Em um mundo cada vez mais tecnológico, as relações humanas estão sendo mediadas em grande parte, pelos meios e não mais pelas pessoas e pelo tradicional face a face. O viés negativo dessa forma de comunicação e interação é a assimetria e frieza com que se constroem os relacionamentos. Essa é uma crítica de nossos tempos, reforçada por Dominique Wonton, no livro “Informar não é Comunicar” (o qual sugiro como leitura). Além disso, caminhamos para um paradoxo: excesso de informação e ao mesmo tempo, de incompreensão. Mesmo sem a mediação dos meios, há uma barreira invisível que não efetiva relacionamentos duradouros entre pessoas e pessoas e, pessoas e instituições.

Nas organizações, isso pode ser verificado com muita ênfase. Nunca se investiu tanto em programas, estratégias, ações e planos para comunicar aos públicos, na tentativa de buscar entendimento e fidelização. Por outro lado, muitas dessas ações fracassam (tempo, vontade e dinheiro desperdiçados) diariamente pela impossibilidade de sensibilizarem e fazerem sentido às pessoas. Mas então nos perguntamos: há falha nas estratégicas, ineficácia na informação, erro na seleção do público de interesse, execução de um plano no tempo e local errado, etc? Tudo isso pode ter sentido, mas a grande e questão central é uma só: falta amor nos relacionamentos e nas organizações.

Amor, essa é a palavra chave para o enfrentamento da era da tecnologia e da informação. Não há ação de comunicação eficaz enquanto a essência dos relacionamentos não se basear pelo amor. Principalmente na comunicação interna, tal fato “cai como umaamor-trabalho-profissionais luva”. O sentido dessa palavra, neste contexto, compreende entender o outro em suas múltiplas e diferentes dimensões, compreende, colocar-se no lugar do outro quando o mais fácil é discordar e inferiorizar ele, compreende enfim, ouvir, dialogar, reconhecer as diferenças, o que nos é estranho e, a partir disso, construir relações (planos, programas e ações) embasados na compreensão e na humanização. E deve-se lembrar sempre, que amor não é só aparência, mas antes de tudo, essência. Amor, por vezes, é dor, porque nos faz abrir mão de nossas visões em detrimento das do próximo, é humildade, é recolhimento para deixar o outro também “aparecer”. Não é fácil praticá-lo, mas é o caminho mais certeiro para construções de relacionamentos sólidos (organizacionais e pessoais).

Uma organização sem amor é um prédio frio, departamentalizado onde as pessoas trabalham para ganhar seu sustento, competem excessivamente entre si, mal se olham ou se cumprimentam e, onde levantar para ir ao trabalho é um sacrifício diário. Nessa égide não há comunicação que rompa com a barreira da incompreensão e do desolamento das pessoas. Já, uma organização onde há amor, também há problemas, no entanto, há sentido nas coisas, as pessoas são valorizadas em suas diferenças e reconhecidas pelas suas pequenas conquistas. Os gestores dão “bom dia” e são o espelho do que a organização prega e acredita. Os funcionários sabem o sentido de seu trabalho e de seus colegas.

Mas ai você vai me perguntar: mas a comunicação não deveria ser responsável por criar esse clima de amor nas organizações? Sim, esse é o grande desafio da comunicação em tempos de tecnologização das coisas e pessoas, contudo, em uma organização que não há a crença no amor como prática organizacional diária, não há possibilidade de comunicar. Nesse contexto, apenas informa-se.

Por isso, propagar o amor, é uma tarefa coletiva, que deve ser estimulada constantemente pela comunicação, porém, é um trabalho lento e, que precisa encontrar eco em primeiro lugar, na alta direção das empresas. O amor deve estar na essência e na crença das organizações. E precisa ser uma filosofia defendida e compreendida principalmente pelos gestores. E ai lhe pergunto: a sua empresa cultiva o amor?

Referência:
Dominique Wolton. Informar não é Comunicar.

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