Com tantas plataformas hoje disponíveis, tantas ferramentas de análise, vários aplicativos de monitoramento e que proporcionam um retorno do que acontece no ambiente da era digital, com as pessoas se envolvendo nesses sistemas de avaliação comportamental que geram polêmicas, discussões e processos, uma coisa é notável: nunca houve uma preocupação tão grande com a imagem pessoal dos seres presentes nas mídias sociais quanto há hoje.

É incrível a força que este fato tomou e o quanto vem crescendo e se arraigando na conduta das pessoas que utilizam da tecnologia digital como (único) meio social, ou seja, como sua ferramenta de relacionamento.

Muito se tem dito que marketing é relacionamento, de que manter uma comunicação estável via redes sociais, por exemplo, é de grande importância. Bem, de fato é sim, sem dúvida. Mas, note o quanto nós, meros apreciadores deste mundo onírico e multiplicador de “laços de amizade”, estamos comprometidos de forma fiel – e fanática – a esse ambiente “internético”, à suas regras. Um mundo não físico, mas que pode proporcionar experiências tangíveis. E onde estão estas experiências envolventes da vida off-line? Será que se perderam? Será que estão se perdendo? Ou será que estão no caminho a se desvanecerem na história da comunicação? Não. Claro que não. O toque, o olho no olho, o arrepiar da pele, a transpiração da emoção, o hematoma da tensão, a temperatura de um abraço, o som que vem dos passos, o sorriso do chorar alegre e as lágrimas do sorriso inconsolado…Ainda há muito disso por aí fora das polegadas de seus monitores, eu sei. Mas então, por que vemos pessoas procurando por relacionamentos “fakes” na internet, por números de curtidas e seguidores de passos twitados? Sabe por quê? Porque estes tipos de serviços existem – serviços que aumentam suas curtidas, suas visualizações e suas notas, só não elevam sua autoestima. E existem porque as pessoas “precisam” deles. statusÉ nítido que precisam – ou acreditam precisar – pois estamos com as nossas imagens vulneráveis, a mercê de avaliações e notas acusadoras de nossos comportamentos. Como se levantar cedo, usar de um transporte coletivo angustiante aliado ao trânsito imóvel da metrópole, atentar ao meu e ao trabalho de meu companheiro de escritório, correr para a aula, fora todas as influências externas que ocorreram durante este meu dia, como se tudo isso não fosse suficiente eu ainda tenho que me preocupar com minha posição na rede social. As 18 horas – e até mais – acordado com as tarefas de minha manutenção existencial não são nada perto dos 30 minutos que um post viraliza na internet. E esse post carrega em si muito mais do que meras palavras, tem reputação, valores, história, tem o seu futuro!

O marketing pessoal do meio digital está mais gritante. As pessoas buscam inúmeras maneiras um “melhoramento” de suas avaliações, e por outro lado buscam avaliar pelo mesmo caminho os seus contatos. Pelo jeito, estão todas aptas a julgar e fazer indicação nesse mercado. Aquela frase “você é o que compartilha” deve mesmo ser um fato. Não ouso nem me estender mais.

Só espero que esta nossa (baixa) imunidade à rede não nos transforme em automatizados Lulu’s da vida, isso se já não formos, e talvez, já éramos há muito tempo e não precisamos de nenhum aparelho para isto.


Marcos-Holanda

 

 

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Marcos Holanda

Curioso. Inconstante. Inconformado. Seria interessante me conhecer um pouco mais pelos meus textos, eles representam parte de mim. Então, boa leitura!