O conhecimento que adquirimos e, que é fruto da evolução de saberes que edificam uma sociedade, precisa produzir retornos positivos para a humanidade.

Nos últimos dias, o país e o mundo voltaram-se para o movimento de reivindicações e de lutas que se ilustra no Brasil. Muito se falou e se fala do protagonismo das redes sociais nesse contexto, da luta contra a corrupção, do ressurgimento da cidadania coletiva, da busca conjunta por um país melhor, dentre outros. Todos esses, são fatores importantíssimos, mas aproveitando esse momento, eu gostaria de chamar a atenção para um fato implícito nesse cenário e que merece ser discutido pela sua relevância para a conquista e permanência de uma sociedade melhor. Ele se refere à maneira como e a serviço de quem nós usamos nosso conhecimento e nossa técnica enquanto profissionais, pois a situação de injustiça que ora se combate, e que já vem de muitas décadas, é a ilustração de uma sucessão de apropriações do conhecimento para o bem individual e não para o bem comum, é também, o retrato de resvalos éticos e posturas de mesquinharias e individualismo no campo profissional e, que afetaram a todos.

judge-medical-malpractice-doctorE não existe um, dois ou três culpados, é bom lembrar disso para não incorrer no erro de achar um judas somente nessa história. Mas é imprescindível não esquecer, que a manutenção de uma sociedade mais justa e mais ética, depende das atitudes de cada um na sua cotidianidade. É fato que uma sociedade melhor é edificada quando houver uma consciência coletiva que abrange desde os políticos, juristas, empresários, até os cidadãos “comuns”. No entanto, essa realidade começa no posicionamento individual, firme e consciente, assumido e reafirmado diariamente. É ai que entra a postura e a responsabilidade de todos na construção de um mundo mais igualitário.

Vendo essa multidão de jovens, principalmente universitários, que atualmente vai às ruas para buscar justiça, é pertinente nos questionarmos acerca da contribuição que nós, via nossas carreiras estamos oferecendo ao país, pois afinal, é no terreno do conhecimento que as mudanças importantes ocorrem (e elas podem ser para o bem ou para o mal).

O mundo que temos hoje é fruto da apropriação do saber que fora feito por cada um, desde os tempos primórdios, e, se nossa situação atual é boa ou ruim, é em virtude desses desdobramentos. Por exemplo, quando um político eleito faz seu juramento ou na ocasião que um jovem se forma e promete usar sua técnica a serviço da sociedade, ambos assumem o compromisso de usar sua carreira e conhecimento para o bem comum, fato que podem seguir, ou ignorar e ir na contramão da coletividade, provocando mudanças negativas. Quando um pesquisador faz uma grande descoberta, ele pode decidir entre colocá-la a serviço da humanidade ou contra ela. Assim, cada decisão individual, levará a sociedade a um certo direcionamento. Essas são algumas poucas ilustrações para demonstrar o quanto nossa carreira e nossa técnica interferem no mundo. Eis que, dessa forma, o conhecimento pode ser considerado o motor que move as decisões, que orientam as coisas e a vida das pessoas. E esse é o momento de refletirmos também, sobre o que estamos fazendo com ele.

A serviço de quem nossa técnica é usada diariamente: do “eu” ou da coletividade? Somos cientes da nossa responsabilidade enquanto profissionais e pensadores na edificação de caminhos melhores para todos? O que fazemos tem sentido para nós? E para os outros? E para o planeta?

Acredito que toda carreira tem seu papel social e pode de alguma forma, contribuir para um mundo melhor. O conhecimento que adquirimos e, que é fruto da evolução de saberes que edificam uma sociedade, precisa produzir retornos positivos para a humanidade.
Pense bem nessas questões sobre sua via profissional e na relação dela para a construção de um mundo melhor. É hora de aproveitarmos esse movimento coletivo e justo, para exercitarmos também a consciência sobre nosso papel e de nossas carreiras no mundo.

E é válido salientar que no contexto atual, as melhores possibilidades se abrirão cada vez mais, para aqueles que souberem aplicar suas ideias e sabedoria a serviço do bem comum e, com isso, trouxerem contribuições importantes para a vida das pessoas. Há um movimento que caminha nessa direção, então, aproveite para fazer da sua carreira um combustível de interferência positiva para o mundo. Você tem dois caminhos: escolher entre seguir o seu juramento, e usar sua técnica para além de mudar a sua vida também transformar positivamente o mundo, ou apenas, suprir seus desejos individuais e assistir a diluição de um planeta que já não suporta o desiquilíbrio e a desigualdade provocados pelas opções individualistas de viver.

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