Nos últimos anos o mundo empreendedor vem sendo sacudido pelas histórias de sucesso das startups. Empresas nascidas do zero, muitas vezes na garagem de casa ou no sofá da sala, que conquistaram o mercado, ganharam dinheiro e transformaram seus fundadores em celebridades. O que muitos não sabem é que essas startups são a exceção. No mundo real, a maioria das empresas desta categoria não sobrevivem aos primeiros estágios de sua criação, não porque suas vendas atingiram níveis baixos ou porque o produto é muito inovador e o mercado ainda não está preparado, mas porque elas não conseguem desenvolver um modelo de negócios significativo.

Criar um modelo de negócios para um mercado que já existe é algo mais natural: você sabe quem é o seu cliente, quanto ele deve pagar, onde ele compra e como ele compra um produto ou serviço que você desenvolve, produz e vende em uma quantidade, por um valor e através de um canal que você já conhece. Mas para uma startup o processo pode ser mais trabalhoso, uma vez que a própria essência das startups é criar produtos e serviços para mercados que ainda não existem.

É precisamente nesse ponto que muitas startups falham. Desesperados na tentativa de conseguir algum capital para investir na empresa, na expectativa de crescer vertiginosamente e ser a nova história de sucesso compartilhada pelo mundo, os fundadores recorrem muito rápido às opções de financiamento em capital de risco e tudo o que tem a oferecer é uma apresentação, um plano de negócios ou, em muitos casos, apenas uma ideia.

Para um investidor, a decisão de injetar ou não dinheiro na sua empresa é baseada em torno de uma questão: “Como ter certeza que a quantia investida terá retorno?”.

OK, ter certeza é quase impossível em investimentos dessa natureza, mas então como diminuir o risco de dar errado? Se uma startup ainda não possui um modelo de negócios, ou seja, ainda não testou o funcionamento do seu produto ou serviço no mundo real não haverá muitas informações disponíveis para o investidor tomar uma decisão. Quando uma empresa já possui dados como número de vendas, adesões, assinaturas, receita etc. fica mais fácil saber que aquele negócio possui algum potencial real de sucesso.

Se você possui uma startup em estágio inicial, ou pretende criar uma, antes de sair correndo atrás de alguém para investir em sua empresa, você deve dedicar uma boa parte do seu tempo na tentativa de desenvolver um modelo de negócios significativo e colocar em prática esse modelo, ou seja, testá-lo no mundo real com clientes reais. Esta tarefa certamente não é fácil e requer muito empenho e dedicação da equipe, mas é o primeiro passo para, quem sabe, garantir um lugar no hall da fama das startups de sucesso.

banner clique
The following two tabs change content below.

Sued Lima

Especialista em Operações de Negócios at Accenture
Graduado em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco, atuou nas áreas de Treinamento e Desenvolvimento de Pessoas, Marketing, Vendas, Desenvolvimento de Software e Gestão de Projetos e Pessoas em empresas de diversos ramos e tamanhos. Apaixonado por empreendedorismo, inovação, startups e gestão empresarial. Tem como missão ajudar o máximo de pessoas possível e construir uma poderosa rede de transformação social, mercadológica e econômica.