Gostaria de compartilhar com você uma visão de como a semiótica exerce influências sobre seu comportamento de compra, abordarei a análise de alguns padrões e conceitos para qualificar parâmetros e proporcionar um breve entendimento deste processo, vamos lá?

A semiótica para a comunicação da ênfase em estabelecer significados e criar mensagens a transmitir. Para que ocorra essa comunicação é preciso criar a mensagem a partir de signos, que por sua vez, induzirá o interlocutor a elaborar outra mensagem e assim manter o processo sucessivamente.

Santaella em seu livro “O que é semiótica”, explica que: “A Semiótica é a ciência que tem por objeto de investigação todas as linguagens possíveis, ou seja, que tem por objetivo o exame dos modos de constituição de todo e qualquer fenômeno de produção de significação e de sentido”.

Partindo deste pressuposto, se a linguagem está no mundo e nós estamos imersos nesta linguagem, sofreremos influências destes padrões de comunicação, alguns mais que os outros de acordo ao apelo emocional vinculado pela mensagem. As organizações e a mídia exploram o estudo e entendimento deste conceito, pois é a fonte para alavancar ainda mais suas receitas, obter market share e fidelizar o consumidor.

Para entender melhor, outro importante autor do tema (Peirce), explica que há três espécies diferentes de raciocínio, são elas:

1. Dedução – é o modo de raciocínio que examina o estado de coisas colocado nas premissas, que elabora um diagrama desse estado de coisas, que percebe, nas partes desse diagrama, relações não explicitamente mencionadas, que se assegura, através de elaborações mentais sobre o diagrama, de que essas relações sempre subsistiriam, ou pelo menos subsistiriam em um certo número de casos, e que conclui pela necessária, ou provável verdade dessas relações.

2. Indução – é o modo de raciocínio que adota uma conclusão como aproximada por resultar ela de um método de inferência que, de modo geral, deve no final conduzir à verdade.

3. Retrodução – é a adoção provisória de uma hipótese em virtude de serem passíveis de verificação experimental todas suas possíveis consequências, de tal modo que se pode esperar que a persistência na aplicação do mesmo método acabe por revelar seu desacordo com os fatos, se desacordo houver.

Quando você vê, lê e/ou escuta algo relacionado ao consumo, ou que venha há proporciona-lo, está agindo com o raciocínio dedutivo. Já quando o raciocínio é estimulado por algum vínculo que julga ser o correto, temos agora um forte apelo indutivo aos seus parâmetros, às vezes proporcionando até a quebra de alguns paradigmas. Agora, se o raciocínio proporcionar o desejo e trouxer consigo o estimulo à experiência, a retrodução caracteriza-se neste processo.

 Se a exposição da mídia está ligada às relações humanas, está ela também aliada às noções de sentido. É essa a lógica que Tereza Scheiner vai buscar e seu apelo é justamente à percepção deste espaço “as infinitas e delicadas nuances de trocas simbólicas possibilitadas pela imersão do corpo humano no espaço expositivo”. E vai além: não bastando a constatação deste poder sensitivo, ela ressalta ainda o caráter afetivo onde, segundo a autora, “se elabora a comunicação: é no afeto que a mente e o corpo se mobilizam em conjunto, abrindo os espaços do mental para os novos saberes (…)”.

 Autores no tema comentam que as mensagens permeiam toda a biosfera constituindo toda a vida na Terra, o homem também foi capaz de criar um quarto reino o da noosfera (semiosfera), reino dos signos ou das linguagens.

 Wilson Roberto Vieira Ferreira (professor da Universidade Anhembi Morumbi) define este conceito como: “Os símbolos criam uma nova forma de relacionamento com o mundo, digital, descontínua, abstrata. É a manipulação de significantes sem a concreção analógica dos elementos da realidade. A evolução dos índices para os símbolos é a própria evolução do particular ao universal”.

 A mídia nos instiga a se transformar em onipresentes no nosso cotidiano, contudo é preciso ampliar nosso raio de entendimento, precisamos compreender as transformações de ordem social e psíquica, que estão presentes na comunicação e na cultura. Com isso, os filtros no nosso subconsciente começam a surgir e determinar padrões de compra mais condizentes a realidade que almejamos.

 Para finalizar, cito uma das frases mais célebres do poeta Allen Ginsberg, diz: “Quem quer que controle a mídia, as imagens, controla a cultura”

 Pense nisso! Estou à disposição para trocar ideias.

 Forte abraço e boa semana!

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Eduardo Silva

Apaixonado pela vida e suas surpresas, adora uma boa conversa. Especialista em Planejamento Comercial, é palestrante em negociação e vendas.