Muito antes de dar as caras no universo corporativo, a palavrinha feedback já circulava por outros campos do saber. Curiosamente, o termo tem sua origem nas ciências exatas e biológicas, mais precisamente na Teoria de Sistema e de Controle. É através dela, por exemplo, que a biologia sistêmica explica as reações do nosso corpo a estímulos internos e externos. Se você está andando descalço e num determinado momento pisar em alguns espinhos, uma mensagem será imediatamente enviada para o seu cérebro que instantaneamente disparará uma resposta (feedback), um sinal de emergência para que você tire o pé dos espinhos e evite se machucar ainda mais. As definições literais do termo inglês incorporado à nossa língua, traduzem feedback como “retorno”, “retroalimentação”, “realimentação” e indicam este ciclo de mensagens e respostas de um sistema, da matemática/física à comunicação/administração.

O conceito aplicado à administração – nosso foco de análise -, indica feedback como um processo essencial para toda empresa, com importância estratégica para a gestão de processos e para o desenvolvimento contínuo. Nessa série, vamos explorar tudo aquilo que você precisava saber sobre o poder do feedback.

Explorando os conceitos desconhecidos

Imagine que você está perdido em uma densa floresta. Você quer e precisa sair dalí o mais rápido possível, mas não faz ideia de qual caminho deve seguir. Você olha em volta e milagrosamente encontra um mapa que te mostra precisamente onde estão as saídas. Ótimo! Agora é só pegar o mapa e seguir em frente, certo? Não exatamente! Antes de qualquer coisa é preciso saber onde você está, em qual posição da mata densa você se encontra para que possa saber qual caminho deve percorrer.

Quando falamos do universo corporativo, as coisas não são muito diferentes. Em qualquer circunstância, para que você encontre o melhor caminho, escolha as melhores opções e execute as melhores estratégias, em primeiro lugar, você deve saber onde você está. A melhor e mais efetiva maneira de sabermos como chegar aonde queremos é entender onde estamos. E aqui entra o feedback! O processo estruturado de feedback permite que você compreenda de maneira clara quais são seus pontos fortes, suas habilidades e competências, quais comportamentos e atitudes devem ser mudados e o que deve ser desenvolvido.

E como aplicar feedback? Antes de explorarmos esta questão, vamos analisar alguns pontos essenciais para que possamos compreender o real conceito de feedback e aí então, aplicá-lo com eficácia.

  • O feedback não é e não pode ser visto como um bate-papo informal. É importante tratá-lo como um processo e estruturá-lo como tal. Justamente por não ser informal, deve ser minuciosamente elaborado. Estar preparado tanto para oferecer como para receber o feedback é o que trará o resultado esperado.
  • Tenha clareza sobre o que está buscando. Se você está oferecendo o feedback, pergunte-se em qual aspecto você quer direcionar/desenvolver a quem vai recebê-lo. Se você está recebendo, saber sobre o que você quer fará com que você escute mais ativamente e se posicione para melhorar o que deve ser melhorado.
  • Feedback deve se tornar um processo sistêmico e consistente. Pouco irá contribuir se você se reservar a dar feedback a alguém apenas uma ou duas vezes por ano.
  • Todo mundo precisa de validação. Seja o colaborador, o supervisor ou o diretor geral, todos precisam validar suas práticas, habilidades e competências para que possam traçar um plano de ação ao autodesenvolvimento. O feedback que recebemos é o que gera essa validação. Grande parte do que percebemos sobre nós mesmos (no que sou bom, o que posso melhorar e o que preciso mudar) tem origem no que os outros percebem de nós, no feedback que estes nos oferecem.
  • Esqueça o feedback negativo! A principal premissa do feedback é trazer uma contribuição relevante para o indivíduo que o recebe. Tanto o feedback dado a elogios quanto aquele dado a melhorias, trazem benefícios para ambos. Portanto, não existe feedback negativo. Existe feedback mal estruturado.
  • Feedbacks de reconhecimento e elogios devem ser dados, preferencialmente, em público. Já os feedbacks direcionados a pessoas que apresentam baixo desempenho, por exemplo, somente em particular.
  • Estabeleça o processo como uma prática constante no processo de liderança. Você como líder também pode e deve receber feedback dos colaboradores. O combinado dessa troca de contribuição é fundamental para dar a abertura necessária para o processo de feedback.

No próximo texto da série “Mas, afinal, o que é feedback?” exploraremos os tipos de feedback, o que é um Feedforward e como uma estratégia de aplicação de feedback bem estruturada pode trazer mais (e melhores) resultados para o seu negócio.

Até o próximo artigo!

José-de-Assis

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José de Assis

Consultor de comunicação e endomarketing, tem como motivação diária superar desafios. Apaixonado por pessoas, música e pelo Atlético Mineiro, acredita na geração de ideias como o maior instrumento transformador de uma sociedade.