Que lições o marketing e a economia podem tirar da situação de Eike Batista?

Que lições o marketing e a economia podem tirar da situação de Eike Batista?

Neste artigo conto com a participação do meu amigo Rodrigo Leontino, economistêro e planilhêro de carteirinha, para me ajudar a descrever algumas lições que podemos aproveitar com a história do Sr. Eike Fuhrken Batista.

Todos sem dúvida conhecem nosso amigo, que em dois anos perdeu R$ 60 bilhões, acumulou más notícias e viu sua imagem se deteriorar. Mas quais as lições que o marketing e a economia podem aproveitar dessa telenovela?

Do ponto de vista do marketing em grande parte de sua vida ele fez um trabalho excelente, criando o personagem do ‘empresário modelo’, no qual todos deveriam se espelhar. A construção do marketing pessoal de Eike deu tão certo que além de referência de sucesso ele focou esforços em outras áreas como causas sociais (leilões beneficentes, pacificação de favelas, eventos culturais, projetos ambientais), palestras sobre empreendedorismo, se aventurou como escritor com os livros “O X da Questão” e “O que é a Visão 360º” e passou ser figurinha carimbada em programas de televisão (Jô Soares, Fantástico, Teletom…). A esta altura sua imagem como Rei Midas já estava formada.

Mas se estava tudo bem, o que aconteceu enfim?

bolsa-de-valoresArrojado como sempre em suas projeções e negócios, Eike criou a OGX (empresa de exploração de petróleo e gás) e como sua imagem estava em alta, existiam milhares de pessoas dispostas a ‘pegar uma carona’ comprando ações da empresa. Pouco tempo depois a empresa começou a apresentar resultados aquém do esperado sobre a quantidade de petróleo encontrado e sobre os poços, que estavam secos. Aí começaram os primeiros ‘calotes’.

Pouco tempo depois do ocorrido Eike afirmou que por não ser um conhecedor do ramo petrolífero foi enganado por seus executivos. Um erro primordial que qualquer profissional de marketing se esforça para não cometer: ‘Não conhecer seu produto’.

Economicamente o fracasso das empresas de Eike Batista é um exemplo bem nítido do risco embutido no investimento em ações. Eike usou a abertura de capital das suas empresas para financiar seus negócios em fase pré-operacional (ou seja seus negócios efetivamente não existiam quando as ações foram lançadas na Bolsa de Valores). Os investidores que compraram ações das empresas de Eike acreditaram no grande poder de convencimento do empresário de que ele estava a frente de projetos com alto potencial de ganho.

Durante o tempo em que o mercado demonstrava euforia com o empresário e apenas notícias boas circulavam sobre estes projetos, quem investiu em ações das empresas “X” viu os ganhos se multiplicarem. A partir do momento entretanto que fatos concretos sepultaram tal otimismo (em suma: os projetos estavam longe de conseguir apresentar na realidade as previsões otimistas de Eike) o valor das ações se deteriorou e por consequência, os ganhos dos investidores também derreteram. Por mais que pese o fato de que muitos acionistas se sentiram lesados pela série de notícias otimistas que eram veiculadas sobre as empresas, que provocavam a ilusão de que tudo ia bem com elas, é este o jogo do mercado de ações: você investe em uma ação porque acredita em um determinado negócio, e se o mercado julgar que o negócio não é tão bom, o valor das ações cai e você fica no prejuízo.

Por isto, para fazer este tipo de investimento é preciso se cercar de muita informação, análises confiáveis e, muito importante, não se deixar levar pela euforia.  (Como aconteceu com as empresas de Eike. As pessoas se empolgaram e não se deram conta que algumas das empresas não tinha nem começado concretamente a produzir qualquer coisa.)

 

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Roberto Rocha

Profissional e Consultor de Marketing; Analista em Mensuração de Investimentos em Marketing/Comunicação; Designer.

3 thoughts on “Que lições o marketing e a economia podem tirar da situação de Eike Batista?

  1. Ou seja, resumindo, quem investiu é apenas o sujeito que é “zóião”, com muito dinheiro e sem nenhuma capacidade ou sem a devida retaguarda de pessoas para o auxiliar, qto. a questão do Marketing pessoal de Eike perfeito, porém, se as pessoas soubessem e tivessem o mínimo de entendimento e inteligência, conseguiria entender, que marketing pessoal é perigoso, pois muitos que os fazem muito bem, geralmente são pessoas ineficazes e só vendem boa imagem e ilusão…

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  2. Enfim, um exemplo do que não fazer. Confiança em seus clientes (e pessoas em geral) é algo demorado, e destruído de maneira rápida, basta um erro como o do Eike.

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