Mas ai nos perguntamos: o que é necessário para inovar? Pois bem, para tal, é preciso liberdade para pensar, propor e questionar as coisas, e somente funcionários com autonomia e autoestima elevada conseguem tal condição.

O atual modelo de gestão das nossas organizações humaniza ou desumaniza as empresas? Incentiva ou reprime as pessoas? Corrobora para elas sejam inovadoras ou reacionárias? Essas são questões que necessitam ser debatidas profundamente pelas e nas organizações. Diante da atual realidade do mercado de trabalho, é nítido que esse precisa de uma nova significação, onde a relação entre trabalhador e organização possa ser mutuamente gratificante. É evidente, diante disso, a necessidade de mudança no paradigma de poder e na forma de relacionamento entre funcionário-empresa.

O mundo organizacional carece de humanização e de novas maneiras de condução das empresas e pessoas, pois o padrão de negócios que ainda prioriza a centralização, a hierarquia e o autoritarismo, é insustentável. A concepção do funcionário – homem máquina – típica da revolução industrial, não é mais viável, nem para a empresa, tampouco para o trabalhador, pois esse arquétipo desumaniza as organizações, além de furtar-lhes a capacidade de inovação. Vivemos em uma época a qual a visão cartesiana carece de ser perpassada pela óptica da transversalidade. Nas instituições, isso pressupõe considerar o homem como sujeito pensante, capaz de contribuir dentro da sua especificidade e peculiaridade, e não como o “apertador de peças” dos tempos primórdios da administração.

colaborarAdemais, é imperioso vê-lo como ser humano, que carece de atenção, de respeito e de amor. Existe nesse sentido, a necessidade de adoção de uma lógica mais humana, na condução dos negócios. As instituições contemporâneas carecem de líderes com um
pensamento e ação humanista, que promovam em primeiro lugar, as pessoas. Há que se entender que a essência das organizações são elas e, que essas precisam de incentivo, elogios, respeito e de lideranças que saibam fomentar os seus pontos fortes. As pessoas se motivam pelo exemplo e não pela ameaça nem pelo medo da hierarquia e, acima de tudo, quando se sentem parte, elas são capazes de produzir grandes feitos.

Segundo as palavras de Gary Hamel – considerado um dos maiores especialistas do mundo dos negócios, o modelo tradicional de gestão está caindo. Ele fala que “atualmente é preciso treinar os funcionários para serem inovadores, para darem ideias e testá-las”.

Mas ai nos perguntamos: o que é necessário para inovar? Pois bem, para tal, é preciso liberdade para pensar, propor e questionar as coisas, e somente funcionários com autonomia e autoestima elevada conseguem tal condição. Colaboradores que têm medo dos seus gestores e que são inseguros para arriscar, jamais inovarão e, por consequência, não conduzirão nenhuma empresa ao sucesso. Por isso, se faz vital a descentralização na forma de liderar, pois o tradicional “chefe” que sabe tudo, está obsoleto. Nesse sentido, novamente trago a ideia de Hamel pois ele faz um alerta muito pertinente aos atuais gestores quando afirma que “atualmente nenhum líder pode confiar na sua posição, pois as pessoas só o seguirão se ele tiver boas ideias e estiver disposto a dar poder a elas”.

O verdadeiro valor que deve predominar nas organizações contemporâneas que querem ter vida longa, é o compartilhamento, a integração, a valorização dos diferentes pensares.

Dar poder: essa é a palavra chave no novo modelo de gestão. O bom líder delega, acompanha e cobra, mas acima de tudo, empodera as pessoas, independentemente da posição que estas ocupem, incentivando suas competências e fazendo aflorar o talento de cada um. É a materialização das habilidades individuais e coletivas que poderá conduzir a auto realização delas no trabalho, à inovação nas empresas e, por consequência, à consolidação de organizações mais humanas e sustentáveis do ponto de vista econômico, social e ambiental.

Assim, é incontestável que a forma de fazer negócios, centralizada, hierarquizada está fadada ao fracasso. O verdadeiro valor que deve predominar nas organizações contemporâneas que querem ter vida longa, é o compartilhamento, a integração, a valorização dos diferentes pensares. Se as instituições atentarem para tal concepção, ganharão duplamente pois aumentarão a satisfação dos seus funcionários ao valorizá-los e integrá-los aos negócios o que proporcionará um clima interno favorável, de satisfação e motivação, e, por outro lado, terão ganhos consideráveis em inovação e competitividade pela maior participação dos colaboradores na resolução de problemas e proposição de soluções, o que gerará maior eficiência e eficácia nos processos organizacionais.

Por isso, para as empresas que quiserem se destacar, é vital a adoção de um modelo de gestão compartilhada, que priorize os distintos saberes ao invés de um único “pensar”, absoluto e inquestionável, que aliás, poderá conduzi-las às estatísticas futuras daquelas que
desapareceram do mundo dos negócios.

Nesse sentido, para concluir, gostaria de trazer uma estatística que nos faz refletir sobre esse tema, apresentada em uma palestra que participei com um dos fundadores da empresa Pipa, uma organização que atua na formação de empreendedores comprometidos em
construir negócios com impacto positivo no mundo. Segundo o palestrante Dhaval Chadha, “75% das 500 maiores empresas de 2020 ainda não existem: pense nisso e no novo modelo de negócios que surge”.

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