessoas não deram o melhor de si, definitivamente, não traz solução alguma e só estica o fio do problema. A liderança servidora requer, em primeira instância, ter humildade para reconhecer os erros e aceitar que nem sempre sabemos todas (ou as melhores) respostas. Pense bem. Ter razão o tempo todo não vai te ajudar a construir bons resultados.

Experimente olhar nos olhos das pessoas e ouvi-las atentamente. Todos nós precisamos nos sentir valorizados e percebidos. Quem sabe você acaba descobrindo que tinha, bem aí ao lado, uma grande caixa de ideias infinitas e que as pessoas à sua volta podem ser ainda mais incríveis se forem ouvidas?

“Liderança está diretamente associada à competência na construção de relacionamentos com valores nobres e sobre bases sólidas”. – (Alfredo Martini Júnior)

Gentileza gera… Relações positivas!

“Qualquer que seja o produto ou serviço que sua empresa forneça, você opera no ramo de relacionamento. Já pensou a respeito?”  (James C. Hunter)

Cultivar relações de gentileza com as pessoas é, sem dúvida, um dos maiores ativos da liderança servidora. Pequenas coisas, como um pedido de desculpas sincero, um “bom dia”, “por favor”, “por gentileza”, “eu estava errado”, “obrigado” tem o poder de criar vibrações positivas em qualquer ambiente. Não acredita nisso? Vou lhe contar uma historinha rápida sobre o poder das pequenas coisas.

Essa é a história de uma moça que valorizava as pessoas.

Ela trabalhava num brechó onde se encontrava um pouco de tudo. Certo dia uma senhora bastante obesa entrou na loja, meio tímida, com o olhar baixo.

Logo a atendente pensou: “Poxa, não temos nada na numeração dela…”.

Quando a senhora se aproximou, um pouco entristecida e constrangida, perguntou:

– Você não tem nada grande, né?

E a moça, que até aquele momento não sabia o que fazer, abriu os braços de uma ponta a outra e lhe respondeu sorrindo:

– Quem disse que não? É claro que tem! Olha só o tamanho deste abraço! – E a abraçou com carinho.

A loja toda parou para observar aquela cena. A senhora, pega de surpresa, entregou-se àquele abraço acolhedor e disse:

– Há quanto tempo ninguém me dava um abraço como esse!

E depois de alguns minutos exclamou:

– Não encontrei o que queria, mas recebi o que precisava. Muito obrigada!

O grande pacifista e humanista japonês, Daisaku Ikeda, costuma dizer que gentileza é o mesmo que prezar cada pessoa, valorizando e reconhecendo-a como importante. Seja grato às pessoas e manifeste isso a elas. A gratidão é um dos gestos mais nobres e mais recompensadores que possa existir.

Acredite! Pequenos gestos podem mudar o dia de uma pessoa. Você vai descobrir que essa rede é interminável!

Não. A culpa não é da secretária.

Pode parecer complicado, mas para ser um líder servidor, você deve assumir a responsabilidade sobre o que acontece em sua equipe (dos resultados positivos aos fracassos). Tapar o sol com a peneira e jogar a culpa na secretária que não entendeu direito, no supervisor que não cumpriu o cronograma, ou no fornecedor que atrasou a entrega não vai fazer aparecer resultados melhores. E se você, ao invés de jogar a responsabilidade nos outros, parasse para pensar o que pode ter causado o erro? Às vezes os recursos estão escassos, às vezes as pessoas não sabem lidar com as novas tecnologias, às vezes os prazos estão apertados demais ou simplesmente o fulano está enfrentando problemas familiares. O líder servidor procura entender se sua comunicação tem sido eficaz, se tem ouvido ativamente as pessoas, se as estratégias da empresa são as mais viáveis, se os recursos são suficientes e quais itens devem ser revistos. Ele assume a responsabilidade perguntando-se o que poder fazer de diferente para que todos possam elevar a performance do time.

