No artigo anterior aprendemos como transformar nossos sonhos e desejos em objetivos e metas e como torná-los mais efetivos. Agora, vamos conhecer um pouco mais sobre o líder coach, entendendo a importância de desenvolver novas competências para obter grandes resultados. Antes de tudo, prepare-se para rever sua trajetória e acertar o prumo das velas. Para adquirir grandes objetivos é preciso mudar comportamentos improdutivos e desenvolver novas habilidades. Prontos?

Suponhamos que você esteja procurando uma nova casa para morar. Seu velho apartamento é relativamente grande, mas já não supre suas necessidades. Você quer quartos mais arejados, ambientes mais iluminados e um quintal para cultivar algumas plantas. Começa a busca pelo lugar ideal e por algumas semanas você visita imóveis, gosta de alguns deles, até que um dia encontra uma linda casa com o quintal dos sonhos. Tudo acertado, dentro de alguns dias você fará a mudança. Agora é dar início aos preparativos! Você começa a encaixotar suas coisas e, nesse processo, acaba se dando conta de que terá mais trabalho do que imaginava. São muitos livros, roupas e objetos de decoração por todos os cantos, além dos muitos móveis acumulados no apartamento, e você terá que abrir mão de alguns deles. Esse processo é difícil, leva tempo, requer muito esforço para separar e encaixotar todas as coisas e algumas vezes você pode até pensar em desistir dessa ideia trabalhosa e ficar por ali mesmo. Mas, você sabe que o esforço é necessário e o desejo de ter um novo lar faz você continuar o trabalho. No fundo, toda mudança é assim, é difícil, requer disciplina, esforço e dedicação – seja a mudança de endereço ou de comportamento. Queremos coisas novas, lugares novos, resultados melhores, mas para isso é preciso aceitar que precisamos nos desfazer de alguns objetos (coisas, comportamentos e atitudes) para abrir lugar para esses novos resultados. Mãos à obra!

Sobre competências

Entenda os tipos de competências:

  • Cognitivas: relacionadas ao raciocínio.
  • Perceptivas: saber como quando e onde fazer.
  • Motoras: competências básicas da vida, ações que envolvem movimentos físicos.
  • Perceptivas-motoras: envolvem elementos dos três anteriores: raciocínio; detecção de interpretação da ação; execução dos movimentos.

Sabemos quando um indivíduo é competente quando ele tem a capacidade de coordenar suas atitudes, habilidades e conhecimentos para obter um desempenho elevado e principalmente quando ele sabe o que fazer (conhecimento), como fazer (habilidades) e quer fazer (atitudes). Se um desses elementos estiver faltando, não se pode falar em competência.

E não existe idade para aprender!

Antigamente, acreditava-se que nosso cérebro só produzia novos neurônios durante a infância e que a partir daí as únicas áreas que continuavam a produzi-los e a criar novas ligações neurais eram aquelas ligadas à memória, como o hipocampo. É essa plasticidade cerebral (capacidade de produzir novos neurônios e novas ligações entre eles) que possibilita adquirir conhecimentos e a desenvolver novos comportamentos, por exemplo. Acreditava-se, portanto, que a capacidade de aprender diminuía com o avançar da idade. Porém, a neurociência veio provar o contrário! Através de estudos sobre a neuroplasticidade, chegou-se a conclusão de que nossa capacidade de aprendizado não é perdida ao longo dos anos, como se imaginava e que nosso cérebro continua a produzir novas células e ligações neurais em todas as áreas, independente da idade. Uma novidade e tanto, não é mesmo? E os estudos nos dão, ainda, uma receita para continuar desenvolvendo nossa capacidade de aprendizado. Práticas diversas como exercícios físicos, raciocínio lógico e meditação, estimulariam novas ligações entre os neurônios, aumentando nossa capacidade cerebral. Realmente não há idade para desenvolver coisas novas! Quer um exemplo? Jim Henry, é um ex-pescador estadunidense que decidiu aprender a ler aos 91 anos de idade. Ele aprendeu, se alfabetizando em apenas um ano, mas ainda não era o bastante para ele. Sete anos depois, Jim surpreendeu a todos publicando seu primeiro livro de contos, com suas memórias de navegação.

Depois dessa história incrível, vamos entender como funciona o processo de aquisição de competências.

Os irmãos pesquisadores Stuart e Hubert Dreyfus, da Universidade de Berkeley nos Estados Unidos, desenvolveram um modelo explicativo deste processo.

