Recentemente tive a oportunidade de assistir a um documentário, chamado Blackfish (disponível no Netflix), que me trouxe diversas reflexões do início ao fim. O documentário aborda a questão de como as baleias assassinas (as orcas) são capturadas, treinadas e cuidadas em parques, como o famoso Sea World, e relaciona tudo isso aos ataques destes animais contra seus treinadores, mostrando que por bem ou por mal há uma razão e um sentido para estas fatalidades.

Além de recomendar o Doc., que exibe toda a discrepância entre a realidade e a imagem vendida, quero compartilhar aqui algumas questões pertinentes ao marketing de consumo e nosso papel social;

Será que somos tão ingênuos assim?

Você já parou para pensar na procedência de tudo o que consome? Eu sei, é muita coisa e pode até virar neurose, mas vendo o documentário eu pude pensar em como os bastidores podem ser tristes não só em produtos físicos que consumimos e levamos para casa, mas também em experiências, como curtir um show espetacular de uma baleia a poucos metros de seus olhos.

O show é realmente lindíssimo e pode ser o sonho de muitos, sonho este que é vendido em propagandas perfeitas e baleias de pelúcia vendidas em larga escala. A questão é: reverenciamos, aplaudimos e deixamos nossos olhos brilharem sem nunca questionar a condição em que tudo acontece. O marketing é perfeito, é tudo mágico e nós compramos. Com o que mais será que compactuamos? Todo este encanto é à custa de que? De quem?

Até quando as marcas vão maquiar este lado?

Inúmeras empresas estão envolvidas com a degradação ambiental ou com a extinção de animais, por exemplo. Geralmente, essas empresas são grandes e, assim sendo, são detentoras da informação e manipuladoras da mídia. É a realidade, o marketing que serve para o bem também serve para o mal e nem sempre ficaremos a par do que deveria ser de nosso direito. Em relação ao Sea World, vemos que diversos ataques anteriores ao que ‘explodiu na mídia’ foram abafados e até neste foi visto claramente a tentativa de colocar a culpa na treinadora. Se a receita é alta, assim é seu poder e sua influência.

Será que estamos mesmo preocupados?

Conhecemos a sede de consumo muito bem, assim como o desinteresse em ler um simples rótulo ou data de validade. E neste contexto ficam as dúvidas: você quer mesmo saber o que está por trás do que consome? Você mudaria os seus hábitos por isso? Quanto tempo você dedicaria para conhecer os valores de uma empresa que produz algo que você consome?

Você por acaso deixaria de consumir sua Coca-Cola geladinha se soubesse que ela está comprando açúcar cultivado em terras indígenas, pela Bunge, no Mato Grosso do Sul?

Isso é verdade, está na rede e poucos sabem e mesmo que soubessem, alguma coisa mudaria?

Pode ser que não, mas que ao menos tenhamos a consciência dessa cadeia de interesses que recai sobre nossa natureza, nossos animais e nossa família. Será que podemos dosar melhor nossa participação neste lado não tão bonito do homem?

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Jussara Coutinho

Jornalista com experiência em e-commerce e mídias digitais. Adora falar sobre comportamento e encontrar pessoas que discordem dela com bons argumentos.

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