Definitivamente, a gente não muda o que não está na nossa mão. Então coloque a responsabilidade pelo sucesso do seu time em suas mãos. Potencialize as pessoas e aceite que você também erra e que o erro faz parte do processo de aprendizado. Errou? Entenda o que pode ter dado errado e busque novas formas de fazer diferente. Parafraseando Abraham Lincon, o seu propósito enquanto líder servidor é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns. Cabe a você direcionar as pessoas e conduzi-las a grandes resultados.

Hei! Você também precisa inovar

Acredite! Sua empresa, seu time, cada um dos seus colaboradores e, principalmente, você, líder, precisam de ideias inovadoras. E quando falo de inovação, não estou me referindo a (maravilhosas) parafernálias tecnológicas nem ao menos me restringindo a ambientes extremamente criativos. A inovação acontece quando você aprende a otimizar recursos (conhecimento, tempo, pessoas e dinheiro) e a gerar valor no seu ambiente, seja numa agência publicitária ou numa loja de ferramentas. Mas você tem que fazer acontecer! É como plantar uma grande castanheira. Não basta ter a semente. Você precisa preparar o solo para que ela possa brotar, dar a quantidade necessária de luz, regá-la regularmente, mantê-la livre das larvas e fungos e cuidar para que ela se desenvolva. Toda inovação, assim como a castanheira, um dia foi uma semente. Se você quer usufruir da sombra fresca e dos frutos dela, tem que cuidar para que ela cresça. Ah! E não se engane. Máquinas não geram inovação. São as pessoas que geram ideias, processos e criam coisas que trazem valor à vida das pessoas.

Dê asas ao seu time. Mas certifique-se de capacitá-los para grandes voos.

A autoridade é servidora

Você deve achar um tanto estranho falar de autoridade como um princípio da liderança servidora. Mas fique tranquilo(a)! Vamos descobrir o que a autoridade está fazendo aqui.

Para entender esse item, tenha clara a definição de que poder e autoridade são coisas completamente diferentes. Quando falamos em poder, estamos falando em obrigar as pessoas a fazer o que queremos, mesmo que elas não queiram fazer isso. Já autoridade, envolve a habilidade de levar as pessoas a fazerem – de bom grado – a sua vontade. E não estou falando em manipulação, mas em influência. O líder servidor é dotado de autoridade justamente por sua capacidade de influenciar pessoas a darem o melhor de si em busca de um determinado resultado para o time – e, portanto, para o próprio líder. E servir é a única forma de adquirir este conceito de autoridade.

É a autoridade – e não o poder – o que conduz o líder a ser ouvido, a ser percebido e, principalmente, a ser seguido pelos demais.

“Conte-me e eu esqueço. Mostre-me e eu apenas me lembro. Envolva-me e eu compreendo.”
(Confúcio)

Aprenda a ser líder todos os dias

Este é um dos princípios mais importantes da liderança servidora. Nosso amigo Sócrates, lá na Grécia antiga, já era sabido disso: “Só sei que nada sei”. O líder servidor é aquele que entende que sempre haverá o que aprender e compreende que são as relações o mais incrível instrumento de desenvolvimento e aprimoramento que pode existir. Para ser um líder servidor você precisa entender que não existe líder pronto e que o conhecimento e a sabedoria só vêm para os que estão abertos a ouvir, a compreender as pessoas e absorver a sabedoria das coisas que lhe acontecem.

Não sei qual será seu destino, mas há algo que posso lhe garantir: os únicos dentre vocês que serão realmente felizes são aqueles que buscaram e descobriram uma forma de servir.
(Albert Scweitzer)

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José de Assis

Consultor de comunicação e endomarketing, tem como motivação diária superar desafios. Apaixonado por pessoas, música e pelo Atlético Mineiro, acredita na geração de ideias como o maior instrumento transformador de uma sociedade.