Segundo o Modelo Dreyfus, a aquisição de novas competências e comportamentos passa por um processo de cinco estágios:

  • No primeiro estágio (Noviço) ainda não desenvolvemos uma visão analítica sobre o que estamos aprendendo. Sabe-se o que fazer, mas não se tem a percepção de quando ou exatamente como fazer.
  • Neste estágio (Iniciante avançado) começamos a desenvolver nosso senso crítico e a ter uma visão mais claramente e analítica, entendendo e trabalhando os aspectos necessários para tornar-se competente.
  • O terceiro estágio (Competente) o aprendizado começa a tomar uma proporção maior à medida que desenvolvemos uma noção dos objetivos deste aprendizado. Aqui, aparecem mais claramente as noções de quando e como fazer.
  • Após adquirirmos essas competências, partimos para o quarto estágio (Proficiente). Aqui, nossa análise do todo já foi bem desenvolvida e sabemos nos adaptar as situações, priorizando determinados aspectos que nos conduzirão a melhores resultados. Por mais que o padrão convencional indique uma ação determinada, nesse estágio sabemos quando devemos fazer diferente e nos arriscamos.
  • No quinto estágio (Expert), o que já era feito com proficiência, agora é feito com maestria. Sabemos exatamente o que deve ser feito, como e quando fazê-lo e executamos com facilidade.

Entender esse processo, sobre como adquirimos novas habilidades, nos permite partir para a próxima fase do aprendizado de hoje e que mais interessa a você nesse artigo: o como fazer.

Os sete passos para a aquisição de competência

Identificação:

Você já sabe aonde quer chegar, mas isso não é suficiente para obter os resultados desejados. É preciso identificar quais as competências necessárias para chegar lá. Pergunte-se:

– Que habilidades eu preciso desenvolver para alcançar meu objetivo?
– O que eu preciso desenvolver para me tornar um profissional mais competente?

Se preciso, inspire-se em pessoas que obtiveram esses resultados e nos comportamentos e competências elas têm que você precisa desenvolver. Essa fase nos permite identificar o que é preciso para alcançar os objetivos desejados e a partir daí, traçar o caminho até o resultado.

Entendimento:

O que você está deixando de ganhar sem desenvolver esta competência? Pense na ultima vez que você teve de usar esta competência e pergunte-se:

– Como você se saiu?
– O que poderia ter acontecido, que resultados teria obtido se já tivesse desenvolvido esta competência antes?

E agora, você está motivado a alcançar esta competência?

Assessment:

Defina, em uma escala de 0 a 10, o quanto você acha que essas competências são importantes e necessárias para você alcançar seus objetivos.

Aquisição:

Não economize nesta fase! Faça uma lista de todos os comportamentos e habilidades que você precisa para se tornar um expert nesta competência. Cursos, leituras e etc. Elabore um plano de ações definindo exatamente o que vai fazer, quando vai fazer, onde e os recursos necessários (tempo, dinheiro e pessoal).

Experimentação:

Essa é a fase de tentar novos comportamentos que o direcione a esta competência. A competência só pode ser afirmada quando demonstrada por comportamentos. Pense nos comportamentos de alguém que chegou lá e utilize-os.

Prática:

A única forma de tornar um comportamento efetivo e se tornar expert em determinada ação é repeti-la continuamente. É o que afirma o psicólogo estadunidense Anders Ericsson, da Universidade do Estado da Flórida, nos estudos sobre a prática deliberada. Mas é preciso saber o que é para que você estar fazendo isso. Isso o fará dedicar-se a este objetivo. Além disso, é preciso dar um passo de cada vez, fazer o que deve ser feito de forma ordenada e sem ultrapassar sua capacidade de execução.

Aplicação:

Não deixe de procurar oportunidades desafiadoras para praticar estes comportamentos expandindo seus próprios limites! Como disse o filósofo grego Aristóteles: “Nós somos o que fazemos repetidas vezes. Portanto, a excelência não é um ato, mas um hábito”.

No próximo artigo, o último da série sobre Lider Coach, vamos aprender algumas técnicas altamente eficazes para a mudança de comportamentos.

Até o próximo artigo!

José-de-Assis

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José de Assis

Consultor de comunicação e endomarketing, tem como motivação diária superar desafios. Apaixonado por pessoas, música e pelo Atlético Mineiro, acredita na geração de ideias como o maior instrumento transformador de uma sociedade.