“A realidade é apenas uma ilusão, ainda que muito persistente.” Albert Einstein

O que é realidade? E a realidade do consumidor? Quais são os limites em uma relação entre consumidores e mercado? Questões como essas prometem ganhar força de discussão após a audaciosa campanha de venda da tecnologia de vestir mais cobiçada por todos, o Google Glass. Para milhares de cidadãos americanos e possivelmente alguns poucos escolhidos para engrossar a lista de explorers, os próximos dias serão de expectativa e de monitoramento das caixas de mensagem – os sortudos receberão um e-mail de confirmação para a compra.

Com um incremento significativo no número de usuários do Google Glass – ainda não será desta vez que o Glass ocupará ruas brasileiras –viveremos uma era de muitas transformações, indagações e adaptações. Será que o mercado está pronto para vivenciar tamanha disrupção tecnológica?

Afinal, o que significa a entrada do Glass para a nossa realidade? Resolvi investigar como pensam alguns brasileiros e a partir da opinião de três entrevistados, nos seus variados setores, lançarei para debate os principais questionamentos que deverão surgir com a entrada o Glass em nosso país.

Durante a realização da minha investigação, fiz a seguinte pergunta aos meus entrevistados: como vocês enxergam a entrada e disseminação do uso do Glass em sua realidade de mercado? Compartilho aqui o que Cicinato Carmo, Gabriela Pompilio e Paulo Machado revelaram em suas declarações.

Cicinato Carmo – Especialista em Educação a Distância

Cicinato do Carmo“A entrada do Google Glass no mercado brasileiro apresenta alguns desafios para a educação de ordem pedagógica e administrativa. A miríade de recursos destes óculos inteligentes rompe com as paredes da sala de aula e traz, em realidade aumentada, possibilidades infinitas de pesquisa e aprendizagem. Especialistas e professores deverão encontrar soluções metodológicas que maximizem a experiência dos alunos com o conteúdo escolar e possibilitem a sua aprendizagem. Na mesma medida, legisladores e administradores escolares terão de fiscalizar a utilização destes aparelhos de modo que a privacidade e o uso restrito para fins pedagógicos sejam garantidos. É importante que estejamos atentos a estas questões. Não podemos ignorar o fato de que esta tecnologia veio para ficar e que, cedo ou tarde, será uma realidade nas salas de aula em nosso país.”

Gabriela PompilioGabriela Pompílio – Proprietária da Lovely Gabi Comidinhas Gourmet

“Eu acho que o Google Glass vai mudar a forma que aprendemos. Em cursos online, por exemplo, poderemos ver o confeiteiro usando o ângulo exato, vai fazer da arte de confeitar algo muito menos dramático. Já para a visão do consumidor, o equipamento trará benefícios como uma experiência diferenciada – imagine  poder ver um cupcake em tamanho real e em todos ângulos? Irresistível, não é?.”

Paulo Machado – Professor e consumidorPaulo Machado

“Eu estava conversando com você e imediatamente me lembrei de uma coisa que aconteceu comigo semana passada.
Eu tinha levado meu filho pra uma festinha de aniversário. Minha esposa tinha ficado em casa. Eu tirei umas fotos, filmei o meu filho na piscina, etc. e, logo em seguida, enviei pra ela via WhatsApp. Foi uma coisa engraçada, ao mesmo tempo em que eu ainda me senti meio ‘encantado’ com a possibilidade de fazer isto em tempo real, o impulso de fazer isto veio naturalmente. Como eu já uso o WhatsApp tem algum tempo, ele passou a ficar meio ‘intuitivo’, e ele possibilitou o exercício de um velho hábito (tirar fotos do filho para depois mostrar) de um modo mais imediato.

Acho que o Google Glass vai trazer algo parecido. Essa tecnologia vai trazer novas possibilidades da gente se relacionar com as coisas e com o mundo. Eu não gosto da palavra ‘revolucionário’, que já foi gasta pelo excesso. Afinal, não há nada de revolucionário em tirar fotos do filho na festinha do amigo. Mas estas tecnologias trouxeram um novo frescor às coisas.”

Procurando prever o impacto potencial do Glass em a nossa realidade de mercado, lanço as seguintes provocações:

  • Estando previsto o uso do Glass, o direito de privacidade deverá ser explicitado em contrato quando estabelecida a relação entre o cliente e prestador de serviço?
  • Deveremos pensar em políticas de bom uso para o dispositivo em nossas novas campanhas de marketing?
  • Como mensurar, validar ou responder ao conteúdo gerado por consumidores via Glass?
  • A Educação pede uma política de privacidade em especial? Como lidar com alunos que trouxerem o dispositivo para nossas salas de aula?
  • Precisaremos de políticas mais robustas para lidar com direitos autorais e direitos de imagem?

Os questionamentos são muitos e não podem ser ignorados. Em terra de Glass, quem tem olho é diretor de imagens! A propósito, estou na fila para ter a chance de comprar o Glass e partilharei minhas visões em um próximo post aqui no Ideia.

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Giselle Santos

Coordenadora Acadêmica at Cultura Inglesa - RJ/DF/GO/RS
Formada em Marketing, pós-graduanda em Gestão Estratégica de Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual. Atua como Coordenadora Acadêmica na Cultura Inglesa RJ/DF/GO/RS e é membro do Painel de Especialistas em Inovação do Horizon Report K12 2014. Geek assumida,curiosa por natureza e investigadora de tendências e tecnologias disruptivas. Acredita que para ser feliz é preciso hackear a vida e não se acomodar! Mãe e avó de cachorro e inventora aos finais de semana.