Mudar o paradigma cultural é fundamental para gerar essa sustentabilidade de valores.

Antes de qualquer coisa, convido-lhe a parar por alguns minutos, esvaziar a mente conturbada e pensar sobre o seu ambiente de trabalho hoje. Como anda a sua empresa? Pense no funcionamento dessa grande engrenagem, nos departamentos, nos métodos de gestão usados pelos líderes. É um exercício que requer apenas um olhar comum. Tente visualizar os projetos, as tomadas de decisões, as políticas de Recursos Humanos. Agora se pergunte e tente responder para si mesmo: Quais os objetivos de sua organização e até que ponto você consegue relacioná-los às ações que são tomadas no dia a dia da empresa?

Se você não conseguiu responder, não se preocupe (pelo menos não agora), você faz parte de uma maioria que hoje trabalha em empresas onde há uma grande distância (em muitas um abismo) entre o que se diz ser e o que realmente é. Difícil acreditar, mas na maioria dos cenários os colaboradores e, em muitos casos, os próprios gestores não sabem relacionar os valores das empresas com a marca que as representa. Afinal, não adianta ter valores sustentáveis pendurados nas paredes se a empresa não tem ações sustentáveis no dia a dia ou se seus produtos não carregam esses valores. A ausência de uma cultura organizacional que direcione todos para os mesmos objetivos gera desconhecimento sobre onde o colaborador está pisando e se ele não sabe onde está, não fará muito para o crescimento da empresa.

Estruturar é preciso!

Mas para a sua empresa crescer e elevar os índices de vendas, basta apenas que os departamentos financeiro, produção e vendas estejam coesos e a pleno vapor, não é mesmo? Não se sua empresa quiser garantir seu espaço para os próximos anos. Você já parou para pensar o que faz esses departamentos funcionarem? É preciso entender que o que faz uma empresa não é apenas o quanto ela lucra anualmente ou o produto que ela vende. O que faz com que a produção aumente, as vendas alavanquem e o financeiro tenha um bom desempenho são as pessoas, os colaboradores que compõem estes setores. Toda e qualquer prática nas organizações, dependem do valor humano e valores humanos quando juntos produzem um fenômeno chamado cultura. Cultura surge dessas interações entre pessoas distintas e assim como no meio social, as organizações são dotadas de manifestações culturais que vão dizer o que, de fato, elas são.

Uma das empresas em que tive a oportunidade de prestar consultoria carregava grandes faixas com missão, visão e valores nos refeitórios e lugares comuns, um método aparente para gerar valor aos colaboradores. No entanto, essas premissas ficavam apenas nas faixas e não circulavam nos processos da empresa, justamente por não haver uma cultura organizacional ativa. Na maioria das vezes, as empresas – por mais que tenham faixas e cartazes espalhados pelos corredores – não sabem transmitir os valores por trás das marcas. E se os valores da empresa não são compartilhados por todos, não há estrutura para superar desafios.

Como um iceberg oculto de valores

Para entender um pouco mais sobre a importância da cultura organizacional, o professor e pesquisador Idalberto Chiavenato, compara este fenômeno com um grande iceberg.

cultura organizacional

Observe na figura ilustrativa que apenas um nono (1/9) do iceberg encontra-se na superfície, visível fora d’água – tudo aquilo que é aparente, o que eu enxergo de outras empresas e o que os outros enxergam da minha organização. Todo o restante permanece submerso, invisível fora d’água. E é aí onde as coisas de fato acontecem; nas manifestações, nos fenômenos culturais do ambiente interno das empresas. É esta grande parte submersa que sustenta tudo o que é visível. Desvendar o que está oculto, submerso embaixo d’água é fundamental para se entender qual o próximo passo que se deve empreender no gerenciamento da cultura organizacional.

Saiba para onde quer ir

Perceba que definir premissas que, de fato, norteiem/sustentem as organizações é essencial para se entender o que é, aonde se quer ir e como se quer chegar. O primeiro passo para se alcançar o sucesso é saber para onde se quer ir – e aqui qualquer lugar, definitivamente, não serve! Se não definirmos metas e objetivos claros, planejando-os estrategicamente, nosso lado oculto do iceberg acaba por perder a sua sustentação, definhando nosso lado visível.

Nutrir valores compartilhados, visões sustentáveis e missões de crescimento mútuo é construir os caminhos que se quer percorrer – com atalhos ou não. Compreenda que grandes icebergs são formados de minúsculas partículas de água e que é a interação entre essas moléculas o que as torna gigantes. Mudar o paradigma cultural é fundamental para gerar essa sustentabilidade de valores. E para aqueles que pensam que as pessoas não gostam de mudanças, vai um alerta da consultora Patrícia Tavares, da Nex-us Consultoria: “Se você já casou, já teve filhos ou já mudou de emprego, você sabe que as pessoas mudam. O que elas não gostam é de serem forçadas a mudar sem entender porque e, muito menos, o que elas têm a perder”.

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José-de-Assis

José de Assis

Consultor de comunicação e endomarketing, tem como motivação diária superar desafios. Apaixonado por pessoas, música e pelo Atlético Mineiro, acredita na geração de ideias como o maior instrumento transformador de uma sociedade.